ActualidadeOpiniãoPolítica

Opinião sem Censura de Paulo Ponseca: Há poucas coisas que ainda me espantam…

Vem aí uma bazuca de dinheiro europeu.... Para servir de almofada à pandemia. Não vi grandes discussões sobre o modelo de aplicação do dinheiro..... Vai para uma nova linha de comboio rápido ou vai dar vida aos movimentos peristálticos dos estômagos vazios? Vai para o hidrogénio ou vai para o lítio? Vai para um aeroporto maluco na área metropolitana ou vai para o emprego dos novos famintos?

Há poucas coisas que ainda me espantam….a política é uma delas.
As posições politicas habituais, sempre num corropio de banalidades, a discutir o sexo dos anjos, como se vivêssemos em 1970 e a utopia “Imagin”ada por Lennon fosse o fiel da balança das democracias ocidentais.
Já escrevi muito sobre isto mas é tão evidente o problema que as redundâncias se revelam essenciais.
A distinção entre esquerda e direita é hoje uma falácia histórica.
A distinção entre esquerda e direita é hoje uma falácia histórica
Imagem: D.R
O mundo mudou.
A tradicional, e saudável, disputa ideológica fermentada na Revolução Francesa deu lugar a uma nova e preocupante disputa entre democratas humanistas por um lado e radicais por outro. Com a dificuldade acrescida de que os radicais corroem as democracias humanistas, no ambiente das quais vivem, sem que estas pareçam dar conta da sua presença.
As democracias vivem da mesma maneira que viviam há trinta ou quarenta anos, como se estivessem alheadas do mundo, fechadas na campânula de uma arrogância ignorante, incapazes de se entenderem sobre aquilo que é essencial;
Ao mesmo tempo, os radicalismos afirmam-se no terreno da cidadania, com peles aromáticas de cordeiro, prometendo o Céu e a Terra na mesma pen dourada….
A mim, tanto me assusta o ódio ao “patronato” que exibem os líderes sindicais como o desprezo pelos pobres que cantam as “tias” do nosso descontentamento.
Tanto me preocupam o distanciamento da realidade com que governam os moderados do mundo ocidental como o veneno insinuante com que “informam” as comunicações sociais prostituídas às estratégias mercantis.
São ambos perigosos pelo que fazem, pelo que dizem e pelo que representam.
Ambos vivem do deserto em que as democracias se transformaram.
Deste fermento brotam cardos políticos muito perigosos, semeados por mercados ultra liberais e por deformações diabólicas que a História não soube conter.
Olhemos para os Estados Unidos da América, para Itália, para a Venezuela, para a Hungria, para a Polónia, para o Brasil e…. ficamos assustados.
Assustados porque nos lembramos dos rios de sangue, de suor e de lágrimas que o mundo já sofreu para corrigir as deformações da existência Humana.
Assustados porque sabemos que esteve aí o Hitler e o Estaline mas que foram vencidos por grandes políticos da Humanidade.
– Onde estás Winston Churchil ?
– Onde estás Roosevelt ?
– Onde estão Olof Palm, Willy Brandt, Soares, Mandela, Mujica, Jacques Delors ?
Onde estão os filhos daqueles a quem devemos a Paz e a democracia ?
– Eu respondo.
– Estão incógnitos a viver bem porque o mundo escorraça e penaliza todos os espíritos libertários.
– Então quem está a segurar os pilares das democracias ?
– Eu respondo.
– Estão aqueles que leram todos os compêndios de Maquiavel mas não sabem quanto custa ser cidadão …. e que teatralizam combates pseudo ideológicos no palco da caverna em que vivem.
– Onde estão os filhos de Hitler, de Estaline, de Mussolini, dos Coronéis de vera cruz, de Pinochet….onde estão os filhos do diabo ?
– Eu respondo.
– Estão por aí. Mais activos que nunca. Gerindo mercados, minando partidos e países, criando necessidades, humilhando cidadãos, projectando novas regras, montando o puzzle de um novo poder à escala mundial…. assustando aqueles que estão atentos ao definhamento do sonho….
– Mas não se pode fazer nada pelo Bem ?
– Eu respondo.
– Pode. Pode informar-se melhor, com verdade….
Para que a consciência dos cidadãos deixe de ser deturpada pelas estratégias e possa experimentar um novo impulso de bons valores….
Para que a liberdade volte a ser um exercício de responsabilidade e uma inspiração de esperança….
Para que cada governo parta a redoma do seu alheamento….
Para que a justiça seja inquestionável….
Para que a vida apeteça e volte a perfumar o jardim dos Homens…..
Um pequeno exemplo…..
Vem aí uma bazuca de dinheiro europeu…. Para servir de almofada à pandemia.
Não vi grandes discussões sobre o modelo de aplicação do dinheiro….. Vai para uma nova linha de comboio rápido ou vai dar vida aos movimentos peristálticos dos estômagos vazios? Vai para o hidrogénio ou vai para o lítio? Vai para um aeroporto maluco na área metropolitana ou vai para o emprego dos novos famintos?
A “Bazuca” de fundos europeus como é que vai ser utilizada? Esta é a grande questão que se levanta
Foto: D.R
Ao contrário…. vi grandes discussões sobre a redução da burocracia na contratação pública. Com afirmações eloquentes sobre a estratégia da corrupção…..
Antes de chegar o primeiro cêntimo já muitos estão acusados de o terem roubado…. e quase todos estão a usufruir o orgasmo da acusação gratuita….
Ao contrário, quase ninguém percebe que a burocracia é a maior causa da corrupção, da desigualdade e da injustiça.
Ontem ouvi o Daniel Oliveira a trazer esta realidade à tona, nestes termos. Tal como eu escrevia há 5 anos…..
Fiquei tão contente que bebi um copo de tinto para festejar…. O meu grupo ganhou mais um elemento…
Paulo Fonseca | Cidadão
Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close