RibatejoVilafranca de Xira

Ministro garantiu a Vila Franca de Xira que contentores ficam em Loures

Parque logístico terá de ser desactivado até final de 2022 para que a área sirva de espaço de apoio às Jornadas Mundiais da Juventude programadas para o Verão de 2023.

O ministro Pedro Nuno Santos assumiu, em recente reunião com o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira e com outros membros do executivo municipal vila-franquense, que a deslocalização do Complexo Logístico da Bobadela será feita dentro do território do concelho de Loures e não deslocando os parques de contentores ali existentes para municípios vizinhos. Parte significativa deste terminal terá que ser desactivada até final de 2022, para que a respectiva área sirva de espaço de apoio às Jornadas Mundiais da Juventude programadas para o Verão de 2023. Mas o destino dos milhares de contentores ali parqueados tem gerado polémica.

O Governo publicou uma resolução em que define um calendário (2022 a 2026) para a desactivação progressiva dos três terminais logísticos da Bobadela. O município de Loures encomendou, entretanto, um estudo a especialistas do Instituto Superior Técnico (IST) que indica a zona da Plataforma Logística de Lisboa Norte (freguesia da Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira) como a área mais adequada para receber os contentores que terão que sair da Bobadela. Mas a Câmara de Vila Franca de Xira rejeita liminarmente essa possibilidade. O grupo parlamentar do PCP também já se envolveu na “discussão” e fez, na semana passada, uma pergunta ao Governo, onde reclama a “aceleração” do processo de desactivação do Complexo Logístico Rodoferroviário da Bobadela e a mudança da sua actividade para a Castanheira e/ou para o Poceirão.

Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, considera “espantoso” que “um partido político esteja a promover a saída de contentores de um município para outros municípios”, tanto mais quando a CDU tem a maioria na Câmara de Loures. “Tudo faremos, naquilo que estiver ao nosso alcance, para que isso não aconteça. Quando se fala da Plataforma Logística da Castanheira estamos a falar de grandes naves de instalação e de operação de empresas. É uma logística de outra geração e não propriamente de armazenagem de contentores”, acrescenta o autarca do PS, vincando que a zona da Plataforma Logística de Lisboa Norte (PLLN) é a principal área de desenvolvimento de actividades económicas do concelho de Vila Franca, onde foi recentemente inaugurada uma nave (já ocupada) com 45 mil metros quadrados, está em perspectiva a construção da segunda nave e há vários projectos em equação como a possibilidade de instalação de um data center.

“Investir 200 milhões de euros naquela plataforma logística (planos anunciados pela Merlin Properties que detém 75% da área da PLLN) para encaixotar ali contentores não tem sentido, seria um absurdo. Aquela área tem outro tipo de procura”, sustenta Alberto Mesquita, que admite que o Cais Fluvial projectado para a Castanheira poderá gerar o parqueamento e transbordo entre barcaças e a linha-férrea de algumas dezenas de contentores, mas nunca albergar os milhares de contentores actualmente colocados na Bobadela.

“O que se fala no estudo que a Câmara de Loures encomendou – o que também acho espantoso, estar a chutar aquilo que não se quer para outro concelho – é da ampliação da PLLN, ou seja a utilização do espaço entre a plataforma da Castanheira e o rio. Efectivamente, já nos vieram algumas empresas procurar saber qual é a nossa opinião. Mas, enquanto cá estivermos, não vamos autorizar nada nesse sentido”, afiança Alberto Mesquita, que não se vai recandidatar nas autárquicas do próximo Outono.

À margem da conferência de imprensa em que, na tarde desta quinta-feira, anunciou a decisão de cancelar a edição 2021 do Colete Encarnado, devido à evolução negativa da pandemia na Região de Lisboa, Alberto Mesquita revelou que esta matéria foi abordada numa reunião que manteve, no final de Maio, com o ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos. “O senhor ministro assumiu que desactivar o Terminal da Bobadela é uma questão que vai custar ao erário público muitas dezenas de milhões de euros e que é um terminal que tem muita importância em termos de transporte de carga pesada. No entanto, aquilo que o senhor ministro me disse foi que os contentores da Bobadela têm que ser relocalizados no território do próprio concelho de Loures. Foi o que o senhor ministro me disse e disse com tal convicção que não tenho qualquer razão para não acreditar. Da nossa parte vamos fazer tudo para que aqueles contentores não venham para o nosso território. Se Loures não os quer, por que é que nós haveremos de os querer”, sublinha o autarca do PS.

O risco da mudança destes terminais de contentores da Bobadela para a Castanheira gera, também, preocupação na oposição camarária vila-franquense, onde o vereador Carlos Patrão (Bloco de Esquerda) disse, na semana passada, estar “muito apreensivo” com esta possibilidade. “Não é nada que já não estivéssemos à espera. Acho que esta opção estratégica do Município de Vila Franca de Xira pela logística abriu a porta a este tipo de decisões. Mais uma vez saiu a fava ao município de Vila Franca”, sustentou, lamentando que os executivos camarários tenham “vendido” a ideia de uma logística “moderna e sofisticada”, mas que, afinal, pode redundar “num parque de contentores”.

Alberto Mesquita garante que não é essa a perspectiva e que a procura de espaços para outros fins tem sido muita. “Há outras áreas de negócio que vão avançar ali, que nem têm nada a ver com logística. Já vieram falar connosco sobre a possibilidade de instalação de um data center. Pode ser uma possibilidade. Na própria zona de expansão da Plataforma Logística (mais próxima do nó rodoviário da Castanheira) há a possibilidade de instalação de uma grande empresa de renome. A plataforma da Castanheira é a futura zona de desenvolvimento económico do nosso território”, concluiu.

Fonte oficial da Câmara de Loures disse, por seu turno, que “a única coisa que temos é a Resolução 45/2021 do Conselho de Ministros, uma resolução recente que assegura que o complexo logístico vai sair da Bobadela e que os contentores vão sair e determina um calendário de saída até 2026. É isso que nós temos. A localização futura dos contentores não somos nós que temos que indicar. Mas a Resolução do Conselho de Ministros é muito clara quanto à saída dos contentores da Plataforma da Bobadela”, conclui.

Fonte: Público

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