Benavente

O poço do Calvário será mais um elemento histórico a descobrir em Benavente

A intervenção de requalificação do Largo do Calvário, envolvendo a conservação e restauro do Cruzeiro, tornou visível a estrutura de um poço empedrado, integrado na muralha.

Construído com aparelho de pedra irregular, maioritariamente em calcário, tem na sua base elementos em basalto que teriam como função manter o fundo o mais limpo possível. Mandado construir por decisão da Câmara Municipal de Benavente em 10 de junho de 1908, este poço permitiu o abastecimento de água na zona norte da vila, em relação direta com a fonte do “Badéu”.

Sobre a estrutura do poço que assenta na plataforma inferior do Calvário, foi instalado um moinho de vento de tipo Americano com os quatro pés apoiados em redor da boca, sendo ainda visível no interior parte da engrenagem do moinho. Quando, em 1954 se realizam obras no local para valorização do espaço ajardinado e da excelente varanda sobre a lezíria, o moinho já estava desativado e desinstalado, tendo sido o poço coberto com uma laje e aterrado.

O largo do Calvário

A vila de Benavente assenta num esporão natural, muito bem definido e facilmente defensável, marginal ao rio Sorraia. Neste extremo norte, define-se uma área ampla o Rossio do Vento ou Largo do Calvário e no seu limite tem o Cruzeiro, integrado num pequeno terreiro quadrado e muralhado, construído em 1644.

A muralha de contenção que suporta a norte este grande desnível com cerca de 8 metros por cerca de 80 metros de extensão, terá sido construída neste período. Inteiramente sujeita às marés e cheias do Sorraia, encontramos registo da fragilidade de uma parte do seu traçado e das sucessivas intervenções que foram realizadas.

A relevância do local é tão evidente que, em 1888, na memória descritiva de um projeto, encontramos o seguinte, (…) É o largo do Calvário, em Benavente, um ponto de vista formosíssimo, talvez o único que a villa possue. Do alto das suas muralhas, a cujos pés deslisa brandamente o Sorraia, descobrem-se, em toda a sua enorme extensão, as férteis campinas ribatejanas, e todas as povoações da margem direita do Tejo, desde Villa Franca a Santarém. Por isso o largo do Calvário constitue o passeio, o rendez-vous obrigatório não só dos benaventenses, como dos forasteiros que visitam a villa (…).

Até 1908, foram muitas as arrematações por licitação presentes a reunião de Câmara, adiadas por falta de licitantes. As obras acabam por ser realizadas por administração da Câmara com o apoio de várias personalidades locais. Em 5 de julho de 1908, lê-se o seguinte no Jornal o Benaventense, (…) Está quasi aterrado o enorme buraco que existia junto ao muro da Rata, no aprazível sítio do Calvário, nesta villa. (…) O poço vae ser empedrado até ao nível em que der, consoante for a abundancia d’água que ele oferece (…).

Hoje, ponderando as melhores condições para a conservação da estrutura, o poço continuará a manter-se integrado na muralha, permanecendo a descoberto a sua parte superior, permitindo a visitação e interpretação na perspetiva da valorização patrimonial do sítio. Em breve, o poço do Calvário será mais um elemento a descobrir na vila de Benavente.

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