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Incêndio que deflagrou em Castro Marim com 9000 hectares de área afectada. Mais de 50 pessoas retiradas

Durante a madrugada foram deslocadas mais de cinco dezenas de pessoas para as zonas de apoio à população no Azinhal, Castro Marim, e em Tavira. A A22 foi entretanto reaberta por estarem reunidas condições de segurança. A GNR apela a que sejam evitadas as deslocações na EN125.

O incêndio que deflagrou em Castro Marim na madrugada de segunda-feira e que se estendeu “de forma fulminante” para os concelhos de Vila Real de Santo António e Tavira durante a tarde de ontem, “lavrou com muita intensidade, atingindo um perímetro de 43 quilómetros, numa área afectada de cerca de 9000 hectares”, informou esta terça-feira o comandante das operações de socorro. Numa conferência de imprensa em Castro Marim, Richard Marques acrescentou que se trata de uma “taxa de expansão de 650 hectares por hora” e que “o potencial deste incêndio é de 20.000 hectares.”

Às 10h05 encontravam-se 628 operacionais a combater as chamas, apoiados por 208 veículos e 11 aeronaves. Neste momento, contam-se, ainda, 196 militares no terreno. O incêndio é agravado por ventos fortes e obrigou à retirada de várias pessoas ao longo da noite por precaução, segundo a protecção civil. O comandante referiu que, apesar das difíceis condições meteorológicas, foi possível durante a noite “executar o plano estratégico de acção” e que na manhã desta terça-feira está a ser consolidado o grande objectivo de “sustentar a capacidade de travar” a progressão das chamas.

“Vi famílias desesperadas que perderam todos os seus haveres, pessoas dedicadas à agricultura, com plantações de alfarrobeiras, amendoeiras, pinheiros, dedicadas à apicultura, e de um momento para outro viram reduzidos os rendimentos a zero. Arderam milhares de hectares, não fazemos ideia ainda da totalidade dos prejuízos”, contou o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral.

Apesar dos danos materiais, com casas e culturas atingidas, numa contabilização ainda por fazer, apenas um bombeiro ficou ferido, sem gravidade.

Na mesma conferência, o Tenente Coronel Marco Henrique, da GNR acrescentou hão há feridos a registar entre as populações: 81 pessoas de 12 localidades diferentes foram evacuadas por precaução. Além disso, cerca de 80 cães e 110 gatos foram retirados do canil municipal de Vila Real de Santo António por precaução, com a ajuda de voluntários. 

O incêndio deflagrou à 01h05 de segunda-feira e chegou a ser dado como dominado pelas 10h20, mas o “quadro meteorológico severo”, com altas temperaturas e vento, estiveram na origem de uma “reactivação muito forte, em pleno período crítico do dia, junto à cabeça/flanco direito do incêndio original, e este ficou rapidamente fora da capacidade de extinção”, explicou Richard Marques.

Fonte da protecção civil tinha dito anteriormente à Lusa que tinham sido deslocadas durante a madrugada 58 pessoas para as zonas de apoio à população, em “povoados dispersos” e em “diferentes pontos do teatro de operações”. Além destas, “houve mais pessoas que se deslocaram pelos seus próprios meios para casa de familiares e amigos”, acrescentou uma fonte do comando regional do Algarve esta manhã.

Foram criadas duas zonas de apoio à população, no Azinhal, Castro Marim, e em Tavira.

“Cerca de 50 pessoas foram retiradas de casa, a maior parte voluntariamente, e neste momento, com as coisas a melhorar, já estão a regressar”, disse à Lusa Francisco Amaral, pouco depois das 10h. De acordo com o autarca, as populações mais atingidas pelo incêndio foram as de Cortelha, Pego dos Negros, Fontainhas e monte da Amendoeira. Entretanto, a situação é “mais controlada agora, estando o incêndio mais para o lado de Tavira actualmente”.

Segundo Francisco Amaral, a povoação de Pisa Barro, onde não conseguiram chegar os bombeiros, lutou “com garra enorme”, sendo os “heróis que combateram o fogo, defendendo as suas casas”, desde os mais novos aos mais velhos.

Também no concelho vizinho de Tavira tiveram de ser retiradas pela GNR das suas casas 26 pessoas, que de acordo com a presidente da câmara, Ana Paula Martins, passaram a noite na zona de apoio à população, devido à proximidade do fogo das suas habitações.

“Sei que estamos com uma frente activa complicada que está a ser combatida por meios aéreos, já apresentava complicações na madrugada, na Malhada de Peres. Penso que a situação está a ser combatida da forma possível”, afirmou, pelas 10h30.

A A22 foi entretanto reaberta por estarem reunidas condições de segurança para o efeito, anunciou a guarda. A GNR apelou ao máximo que sejam evitadas as deslocações na EN125, entre Vila Real de Santo António e Tavira, devido ao incêndio que lavra na zona — até agora a alternativa à auto-estrada. 

“O trânsito está muito condicionado na zona. Já por si é mais intenso nesta altura de verão, agora circula muito lentamente entre Vila Real de Santo António e Tavira”, sublinhou a mesma fonte da GNR à Lusa pelas 10h30.

A Comissão Europeia activou, a pedido de Portugal, o Programa de Observação da Terra da União Europeia (Copernicus) para monitorizar o incêndio. “Durante aquele que promete ser um verão recorde em termos de número de activação da cartografia de emergência, fomos agora encarregados de monitorizar um incêndio no distrito de Faro, na região do Algarve”, anunciou o programa no Twitter.

O Copernicus, que tem sempre de ser activado a pedido dos países da UE, faculta serviços de informação baseados na observação por satélite e de sistemas de medição terrestres, aéreos e marítimos destinados a ajudar os prestadores de serviços e autoridades públicas, neste caso, a Protecção Civil portuguesa.

Fonte: Público

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