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André Ventura considerou Ana Gomes como “candidata cigana”

O líder do "Chega" disse que a ex-eurodeputada e militante socialista Ana Gomes é a "candidata cigana”, “histérica e obcecada” com os seus inimigos. “Não chegará à segunda volta” das eleições, vaticina. Pastoral dos Ciganos considera declarações de Ventura “hipócritas” e “ilegais”.

André Ventura, líder do “Chega” ameaçou demitir-se caso a socialista Ana Gomes consiga obter mais votos do que ele nas próximas eleições presidenciais.

O reeleito presidente do Chega e anunciado candidato presidencial, André Ventura, definiu a ex-diplomata Ana Gomes como “a candidata cigana”, após esta se ter apresentado como concorrente às eleições para a Presidência da República de Janeiro de 2021.

“Numa certa metáfora, Ana Gomes é a candidata cigana destas presidenciais. Eu sou o português comum”, disse Ventura, em declarações à agência Lusa. Para Ventura, a ex-eurodeputada socialista “não chegará à segunda volta” das eleições para chefe de Estado.

“Disputarei a segunda volta com Marcelo Rebelo de Sousa [actual Presidente e que só anunciará uma decisão sobre uma eventual recandidatura em Novembro] e será a segunda volta mais espectacular da nossa história democrática”, previu.

“Só os mais ingénuos acreditavam na reflexão e nos períodos de meditação prolongada. Ainda bem que Ana Gomes avança. É a representante fiel das minorias que não trabalham e dos coitadinhos que clamam o racismo dos portugueses. É o absoluto contrário da minha candidatura, que reúne os portugueses comuns”, defendeu o líder do Chega.

“Ana Gomes candidata-se contra António Costa e contra mim. Eu candidato-me contra o sistema que destrói a vida aos portugueses”, concluiu André Ventura.

Em recente entrevista ao jornal semanário Expresso, o primeiro-ministro considerou que se Marcelo Rebelo de Sousa não se recandidatasse “havia um problema grave no conjunto do país”. Costa adiantou ainda que, por exercer as funções de chefe do Governo, adoptará uma atitude de “recato” nas próximas eleições presidenciais.

Entretanto, no PS, a candidatura de Ana Gomes recebeu já o apoio do antigo líder parlamentar e ex-eurodeputado Francisco Assis e do líder da tendência minoritária na comissão política socialista, Daniel Adrião.

André Ventura, que foi reeleito no sábado presidente da direcção nacional do Chega, como candidato único, com 99,1% dos votos, anunciou que vai começar “uma nova fase” do partido, o qual vaticina ir tornar-se a terceira força política portuguesa nas próximas eleições legislativas (2023, se a actual legislatura for cumprida).

Pastoral dos Ciganos critica “discurso de ódio”

O director executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, Francisco Monteiro, considera que as declarações do líder do Chega sobre os ciganos são hipócritas e ilegais, e que o Estado deve atuar contra o “discurso de ódio”.

“Isto é uma coisa desonesta, é uma coisa suja, reprovável e além do mais ilegal”, disse Francisco Monteiro, reagindo às palavras de André Ventura sobre a candidatura presidencial de Ana Gomes.

“É uma afirmação hipócrita e injusta, porque tudo isto só serve para caçar votos da extrema direita. O objetivo do Chega é caçar votos de qualquer maneira: achincalhando, sendo racista, usando o discurso contra os ciganos que ele usa já há muitos anos, desde o tempo em que estava no PSD”, acrescentou o responsável pela Pastoral dos Ciganos.

Para Francisco Monteiro, é “muito importante” que o Estado, “e não apenas o governo”, venha a actuar de forma rápida contra este discurso racista e anticigano.

“Se a Justiça neste país funcionasse como deve ser, com as leis da União Europeia e as nossas sobre o racismo e o discurso de ódio, o responsável do Chega já devia estar com um processo em cima”, disse ainda o responsável, sublinhando que os ciganos sofrem “infelizmente” todos os dias com este tipo de discurso.

Também a presidente da Associação Letras Nómadas, Olga Mariano, já lamentou as palavras de Ventura. “Ele encontrou nos ciganos uma carta para jogar, mas está errado. Eu, como pessoa, penso que ele devia ser destituído de deputado, mas nós, na verdade, temos de agir com cidadania, porque o que ele quer é parecer uma vítima”, disse à Agência Lusa.

Fontes: Jornal Público e Agência Lusa

 

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