Ciência

Irmãs que viveram a pandemia de 1918 sobrevivem agora ao coronavírus

As irmãs Anna Del Priore, de 107 anos, e Helen Guzzone, de 104 anos, já estiveram infectadas com o novo coronavírus e conseguiram recuperar.

Logo no início de uma longa e próspera vida, Anna Del Priore contraiu a gripe pneumónica de 1918, quando tinha seis anos. Acabou por sobreviver, cresceu, casou e teve dois filhos. Quando uma outra pandemia começou este ano, ela tinha 107 anos e era particularmente susceptível.

A viver nas residências para idosos Brighton Gardens, em Middletown, em New Jersey (nos Estados Unidos), onde recebe assistência, Anna Del Priore teve um teste positivo para o novo coronavírus em Maio. Contudo, apesar de ter tido febre, tosse e ter precisado de algum oxigénio suplementar, ela nunca precisou de um ventilador nem nunca foi ao hospital nas seis semanas em que esteve infectada. “Deus fez-me superar isto”, disse a sorrir Anna Del Priore, numa videochamada na semana passada.

A cerca de 100 quilómetros de distância e com alguns meses de diferença, a sua irmã mais nova, Helen Guzzone, de 104 anos, escapou à mesma preocupante batalha. Contraiu o coronavírus em Março no seu lar para idosos em Queens, em Nova Iorque, e mostrou a mesma resiliência. Conseguiu ficar fora de perigo durante duas semanas. Agora, as duas irmãs irão celebrar os seus aniversários no mesmo dia, 5 de Setembro.

“Inacreditável”, diz Darlene Jasmine, neta de Anna Del Priore, que conta que ligou para as Brighton Gardens quase todos os dias durante o período de seis semanas em que a sua avó esteve infectada.

Quando a sua mãe estava a lutar contra a covid-19 (a doença causada pelo novo coronavírus), Nick Guzzone, filho de Helen Guzzone, teve dificuldade em dormir. “Espero que ela o consiga vencer”, lembra-se de ter reflectido. Mas, ao mesmo tempo, também pensou: “Não sei como o vai conseguir fazer.” Quando recebeu a notícia de que estava infectada, a cidade de Nova Iorque era o epicentro global da pandemia. Ele preparou-se para o pior, e até se questionou se deveria ligar para uma agência funerária local.

A força destas irmãs desafia as probabilidades sombrias desta pandemia, mas essa força está com elas há décadas. Cresceram num bairro de Park Slope, em Brooklyn, com pais surdos e mudos. Depois de ter casado, Anna Del Priore era conhecida por todos os dias percorrer a cidade para comprar comida para as suas refeições caseiras em três ou quatro lojas. Já Nick Guzzone conta que a sua mãe fazia exercício de levantamentos de pernas aos 90 anos, mesmo no lar onde estava. Também adianta que ela sempre evitou beber álcool, fumar e até comer lacticínios.

Mesmo com 107 anos, Anna Del Priore diz que o seu passatempo preferido é dançar tango, algo que continuou a fazer até a pandemia fechar os moradores da residência nos seus quartos em Março. Até aos 100 anos, ela andava mais de um quilómetro todas as manhãs para ir ao café com as suas amigas num McDonald’s. Quando a sua filha morreu, ela esteve com a sua neta Darlene Jasmine durante um curto período de tempo e mudou-se depois para as Brighton Gardens.

“É maravilhoso ver e cuidar de alguém que viveu uma vida longa e próspera a vencer este vírus”, diz Laura Halle, cuidadora de Anna Del Priore. “Ela é sempre tão positiva… E está sempre a sorrir.”

Esta difícil Primavera faz com o aniversário destas irmãs tenha um significado especial este ano. Contudo, o risco da pandemia torna as celebrações perigosas. Na última semana, Darlene Jasmine visitou a sua avó no exterior pela primeira vez desde Março. Nick Guzzone só vê a sua mãe em videochamadas. Ainda falam com angústia dos meses que estiveram isolados sem ver Anna Del Priore e Helen Guzzone, preocupados que pudessem morrer sem ter a família a seu lado. Ambos esperam reencontrar-se com elas e estar todos juntos em breve.

Fonte: Público

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