Salvaterra de MagosSaúde

Sem Alarmismo! O que se passa realmente no Agrupamento de Escolas de Salvaterra?

Alguns encarregados de educação estão preocupados com o que se passa no Agrupamento de Escolas de Salvaterra de Magos, pois acham que lhes estão a ocultar a verdade sobre os casos de docentes infectados pela Covid-19. Os professores com quem contactamos para falar do assunto, também se sentem desorientados com o que se está a passar. O ambiente é tudo menos sereno.

No dia 6 de Novembro, o director do Agrupamento de Escolas de Salvaterra de Magos, Alberto Luís Magalhães Sequeira Correia, tornou público na página da Covid-19 de Salvaterra de Magos, este comunicado a toda a população e que passamos a transcrever na íntegra:

“Como se previa, a pandemia não abrandou e a tão temida segunda vaga aí está em força e por todo o lado. A população escolar não será exceção. Não existem milagres…

Porém, e tal como sempre foi reiteradamente afirmado e constatado, as escolas fizeram, fazem e estão a fazer tudo, sendo que no seu interior os cuidados são extremos, as medidas e cautelas maximizadas, a vigilância apertada e os comportamentos quase exemplares.

Constata-se e confirma-se que nenhum contágio aconteceu dentro da nossa escola, o que nos deixa a todos muito mais confiantes e serenos, convictos de que as medidas estão a ser eficazes (a eficácia possível). Não se configura no conjunto dos casos confirmados no nosso Agrupamento nenhum surto epidémico. Todos os casos existentes estão isolados em turmas e anos de escolaridade diferentes.

Os casos que têm surgido (poucos felizmente), todos devidamente controlados, detetados atempadamente e profilaticamente intervencionados (e muito bem) nos termos médica e epidemiologicamente prescritos, sob supervisão e coordenação das entidades de saúde, decorrem de comportamentos de risco e negligentes, errados e arriscados.

Face aos casos suspeitos e confirmados da infeção por COVID-19 no nosso Agrupamento, a Direção tem mantido a reserva à privacidade dos nossos alunos, famílias, professores e funcionários que nos merecem a dedicação, acompanhamento e proteção tentando minimizar o alarme social. Há, no entanto, a garantia que todos os envolvidos, quer sejam grupos/turmas, quer sejam pessoas individuais ou envolventes, têm recebido a nossa comunicação privilegiada e atempada e o encaminhamento para a diagnose do problema.

Para a análise e comunicação da taxa de casos infetados, de isolados profiláticos ou de focos de contágio cabe à nossa Proteção Civil informar a comunidade (como muito bem tem feito).

Confiem e ajudem. Sejam parceiros ainda mais operantes.”

Mas segundo o RibatejoNews conseguiu apurar junto de alguns encarregados de educação e docentes, essa “tranquilidade e esses casos devidamente controlados” não são reais. E o senhor director do agrupamento sabe perfeitamente bem disso.

Sem querer provocar qualquer alarmismo social, pudemos apurar que antes deste comunicado surgiram alguns casos de infecção que impediram alguns docentes de comparecer na escola. Aliás, houve pelo menos uma turma que à posteriori apenas teve dois professores a leccionar.

“A situação que vivemos como encarregados de educação não é nada tranquilizante. Há muito tempo que faltam professores que ficam em casa em confinamento por causa da Covid-19 e nós somos informados pessoalmente pelos directores de turma. E muitas vezes são os nossos filhos que nos contam que estiveram na sala de aula mas apenas tiveram duas aulas!”, esclarece uma encarregada de educação ao RibatejoNews.

Ainda há poucos dias atrás, vários encarregados de educação foram confrontados com esta situação:

“A presente medida “ATIVIDADES DE OCUPAÇÃO – Bolsa de Professores”, procura dar resposta aos vários constrangimentos surgidos no atual contexto pandémico. Tem como objetivo:

– Dar suporte em sala de aula aos docentes que estão em Isolamento Profilático (IP), possibilitando a realização de aulas em videoconferência;

– Evitar sempre que possível, que os alunos circulem pelos espaços da escola na ausência do professor;

– Evitar sempre que possível, concentração de alunos nos espaços exteriores,

– Criar tempos de reflexão, com sensibilização para a importância do cumprimento das medidas implementadas no âmbito da pandemia, sua importância e respetivas consequências sanitárias.

Informação aos Encarregados de Educação
  1. Os EE deverão ser informados que ser informados que estas aulas são de frequência obrigatória e que os alunos terão falta se não estiverem presentes;
  2. A escola não assegurará todas aulas em que se verifique ausência de docentes pela inexistência de recursos;
  3. Os alunos têm que esperar para ver se há ou não aula de substituição. A funcionária do bloco irá informar a turma da existência (ou não) da aula de substituição.”

“E perante informações como esta acham que devemos de braços cruzados e sem fazer nada? Isso nunca. Recuso-me a enviar o meu filho para a escola sabendo que existem professores que estão a faltar, porque estão em casa por causa da Covid-19”, esclareceu um encarregado de educação.

“Ou seja, provavelmente não estão reunidas todas as condições indispensáveis para que nós mandemos os nossos educando em segurança para a escola”, disse uma encarregada de educação com quem mantivemos contacto.

O RibatejoNews também soube que foi criada uma página institucional no facebook com o nome do Agrupamento de Escolas de Salvaterra de Magos, onde a administradora define muito bem quais são as regras, mas quando é confrontada com algumas questões por parte dos encarregados de educação, não responde com clareza.

“Quantas vezes eu telefono para a escola e fico em linha muito tempo, porque ninguém me atende como deve ser”, esclarece um outro encarregado de educação.

Mas uma docente parece ter um solução para este problema, que a continuar tem tendência para se agravar:

– “Porque é que o director do Agrupamento de Escolas de Salvaterra de Magos e os responsáveis pela Saúde Pública do concelho não emitem um comunicado em conjunto, a descrever a realidade que estamos a vivenciar na escola face à pandemia da Covid-19. É que começa a ficar insustentável. E a preocupação dos encarregados de educação faz todo o sentido.”

Por razões óbvias, quer os encarregados de educação que contactamos quer os docentes, solicitaram o anonimato.

José Peixe – Jornalista (C.P 552A) | Editor do RibatejoNews

 

 

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close