Ambiente

Organização Meteorológica Mundial oficializa recorde de temperatura na Antárctida: 18,3 graus

Os 18,3 graus Celsius registados a 6 de Fevereiro de 2020 no Norte da Península Antárctica batem o anterior valor máximo de 17,5 graus Celsius de Março de 2015. A Península Antártica é uma das regiões do mundo onde o aquecimento tem sido mais acelerado, alerta Organização Meteorológica Mundial.

A Antárctida chegou aos 18,3 graus Celsius em Fevereiro de 2020, confirmou esta quinta-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O recorde já tinha sido anunciado quando foi registado, a 6 de Fevereiro do ano passado, no Norte da Península Antárctica, na estação de investigação argentina Esperanza, mas só agora foi reconhecido pelo organismo internacional.

O máximo agora confirmado bateu o recorde anterior de 17,5 graus Celsius registado em Março de 2015 na mesma estação de investigação. De acordo com a OMM, é o valor mais alto registado na área continental da Antárctida – o registo mais alto para toda a região do planeta abaixo dos 60 graus de latitude remonta a Janeiro de 1982, quando os termómetros marcaram 19,8 graus Celsius na ilha de Signy.

“A verificação deste registo de temperatura recorde é importante porque nos ajuda a construir um retrato do tempo e do clima numa das fronteiras finais da Terra. Ainda mais do que o Árctico, a Antárctida está mal coberta em termos de observações e previsões meteorológicas continuadas e sustentadas, apesar de as duas regiões terem um papel importante nos padrões climáticos e oceânicos e na subida do nível do mar”, refere o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, alertando para o efeito que as alterações climáticas têm tido na Antárctida. 

“A Península Antárctica (a ponta noroeste perto da América do Sul) é uma das regiões do planeta com aquecimento mais acelerado, quase três graus Celsius nos últimos 50 anos. Esta nova temperatura recorde é, por isso, consistente com as alterações climáticas que temos observado. A OMM está a trabalhar em parceria com o Sistema do Tratado Antárctico para ajudar a conservar este continente puro”, refere.

A Organização Meteorológica Mundial diz ainda em comunicado que rejeitou um registo de 20,75 graus Celsius datado de 9 de Fevereiro de 2020 numa estação de monitorização de permafrost brasileira localizada na Ilha Seymour, também na Península Antárctica.

As temperaturas recorde resultaram de “um grande sistema de alta pressão sobre a região” que criou condições de ventos föhn (descida de ar que provoca um aquecimento significativo da superfície) e levou ao aquecimento local nos dois locais. A conclusão confirma a teoria avançada logo em Fevereiro de 2020, em que Randall Cerveny, climatologista da OMM, avançava que o registo parecia estar associado “a um rápido aquecimento do ar”. Segundo a organização, estas condições meteorológicas “são propícias à produção de cenários de temperaturas recorde”.

A confirmação do registo da Esperanza e rejeição dos valores na ilha Seymour deve-se a um “erro demonstrável” no sensor do posto brasileiro. Ao contrário da observação na estação argentina, que não tinha falhas, de acordo com o comité da OMM responsável pela examinação dos equipamentos e dos dados recolhidos, o registo na estação brasileira foi resultado de “um erro de polarização térmica” provocado por um escudo de radiação improvisado, colocado depois de ter sido perdido o escudo original.

“Embora esta modificação não tenha causado problemas no que diz respeito aos objectivos específicos do projecto de registo de variações do permafrost, o desvio térmico da temperatura do ar criado pelo escudo de radiação não normalizado invalida a observação da temperatura”, explica.

Fonte: Público

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker