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Holandeses votam na continuidade, mas a extrema-direita nunca teve tantos votos

Partido do actual primeiro-ministro Mark Rutte foi o mais votado e começa agora à procura de parceiros de Governo. Geert Wilders perdeu representação para outros partidos de extrema-direita.

Os holandeses voltaram a dar uma vitória ao Partido para a Liberdade e Democracia (VVD, de centro-direita), do actual primeiro-ministro Mark Rutte, que deverá voltar a liderar uma coligação governamental. Num contexto amplamente marcado pela pandemia e pelos seus efeitos sociais e económicos, as forças políticas centristas foram as grandes vencedoras das eleições legislativas nos Países Baixos, mas os partidos de extrema-direita aumentaram a sua representação.

Com 63% dos votos contabilizados, segundo a Reuters, o VVD parece ter garantido 36 lugares no Parlamento de 150 deputados, em linha com o que era antecipado pelas sondagens, representando um reforço da força parlamentar do partido.

Rutte, no poder há uma década, agradeceu o “esmagador voto de confiança” dado pelo eleitorado que lhe irá permitir ser o chefe de Governo holandês com maior longevidade no cargo. O primeiro-ministro reconheceu que “nem tudo correu bem nos últimos dez anos”, mas garantiu que tem “energia para outros dez anos”.

“A principal questão em cima da mesa para os próximos anos é a reconstrução do país a partir do coronavírus”, declarou Rutte.

As eleições foram antecipadas na sequência da demissão do Governo em Janeiro depois de se tornar público um escândalo ligado à denegação de abonos de família a 26 mil candidatos que tinham “sobrenome estrangeiro”.

A grande surpresa da noite eleitoral foi o bom resultado obtido pelo D66, partido liberal progressista e europeísta, que alcança o segundo lugar e consegue eleger 24 deputados, mais cinco do que nas últimas eleições, em 2017. A performance foi celebrada pela líder do partido, Sigrid Kaag, com uma dança em cima da mesa. O resultado, disse, é “uma grande responsabilidade”.

O D66 consegue destronar a aliança dos democratas-cristãos (CDA) como o segundo parceiro mais poderoso da futura coligação governamental. Os democratas-cristãos, do actual ministro das Finanças, Wopke Hoekstra, perderam cinco lugares no Parlamento.

Os resultados parciais indicam que uma coligação entre os três partidos mais votados não tem deputados suficientes para garantir uma maioria parlamentar, obrigando a negociações com formações mais pequenas. A história mostra que este período pode levar vários meses – em 2017 foram precisos 208 dias para que fosse formado um executivo.

O Partido da Liberdade (PVV, de extrema-direita), de Geert Wilders, foi penalizado nas urnas e perdeu três lugares. No entanto, esta família política nunca esteve tão bem representada no Parlamento holandês. O Fórum da Democracia, outra formação extremista, garantiu oito deputados e outro partido recém-fundado, o JA21, elegeu quatro. A oposição destes partidos às medidas de confinamento, que levaram a manifestações violentas no início do ano, terá sido um dos factores por trás do seu sucesso.

Os mais penalizados foram os partidos de esquerda, que no seu conjunto não devem ir além dos 25 lugares no Parlamento. Os trabalhistas do PvdA mantiveram uma bancada de nove deputados, mas o Partido Socialista e a Esquerda Verde foram reduzidos a metade. “Os Países Baixos escolheram e não foi a esquerda”, admitiu a líder dos socialistas, Lilian Marijnissen.

As primeiras eleições legislativas na União Europeia desde o início da pandemia decorreram ao longo de três dias, por causa das medidas de contenção sanitária. Nos primeiros dois, o voto foi reservado à população de risco, idosos e doentes.

Fonte: Público

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