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António Guterres avisa: o mundo enfrenta “um momento de perigo!”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, insistiu hoje que o mundo enfrenta "um momento de perigo" e denunciou as "violações" da Rússia na Ucrânia, falando na abertura de uma reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas.

“A decisão da Rússia de reconhecer a chamada ‘independência’ das regiões de Donetsk e Lugansk — e o que se seguiu – são violações da integridade territorial e soberania da Ucrânia e são incompatíveis com os princípios da Carta das Nações Unidas”, disse.

A participação do secretário-geral não estava inicialmente prevista nesta reunião, que se realiza anualmente, mas Guterres decidiu participar depois de cancelar uma viagem a África e regressar antecipadamente a Nova Iorque.

Na mesma reunião, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, sublinhou que a Ucrânia não é uma ameaça à Rússia.

“A Ucrânia nunca planeou e não está a planear nenhuma operação militar no Donbass”, afirmou.

O ministro reclamou “ações concretas e rápidas” das Nações Unidas para parar a espiral de conflito alimentada, segundo ele, pela Rússia e pelos seus destacamentos militares.

“O início de uma guerra em larga escala na Ucrânia será o fim da ordem mundial tal como a conhecemos”, alertou Kuleba.

Esta reunião da Assembleia Geral, com a presença dos 193 membros da Organização das Nações Unidas (ONU), é uma sessão anual sobre os “territórios ucranianos temporariamente ocupados”, organizada desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014.

Ministra alemã acusa Putin de mentir sobre a Ucrânia

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e França acusaram hoje a Rússia de ter “destruído” os Acordos de Minsk ao reconhecer como independentes os dois territórios separatistas no leste da Ucrânia, embora mantenham aberta a janela do diálogo.

“Os Acordos de Minsk foram destruídos unilateralmente”, realçou a ministra alemã dos Negócios Estrangeiros, Annalena Baerbock, numa conferência de imprensa em Berlim junto do homólogo francês, Yves Le Drian.

Baerbock frisou que o Presidente russo, Vladimir Putin, assinou estes acordos, mas que agora “aqueles papéis não têm valor”.

A ministra alemã denunciou também que o chefe de Estado da Rússia não disse a verdade durante os contactos diplomáticos sobre a Ucrânia.

“Na Alemanha consideramos isso mentir”, atirou.

Também o responsável pela diplomacia francesa referiu que Putin não cumpriu com as suas declarações “públicas e privadas”, as últimas feitas em conversas com o Presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Olaf Scholz.

Yves Le Drian assegurou, no entanto, que “a mão [da diplomacia] ainda está estendida” e que não há nada pior que um “confronto militar”.

“Existe um fórum para conversas e ele deve continuar a existir para continuar a ser trabalhada para uma solução pacífica”, sublinhou, referindo-se ao Formato Normandia, que junta Alemanha, Ucrânia, França e Rússia em torno da implementação dos Acordos de Minsk.

Os Acordos de Minsk foram assinados pela Ucrânia e pelos separatistas pró-russos de Donetsk e Lugansk, da região do Donbass, e visavam encontrar uma solução para a guerra entre Kiev e os separatistas apoiados por Moscovo, que começou em 2014, pouco depois de a Rússia ter anexado a península ucraniana da Crimeia.

Os responsáveis pela diplomacia alemã e francesa alertaram para a necessidade de se estar preparado para “o pior cenário”, ameaçando com um pacote de sanções mais duro do que o anunciado ontem pela União Europeia (UE).

“Por uma Ucrânia livre e soberana, estamos dispostos a sofrer custos económicos”, garantiu Baerbock, lembrando que a Alemanha interrompeu na terça-feira o processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2 porque a paz na Europa “não tem preço”.

Ambos os ministros dos Negócios Estrangeiros também se declararam favoráveis à manutenção da missão de observação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) na região do Donbass.

Fonte: Agência Lusa

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