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Opinião de Catarina Vaz: Cidadania, Civismo e Bom senso…

E o que dizer dos alunos que, já tendo idade para ter juízo, ficam nas entradas/portarias da escola sem máscara e em grandes grupos?! Esta pandemia trouxe uma única certeza: o mundo mudou e com eles nós também tivemos de mudar! Aqueles que ainda não fizeram ou que teimam em não acompanhar essa mudança irão fazê-la por força das circunstâncias!

Em meu nome: Cidadania, civismo e bom senso…

Parece que anda tudo maluco (desculpem lá o desabafo)!

Os mesmos pais/encarregados de educação que se manifestam contra a existência de uma área curricular não disciplinar como é o caso da Cidadania e Desenvolvimento(vulgo Formação Cívica), por entenderem que a escola está (no seu ponto de vista…) a querer impor ideologias de género e ideologias políticas, são os mesmos que dão os tristes exemplos de falta de civismo (falta de respeito para com o próximo, falta de valores, falta de…, falta de…) quando continuam, após o primeiro dia de aulas, de um ano letivo que tem tudo para ser muito atípico e ainda mais para correr mal, a aglomerar-se ás portas das escolas, entupindo as entradas, para irem entregar os seus educandos?! Alguns põem-se à conversa em grandes grupos a falar da vida dos outros e nem máscara de proteção têm?! Desculpem lá outra vez: mas está tudo louco!!!!

E o que dizer dos alunos que, já tendo idade para ter juízo, ficam nas entradas/portarias da escola sem máscara e em grandes grupos?!

Entrada no agrupamento de escolas de Marinhais demonstra bem que se vive na maioria das escolas em Portugal
Foto: José Peixe/D.R

Sempre ouvi dizer que “a minha liberdade termina onde começa a do outro”. Respeitar as opções dos outros é um exercício de cidadania. Respeitar as regras que são impostas por entidades superiores é uma questão de bom senso e, no caso específico, uma questão de saúde e de proteção nossa e dos outros.

Perguntam-me se respeito as normas? Tento no meu máximo respeitar sim (também me esqueço de colocar a máscara de vez em quando; também fico com marcas no rosto; também me doem as orelhas ao final de um dia de trabalho com a máscara posta; também me custa a respirar em alguns momentos do dia; também acho que há normas que são exageradas; também refilo contra o “açaime” que me sinto na obrigação moral de usar).

Custa-me ainda mais não poder abraçar os meus amigos e familiares ou não os cumprimentar com um beijo ou não poder tocar nas pessoas que me são próximas. E às vezes também quebro esta regra.

Todos sabemos que a 2ª vaga já aí está ou, sendo otimista, irá chegar em breve.

Será, segundo os especialistas, mais forte. Ninguém sabe o que vem por aí e por isso é que custa, mesmo no melhor dos cenários, ver quem descure a sua segurança (não cumprindo qualquer norma) e ponha a dos outros em risco.

Como professora todos os dias receio que haja alguém na minha escola que esteja contaminado e que nos impeça de continuarmos nesta “normalidade anormal” (bem sei que seremos os últimos a ser recambiados para casa em situação de surto!!!). Eu, pessoalmente, quero continuar a trabalhar no meu espaço físico da sala de aula e farei tudo o que estiver ao meu alcance para aí continuar. Por isso, assusta-me todos os dias verificar que existem pessoas
na comunidade escolar que levam isto como se fosse uma brincadeira ou que estejam em negação sobre a existência desta pandemia e dos seus perigos.

Há também as teorias da conspiração que dizem que a pandemia não existe e o que o vírus é uma invenção…

Apesar de desde o dia 15 de setembro existirem regras mais apertadas e medidas excecionais por causa do Covid-19, o que vejo no meu dia-a-dia em vários espaços públicos não está, uma grande maioria das vezes, em acordo com a regras estabelecidas. Há pessoas que usam a máscara, mas a mesma está “tão bem” colocada que nada protege! Os grupos nos vários espaços são muito maiores do que é permitido! E poderia dar outros milhentos exemplos…

E isto só me faz lembrar que realmente é cada vez mais necessária a existência de uma disciplina para ensinar Cidadania (e o programa da disciplina foca muito mais do que aquilo que as pessoas comuns pensam e que tem sido veiculado pelos media: engloba os valores como a liberdade de expressão, respeito pelo outro, democracia ou temas como a educação ambiental, segurança rodoviária, literacia financeira e empreendorismo, entre outros).

Disciplina que deveria ser estendida aos adultos (talvez a ideia de uma “Escola de Pais” não seja errada e até, talvez, possa ser posta em prática por qualquer Associação de Pais…).

Ouvi muito, no início desta pandemia, que as pessoas iam mudar para melhor e que o que teríamos de positivo no final dela seria que as pessoas estariam muito mais solidárias e com um espírito mais humanista… enfim, sairíamos mais fortalecidos e melhores pessoas. Não é isso que vejo na maioria dos casos… quem já era solidário e boa pessoa continuou a sê-lo. Os outros, como demonstram os vários casos de falta de civismo, continuam cada vez mais
egoístas e a pensar só no seu umbigo. É muito difícil mudar mentalidades, principalmente, de quem pensa que o seu ponto de vista é que é o certo!

Apesar desta dificuldade de mudar a mentalidade de “o deixa andar” ou “só acontece aos outros”, tão típica do povo português, há uma coisa que se chama bom senso. Esse mesmo bom senso exige que tenhamos cuidado em proteger os outros (se não nos quisermos proteger a nós…) e que cumpramos com o estipulado. Em tempos em que a nossa liberdade está cada vez mais limitada, “não façamos aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem”: restringir a liberdade dos outros de escolherem não fazer parte dos números de casos infetados pelo Covid-19!

Esta pandemia trouxe uma única certeza: o mundo mudou e com eles nós também tivemos de mudar! Aqueles que ainda não fizeram ou que teimam em não acompanhar essa mudança irão fazê-la por força das circunstâncias!

Catarina Vaz – Professora

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