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Portugal é campeão do mundo de futsal

Nesta década, Portugal conseguiu ter o melhor jogador do Mundo e ser campeão europeu em selecções e clubes. Só faltava o que já não falta: estar no trono mundial.

O melhor da Europa também é, agora, o melhor do mundo. Portugal conquistou neste domingo o Mundial de futsal, batendo a Argentina, anterior campeã, por 2-1.

Antes do jogo, o seleccionador Jorge Braz tinha sido audaz. “Acho que somos melhores do que toda a gente. Não estou a ser actor. Os melhores do mundo são os meus, não são os outros. Não há a mínima dúvida”. A frase de índole motivacional tem, agora, um cariz absolutamente factual: Portugal é mesmo a melhor equipa do mundo.

E se nesta década Portugal conseguiu ter o melhor jogador do Mundo, Ricardinho, e ser campeão europeu em selecções e clubes (Benfica e Sporting), depois de um tremendo crescimento da modalidade, ainda faltava o que já não falta: estar no trono mundial.

O actual campeão europeu conquista assim o primeiro título mundial e torna-se o quarto vencedor desta prova, além de Brasil (cinco títulos), Espanha (dois) e Argentina (um).

Este título tem ainda o significado especial de dar a despedida suprema a Ricardinho, apontado de forma quase unânime como o melhor jogador de futsal da história da modalidade em Portugal.

Aos 36 anos, o capitão pode levantar o troféu em Kaunas após aquele que foi o seu último jogo em Mundiais. E as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto, quando cantava o hino nacional, mostram o quanto este momento significava para Ricardinho.

Pany Varela, que bisou e deu o título a Portugal, até pode ter sido o elemento mais fulcral da selecção portuguesa neste Mundial, mas foi Ricardinho quem levou o prémio de melhor jogador da competição. Esta foi a noite da despedida perfeita do capitão português.

No que diz respeito à partida houve tudo o que se quer numa final: golos, grandes lances técnicos, boas defesas, emoção, resultado incerto, cânticos nas bancadas e uma boa dose de drama nos últimos segundos.

A primeira parte trouxe, como se esperava, um jogo muito táctico e assente em posicionamentos defensivos praticamente irrepreensíveis de ambos os lados.

Com bola, tanto Argentina como Portugal jogaram grande parte do tempo em 4×0 – os portugueses por terem o pivot Zicky muito tempo no banco e os argentinos, apesar de terem Brandi, por raramente conseguirem activar a preceito o pivot que já passou pelo campeonato português.

Aos 13’, Borruto dividiu uma bola com Ricardinho, aproveitando para dar um soco na barriga do português. O lance passou despercebido aos árbitros, mas Jorge Braz pediu um challenge que resultou na expulsão do argentino.

A jogar em quatro contra três entrou ao serviço Pany: primeiro a oferecer a Ricardinho um golo fácil que o capitão desperdiçou e a seguir a resolver ele próprio o problema.

Pany recebeu na zona central da quadra, deixou dois jogadores argentinos deitados no chão – e ficaram mesmo deitados, com o drible do português – e rematou cruzado para o 1-0.

Tal como tem acontecido em grande parte desde Mundial, o futsal colectivo e associativo português só ganhou verdadeiro sentido quando entrou um jogador forte no um contra um. Este aparente contrassenso tem funcionado na perfeição e foi Pany Varela, o “abre-latas” desta selecção, a voltar a desequilibrar.

Na segunda parte, a Argentina entrou bastante mais intensa e pressionante e obrigou Portugal a despejar bolas longas sem nexo. Curiosamente, apesar de não conseguir ligar jogadas pelo chão, até foi nesta fase que Portugal somou duas grandes oportunidades de golo: uma jogada individual de Erick que terminou na trave e um remate perigoso de Tiago Brito após um livre-directo.

Com mais Brandi em jogo, a Argentina conseguiu algumas jogadas dentro do bloco defensivo português, até por via de várias faltas ganhas já perto da área.

Aos 7’, uma bola parada deu conforto a Portugal. Quem marcou? Pany Varela, claro está, após um canto marcado por Ricardinho. Dez segundos depois houve golo do lado contrário, numa grande iniciativa individual de Claudino. E tudo voltou ao que estava, com apenas um golo de diferença.

O jogo entrou, depois, numa fase menos rica, com Portugal a estabilizar defensivamente e a Argentina a parecer acusar já algum desgaste, até pela sobrecarga de minutos nos seus jogadores-chave.

As oportunidades de golo regressaram já dentro dos últimos cinco minutos, para ambos os lados: uma impedida por Bebé (mais um grande jogo do guardião, com uma mão-cheia de intervenções), outra impedida pela falta de engenho de Fábio Cecílio na finalização.

Com Portugal nas cinco faltas, a Argentina teve de optar entre o cinco para quatro ou a procura da sexta falta portuguesa. A opção passou pelo guarda-redes avançado, mas o quadrado defensivo português esteve quase sempre competente.

As excepções foram um lance a cerca de um minuto do final, quando Claudino não finalizou à frente de Bebé, e, para dar o dramatismo final, uma bola ao poste… no último segundo. Se era para ser, teria de ser assim.

Fonte: Público

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