Azambuja

ICNF suspende licença da Zona de Caça de Torre Bela após abate de 540 animais

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai suspender a licença da Zona de Caça de Torre Bela, na Azambuja, com efeitos imediatos, apresentando ao Ministério Público uma participação de crime contra a preservação da fauna.

“O ICNF irá proceder à suspensão imediata da licença da Zona de Caça Turística de Torre Bela (n.º 2491-ICNF), no seguimento do abate de 540 animais naquela herdade cercada. As averiguações realizadas pelo ICNF permitiram recolher fortes indícios de incumprimento por parte da entidade concessionária da zona de caça, designadamente as respeitantes ao fomento e gestão sustentável da fauna, entre outros incumprimentos”, pode ler-se num comunicado divulgado pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

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Foto: D.R

A Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA) repudiou hoje o abate de 540 animais na Herdade Torre Bela, no concelho da Azambuja, adiantando que a caçada terá ocorrido para poder ser construída uma central fotovoltaica no local.

A tutela refere que, em articulação com o ICNF, “procederá de imediato a uma participação junto do Ministério Público sobre os acontecimentos na Herdade da Torre Bela”, no distrito de Lisboa.

O PSD exigiu o “apuramento total das responsabilidades” na sequência do abate de 540 animais na Herdade Torre Bela, no concelho de Azambuja, e apontou que a “massiva eliminação” tem como objetivo instalar uma central fotovoltaica no local.

“No processo de averiguação realizado pelo ICNF, no qual está a ser coadjuvado por uma brigada da GNR/SEPNA, foram recolhidos fortes indícios de prática de crime contra a preservação da fauna durante uma montaria realizada em 17 e 18 de dezembro, na qual terão participado 16 caçadores”, adianta.

A nota lembra que o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, vai ainda convocar o Conselho Nacional da Caça para, no início do ano, se realizar uma reflexão sobre a prática de montarias em Portugal.

“É entendimento do ministério que são necessárias alterações à lei para impedir que os vis acontecimentos relatados se repitam”, acrescenta.

A tutela sublinha que “as denúncias e notícias sobre o abate indiscriminado de animais na Herdade da Torre Bela nada têm a ver com a atividade cinegética, entendida como uma prática que pode contribuir para a manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas”.

Câmara Municipal da Azambuja não tinha conhecimento da Montaria

O Município de Azambuja informa que não recebeu qualquer informação oficial relativamente à montaria ocorrida na Quinta da Torre Bela, no Concelho de Azambuja, e apenas tomou conhecimento da mesma através das redes sociais.

A Quinta da Torre Bela é uma propriedade privada onde existe uma zona de caça turística particular. A autorização para caça no local terá de ser dada pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e não pela Câmara Municipal de Azambuja.

O Município de Azambuja já avançou com uma comunicação para o ICNF e para o Ministério da Agricultura a solicitar toda a informação sobre o ocorrido, para que estas entidades verifiquem a legalidade desta ação, assim como, a quantidade de animais abatidos, e qual o destino dos mesmos.

A Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Azambuja teve conhecimento do “massacre e violento ataque à fauna e natureza” no passado dia 20 de Dezembro e não perdeu tempo a criticar o que ocorreu na herdade privada da “Torre Bela”:

“Este crime ambiental aconteceu no nosso concelho, o que nos deixa ainda mais revoltados. Aconteceu numa propriedade privada, mas tem de haver regras e não pode valer tudo. Foi uma montaria que culminou no abate massivo e indiscriminado de 540 javalis e veados. Não foi caçar, foi massacrar aqueles animais que não tinham para onde fugir, pois o abate da floresta tem sido permanente e os animais estavam confinados aos muros da propriedade.”

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