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Opinião de António Manuel Ribeiro: Continuar a aprender

Os tempos estão complicados, exigem a nossa atenção. Por isso, aquela patética frase ‘vamos ficar todos bem’ carece de sentido. Quando a vejo nas janelas de um lar em que os nossos velhos foram morrendo, fico revoltado. As crianças e os mais novos, os distraídos, precisam de orientação sem frases de banda desenhada.

Se me virem assim na rua não fujam, vou disfarçado mas nunca amordaçado. Tive a minha quota-parte lá atrás. Recuso, por isso, a liberdade empacotada no papel de embrulho de uma ideologia. A liberdade é uma necessidade humana que exige responsabilidade – este planeta é a casa de todos.
“Se me virem assim na rua não fujam, vou disfarçado mas nunca amordaçado”
Foto: UHF/D.R
Também rejeito a palavra ditadura, acrescentem-lhe o atributo ou acessório que quiserem: a ditadura não faz parte do meu livro de vida. Como rejeito o conceito da ‘verdadeira religião’. Se houvesse uma e emanasse da entidade que interpretamos como Deus, não haveria outras em guerra há milhares de anos.
Aproxima-se o fim destas crónicas dedicadas à estranheza que um vírus inculcou nos nossos dias. Haverá mais escrita, para mim o FB serve para comunicar falando/escrevendo, mas os textos (talvez 40, talvez um pouco mais) vão passar para o tal prometido livro que levará anexo a gravação do último Momento Musical Caseiro dos UHF a emitir no próximo dia 26/09 – será o nosso e o vosso documento deste tempo.
Os tempos estão complicados, exigem a nossa atenção. Por isso, aquela patética frase ‘vamos ficar todos bem’ carece de sentido. Quando a vejo nas janelas de um lar em que os nossos velhos foram morrendo, fico revoltado. As crianças e os mais novos, os distraídos, precisam de orientação sem frases de banda desenhada.
Precisamos de encarar a realidade, seguir as regras, ter responsabilidade. Dizem que a 2.ª vaga começou; dizem que o vírus foi manipulado; lêem-se novas teorias da conspiração; líderes evangélicos apelam à estupidez da sua cegueira; os políticos esperam milagres da ciência médica. Há gente em tripés políticos – Bolsonaro, Trump, mas não só – que afirmam disparates e no minuto seguinte negam o que disseram ou moldam as palavras. Esqueçam.
António Manuel Ribeiro com saudades de regressar aos palcos. Ele e todos os músicos
Foto: L.C/D.R
Este vírus, como outros, acabará por ser assimilado – não se aspiram vírus do planeta. Aprendemos a viver com eles. Reforcem as defesas imunitárias, limpem a cabeça das sombras das notícias. Durante muito tempo o nosso cérebro, um computador com processos algorítmicos, vai precisar de ouvir Covid – chama-se hábito, como a droga, um aditivo.
Devemos seguir as determinações das autoridades sanitárias do país, ou entramos num carrossel de ilusões. O medo não nos serve de nada, o medo acumulado gera desorientação e pânico – não me faz falta, mesmo que junte adrenalina à situação. Por isso, sempre detestei filmes de terror.
Cuidem-se. Esta página estará sempre aberta para falar convosco, até que o próximo palco nos una.
António Manuel Ribeiro – Músico e Compositor | UHF
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