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Ciência: Dois cientistas portugueses na vanguarda da investigação europeia

Porque comemos o que comemos e como se move um grupo de células? Dois cientistas portugueses procuram respostas e foram selecionados entre os mais promissores da Europa

O psiquiatra e neurocientista Albino Oliveira-Maia e o investigador Elias H. Barriga vão receber bolsas Starting Grants do Conselho Europeu de Investigação, no valor global de 3,3 milhões de euros.

O Conselho Europeu de Investigação, entidade que gere os programas da União Europeia de incentivo à ciência, incluindo bolsas de investigação, e que seleciona cientistas promissores no início de carreira que tenham “excelentes trabalhos no currículo e propostas de investigação excecionais”, divulgou a lista dos vencedores das Starting Grants de 2020.

Entre os selecionados está Albino Oliveira-Maia, psiquiatra e neurocientista do Centro Champalimaud, que recebe 1,5 milhões de euros para a sua investigação. Oliveira-Maia torna-se, assim, “o primeiro médico a exercer em Portugal a ser reconhecido com esta prestigiante bolsa de financiamento”.

Também Elias H. Barriga, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência, foi escolhido e vai receber 1,8 milhões de euros para o seu estudo.

Hambúrguer ou salada – porque é que escolhemos comer certos alimentos?

Albino Oliveira-Maia, diretor da Unidade de Neuropsiquiatria do Centro Champalimaud, recebe uma Starting Grant do ERC (do inglês European Research Council) para continuar a sua “exploração inovadora” sobre a comunicação entre os sistemas digestivo e nervoso.

Recentemente, Oliveira-Maia e a sua equipa revelaram um mecanismo de aprendizagem originado pelos sistemas digestivo e nervoso que leva os animais, neste caso ratinhos, a procurar ativamente certos alimentos.

Este novo projeto chama-se CalorieRL e Oliveira-Maia, com a sua equipa, vai investigar a escolha alimentar em humanos e tentar responder a perguntas como: se o nosso intestino é capaz de dizer ao cérebro qual é o alimento mais nutritivo, por que razão muitas vezes não o ouvimos?

O financiamento traz a oportunidade de analisar, em humanos, o comportamento e atividade cerebral em simultâneo – isto “com recurso à mais moderna tecnologia”. Oliveira-Maia explica que realizar “algumas destas experiências em humanos é dispendioso”, mas espera que o seu trabalho possa “contribuir de forma significativa para resolver problemas relevantes para a saúde humana e a medicina.”

O objetivo deste novo projeto é, assim, perceber o como e o porquê de escolhermos ingerir certos alimentos, “o que pode contribuir de alguma forma para a contínua batalha contra a obesidade”.

Acompanhar as “viagens” das células para estudar o cancro – e não só

Elias H. Barriga é o investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência e lidera o grupo de investigação de Mecanismos da Morfogénese, centrado no estudo da migração celular coletiva direcionada, ou seja, o “movimento coordenado de um grupo de células durante a sua viagem nos tecidos, guiado por sinais externos”.

O investigador estuda esta função migratória, “essencial para um grande número de processos que vão desde o desenvolvimento embrionário, à reparação de tecidos ou à metastização do cancro”. No entanto, apesar de importantes, “os mecanismos que guiam a migração celular coletiva direcionada no seu ambiente nativo são ainda pouco conhecidos”. Mas isso pode mudar.

Com a atribuição da ERC Starting Grant, Elias e a sua equipa querem perceber melhor como é que “as células migram nos ambientes complexos dos nossos corpos”. Nestes ambientes, “as células precisam de sentir e responder a múltiplos sinais de natureza bioquímica e biofísica, mas o efeito recíproco entre estes sinais está ainda pouco caracterizado”.

“É de particular relevância para a nossa investigação o mecanismo através do qual estes sinais bioquímicos e biofísicos são integrados para garantir uma migração celular coletiva direcionada que seja coerente”, explica Elias Barriga. Com a ERC StG, o grupo espera “trazer perspetivas únicas para as mais diversas disciplinas, especialmente para o desenvolvimento embrionário e o estudo de malformações congénitas, assim como para o estudo do cancro e da regeneração”.

Fonte: MadreMedia

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