Cultura

Cinemas portugueses receberam 5,4 milhões de espectadores em 2021: um terço do pré-pandemia

Bilhetes vendidos e receitas subiram mais de 40% em relação a 2020, o pior dos últimos em 17 anos, mas a exibição continua a dez milhões de espectadores de distância dos números pré-pandemia.

Quando se fecharam as contas de 2020, constatou-se que era preciso recuar 16 anos para encontrar números tão baixos de afluência ao cinema em Portugal e que a pandemia tivera um impacto acima da média na exibição cinematográfica nacional por comparação com o resto da Europa, numa quebra fixada em 75,7%. Um ano depois, fechadas as contas de 2021 com um registo total de 5,4 milhões de espectadores e de 30,6 milhões de euros em receitas, verifica-se um crescimento superior a 40% — mas ainda assim com menos dez milhões de pessoas nas salas do que antes da covid-19, ou seja, um terço do “velho normal”. Os mais recentes números do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), revelados esta terça-feira, mostram assim uma lenta recuperação em 2021 rumo ao novo normal — aquele em que o streaming ganha terreno e em que a evolução da pandemia continua a ser fonte de imprevisibilidade para o negócio.

O ano de 2021 foi “marcado por profundos constrangimentos”, repete o ICA depois de ter descrito precisamente assim, há um ano, os 12 meses de 2020. Ainda assim, a afluência às salas melhorou 43,8% (ou seja, afluíram aos cinemas mais 1,6 milhões de espectadores) e as receitas brutas de bilheteira subiram 48,7%, tendo-se encaixado mais dez milhões de euros do que em 2020. Nesse primeiro ano da pandemia, aliás, os números foram estarrecedores: 3,8 milhões de bilhetes vendidos para 20,5 milhões de euros de receitas brutas depois de um registo bom, o de 2019, em que se haviam contabilizado 15,5 milhões de idas ao cinema e 83 milhões de euros.

O instituto que mede o box-office português desde 2004 via nas listas de 2020 dados inéditos: Abril e Maio a zeros devido ao grande confinamento e meses perto do residual, como Junho. Este ano, houve outro mês nulo (Fevereiro) e em Março e apesar de os cinemas estarem fechados, a receita nacional global para os cinemas foi de uns míseros 183 euros, pagos por 345 espectadores segundo o ICA. Mas o Verão foi sempre a subir e Outubro saldou-se como o melhor mês de 2021, com 5,6 milhões de euros de receitas brutas na venda de bilhetes a 977 mil espectadores, que foram sobretudo ver 007: Sem Tempo Para Morrer.

Depois, quando Homem-Aranha: Sem Volta a Casa arrastou multidões de volta à sala escura, novas restrições causadas pela variante Ómicron condicionaram o que deveria ter sido o melhor mês do ano — Dezembro, que ainda assim foi o segundo mais concorrido. Os cinemas receberam então quase um milhão de pessoas (933 mil espectadores) que compraram 5,3 milhões de euros de bilhetes.

António Paulo Santos, director-geral da FEVIP, a Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais, previa há dias no PÚBLICO que as restrições sanitárias impostas na recta final de Dezembro terão representado “uma queda de 700 mil espectadores, e um prejuízo ou uma não-receita de 4,1 milhões de euros”.

Em 2021, os exibidores continuaram reféns de confinamentos e reduções do número de lugares, entre outras restrições e resistências no acesso às salas como os testes prévios ou a mudança de hábitos dos espectadores. Os dados do ICA agora revelados mostram que em 2021 houve 18 salas de cinema inactivas, nove das quais em Lisboa e seis em Aveiro.

A pandemia condicionou o acto de ir ao cinema mesmo fora dos períodos de confinamento, acelerando a escolha do streaming como modalidade de estreia de filmes por parte dos estúdios e de consumo de cinema por parte do público. Recentemente, a Warner anunciou que este ano, quando o serviço HBO Max cá chegar para substituir a HBO Portugal, os seus filmes vão aterrar no streaming em metade do tempo — passados apenas 45 dias da sua estreia em sala, e sem custos adicionais. A Disney estreou vários filmes de animação ou da sua chancela Marvel em simultâneo em streaming e nas salas mesmo fora dos confinamentos e, sem fanfarra, encurtou também a janela de exibição exclusiva dos cinemas — Eternals, da Marvel, estreou-se em Novembro e chega já esta quarta-feira à plataforma de streaming Disney+. Por outro lado, a Netflix voltou a fazer uma inversão da sua marcha de exclusividade digital que em tempos fez com que O Irlandês de Martin Scorsese não chegasse aos cinemas nacionais, e estreou nas salas portuguesas os seus filmes Não Olhes Para Cima e Aviso Vermelho antes de os disponibilizar na plataforma.

Ainda assim, há coisas que nunca mudam e os mais vistos do ano voltaram a ser blockbusters integrados em franchises e séries de acção: tal como previsto, os primeiros lugares no ranking foram de 007: Sem Tempo Para Morrer, o 25.º filme da saga James Bond, Homem-Aranha: Sem Volta a Casa e Velocidade Furiosa 9; entre os portugueses, Bem Bom, sobre as Doce, foi de longe o mais popular.

Fonte: Público

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