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Autoeuropa fecha três dias e corta turnos após suspensão das aulas

Maior exportador nacional não planeia paragem total, como sucedeu no confinamento de Março de 2020, e ajusta equipas para cobrir ausência de pais.

A indústria escapou ao encerramento decretado pelo Governo para muitas empresas mas não evita o impacto da suspensão das aulas. A reorganização familiar tem impacto na actividade de empresas como a maior exportadora nacional, a Autoeuropa. A fábrica da Volkswagen em Palmela fechou esta sexta-feira, por três dias, para permitir que os funcionários se ajustem à nova realidade escolar anunciada na quinta-feira pelo primeiro-ministro. Além disso, já decidiu mudar o número de turnos semanais, cortando os do fim-de-semana.

A informação foi confirmada junto de fonte oficial da fábrica, que programou e cumpriu 18 dias de paragem em Dezembro e que, tal como em Março de 2020, se depara agora com perspectivas de vir a “perder” temporariamente trabalhadores que vão ficar em casa nas próximas duas semanas para cuidarem dos filhos que ficam sem aulas.

Mas se há dez meses a opção acabou por ser a paragem total e o layoff simplificado para os cerca de 5000 trabalhadores da fábrica, a mensagem agora é que a laboração “é para continuar”, ainda que num nível mais reduzido.

A opção, por isso, foi parar já três dias (sexta, sábado e domingo), para que os trabalhadores possam planear e reorganizar a vida em função da suspensão lectiva. E depois reabrir a fábrica na segunda-feira, não no regime AE19 (Acordo de Empresa 2019), com 19 turnos semanais, mas no AE15, mantendo os 15 turnos de segunda a sexta e cortando os dois turnos de sábado e de domingo.

São regras pensadas para os próximos 15 dias, período durante o qual as actividades lectivas estão suspensas. Depois disso, “logo se vê”, diz a mesma fonte, salientando que o planeamento continuará a ser feito com a colaboração dos trabalhadores e segundo a evolução da própria situação sanitária do país.

Com esta decisão, pretende-se que as equipas que trabalhavam aos sábados e domingos possam servir de reforço nos turnos da semana, cobrindo as ausências de trabalhadores que passam a ficar em casa para acompanharem os filhos, visto que para os funcionários da produção não existe a opção do teletrabalho.

Tal como aconteceu no confinamento iniciado em Março de 2020, estes pais terão faltas ao trabalho justificadas e direito a um apoio do Estado, que assegura 66% do salário base. Uma ajuda que será paga com base no salário de Dezembro e a todos os trabalhadores que não estejam em teletrabalho e tenham filhos a seu cargo com idade até aos 12 anos.

Para empresas industriais como a Autoeuropa, desta vez não há acesso ao layoff simplificado, porque este fica agora reservado às empresas que tenham sido obrigadas a encerrar pelo Governo, como o comércio não-alimentar, incluindo, por exemplo, os stands de venda de veículos.

Segundo as estimativas, estas paragens e alterações nos turnos acarretam um corte na produção. Serão fabricadas menos 4000 a 5000 unidades do que se produziriam a um ritmo normal, segundo a mesma fonte da fábrica da VW em Portugal. Em 2020, a empresa construiu 192 mil carros, menos 58 mil que o esperado e menos 65 mil que em 2019. Foi o pior dos últimos três anos, com a pandemia a justificar a quebra de 25% na produção.

Depois do período festivo, do Natal e Ano Novo, os trabalhadores regressaram à laboração a 4 de Janeiro. E não tinham sofrido com qualquer corte de produção, devido à falta de chips que tem afectado outras unidades do grupo germânico – e mesmo de outras marcas e fabricantes espalhadas pelo mundo. A escassez de micro-processadores usados como componentes pela indústria automóvel afecta a produção a nível global, mas de uma forma desigual, dependendo do volume e dos modelos que cada fábrica produz.

Esses chips são usados para regular diferentes sistemas a bordo, muito diversificados, desde por exemplo a regulação de bancos, os sistemas áudio e de entretenimento, entre outros. No grupo VW, a Audi já cortou dez mil unidades à produção prevista. Na fábrica da Autoeuropa, o grupo produz modelos Volkswagen como o utilitário desportivo T-Roc e o monovolume Sharan, assim como o monovolume Seat Alhambra, de outra marca pertencente à família da marca com sede em Wolfsburgo.

Fonte: Público

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