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Invasão do Congresso dos EUA por apoiantes de Trump suspende contagem de votos do Colégio Eleitoral

É a primeira vez que a cerimónia teve de ser interrompida, no primeiro ataque contra o Congresso dos EUA desde 1814, quando as forças britânicas invadiram Washington e atearam fogo a vários edifícios públicos.

Pela primeira vez na história dos Estados Unidos da América, a cerimónia de certificação dos votos do Colégio Eleitoral – um ritual cuja única função é carimbar a eleição de um novo Presidente – foi interrompida, por tempo indeterminado, por apoiantes do Presidente Donald Trump que responderam aos seus apelos para sabotarem a transição de poder no país.

A invasão do edifício do Capitólio dos EUA, em Washington, começou depois das 18h desta quarta-feira, quando os senadores e os membros da Câmara dos Representantes se tinham separado para discutirem e votarem uma contestação aos votos do estado do Arizona na candidatura de Joe Biden, na eleição presidencial de 3 de Novembro.

Como é habitual, a sessão começou com a leitura dos votos dos 50 estados, mais o distrito da capital, por ordem alfabética: Alabama e Alaska em primeiro lugar, ambos para a coluna de Donald Trump.

Os problemas começaram logo a seguir, quando um grupo de congressistas republicanos, liderados pelo senador Ted Cruz, do Texas, interrompeu a contagem para contestarem os votos do estado do Arizona, cuja eleição foi ganha por Joe Biden.

A intervenção de Ted Cruz e dos seus colegas republicanos já era esperada. Apesar de saberem que não iam atingir os seus objectivos – por não terem a maioria das duas câmaras do Congresso do seu lado –, queriam levar até ao fim as queixas infundadas de Trump sobre uma suposta fraude na eleição presidencial de Novembro, que não foi provada em mais de 60 processos nos tribunais nos últimos dois meses.

Também como é habitual, era o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, quem presidia à sessão, na sua qualidade de presidente do Senado.

Pence, que já tinha deixado claro que não ia violar a lei da contagem dos votos do Colégio Eleitoral (nem a Constituição, que não lhe atribui poder para tomar decisões de forma unilateral) e ia certificar a eleição de Joe Biden, interrompeu a sessão para que os congressistas pudessem resolver a questão dos votos do Arizona.

Se tudo corresse como se esperava, os senadores e os membros da Câmara dos Representantes teriam duas horas para discutirem e votarem a contestação do senador Ted Cruz – que, sem surpresas, seria chumbada.

Foi nesse momento que milhares de apoiantes do Presidente dos EUA, que passaram o dia na capital em resposta a um apelo de Trump para resistirem à certificação da eleição de Biden, derrubaram as barreiras da polícia e invadiram o edifício. Lá dentro, os congressistas e senadores foram obrigados a refugiar-se nos seus gabinetes, e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, foi levado pelos seguranças para um local seguro.

Ao fim da tarde em Washington (fim da noite em Portugal), ainda ninguém sabia se a sessão de contagem de votos do Colégio Eleitoral ia ser retomada nas horas seguintes, ou se seria retomada na quinta-feira.

Depois das cenas de violência que aconteceram durante o dia, havia a expectativa de se saber qual será a reacção do senador Ted Cruz e dos seus colegas mais radicais quando a cerimónia for retomada. Para além da contestação aos votos do Arizona, os apoiantes de Trump no Congresso tinham planeado contestar também os votos de outros cinco estados – Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, Nevada e Georgia, estados onde Joe Biden foi o mais votado em Novembro.

Quando houver condições para que a cerimónia seja retomada, é certo que a contagem de votos vai prosseguir até à certificação final da vitória de Joe Biden, com ou sem as interrupções do senador Ted Cruz.

Para além de o vice-presidente, Mike Pence, já ter deixado claro que se vai limitar a cumprir a lei e a Constituição, é provável que o plano de contestação de votos de Ted Cruz perca ainda mais apoio no Partido Republicano, depois do ataque ao Congresso por apoiantes de Trump.

A cerimónia de contagem e certificação dos votos do Colégio Eleitoral (que Biden venceu com 306, contra 232 de Trump) é o último passo antes da tomada de posse do Presidente eleito, Joe Biden, e da vice-presidente eleita, Kamala Harris, marcada para 20 de Janeiro.

Fonte: Público

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