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António Guterres: número de “zonas mortas” nos oceanos quase duplicou numa década

O relatório divulgado esta quarta-feira indica que cerca de 90% de espécies de mangais e outros ecossistemas costeiros e marinhos, bem como mais de 30% das espécies de aves marinhas, enfrentam ameaça de extinção.

O número de “zonas mortas” nos oceanos quase duplicou numa década, demonstrando o “fracasso generalizado” de protecção dos mares e a necessidade de novas metas globais “ambiciosas”, afirmou esta quarta-feira o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O aumento das zonas oceânicas sem vida animal ou vegetal, para 700 em 2019 face a 400 em 2008, é uma das conclusões da segunda Avaliação Oceânica Mundial, realizada por centenas de cientistas de todo o mundo e agora apresentada pelo secretário-geral em mensagem de vídeo.

“Os especialistas atribuem (o aumento de “zonas mortas” nos mares) ao nosso fracasso generalizado em conseguir uma gestão sustentável integrada das costas e dos oceanos”, disse Guterres. “Apelo a todas as partes interessadas para prestarem atenção a este e outros avisos. Uma melhor compreensão do oceano é essencial”, adiantou.

A agência norte-americana para os oceanos (NOS) define “zonas mortas” marítimas como sem oxigénio necessário à maior parte da vida marinha, que ou morre ou as abandona, criando “desertos biológicos” no mar. O relatório divulgado esta quarta-feira indica ainda que cerca de 90% de espécies de mangais e outros ecossistemas costeiros e marinhos, bem como mais de 30% das espécies de aves marinhas, também enfrentam ameaça de extinção.

Na sequência de um relatório inicial publicado em 2015, a Avaliação Oceânica Mundial aponta para uma degradação contínua de espaços costeiros e marítimos devido à acção humana. “As pressões de muitas actividades humanas continuam a degradar os oceanos e a destruir habitats essenciais — como mangais e recifes de coral — dificultando a sua capacidade de ajudar a lidar com os impactos das mudanças climáticas”, afirmou Guterres. “Essas pressões também vêm das actividades humanas terrestres e costeiras, que trazem poluentes perigosos para os oceanos, incluindo resíduos plásticos”, adiantou.

O secretário-geral da ONU sublinhou que a libertação de dióxido de carbono está a acentuar o aquecimento e acidificação das águas do mar, destruindo a biodiversidade, enquanto o aumento do nível de águas do mar danifica zonas costeiras, e o esgotamento de recursos piscatórios devido a sobreexploração gera uma perda anual estimada em 88,9 mil milhões de dólares. “Como a Avaliação deixa claro (…) precisamos integrar melhor o conhecimento científico e a formulação de políticas”, sublinhou Guterres.

Este ano marcou o início da Década das Nações Unidas da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável e uma série de eventos internacionais relacionados com o ambiente e clima são, segundo Guterres, uma oportunidade para inverter o rumo. “As conclusões desta Avaliação sublinham a urgência de resultados ambiciosos nas cimeiras e eventos de alto nível da ONU sobre biodiversidade, clima e outros ao longo deste ano”, acrescentou. “Juntos, podemos promover não apenas uma recuperação verde — mas também azul — da pandemia covid-19 e ajudar a garantir uma relação resiliente e sustentável de longo prazo com o oceano”.

Guterres é uma das personalidades que intervirá na cimeira virtual sobre a crise climática, ​​​​​​​quinta e sexta-feira, promovida pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O Presidente chinês, Xi Jinping, vai também vai participar da cimeira, apesar do declínio nas relações entre Pequim e Washington, informou hoje o ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O chefe de Estado chinês vai fazer um “discurso importante” via videoconferência, a partir de Pequim, revelou o ministério, poucos dias depois de os dois países se comprometerem a “cooperar” na questão das alterações climáticas. China e Estados Unidos são os dois maiores emissores de gases de efeito estufa, a fonte do aquecimento global, e o acordo entre os dois países é, portanto, considerado crucial para o sucesso dos esforços internacionais na redução das emissões.

Fonte: Público

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