Salvaterra de Magos

REPORTAGEM: Crime Ambiental nos terrenos da RARET

Afinal de contas o que se está a passar nas antigas instalações do Centro Emissor de Rádio de Retransmissão - RARET, em Glória do Ribatejo, não é apenas o restauro de alguns edifícios que vão servir para filmar 10 episódios de ficção dedicada à espionagem e à Guerra Fria. Por trás de tudo isso, está um crime ambiental e outras violações às leis ambientais (e não só!) que importa ser investigado pelas autoridades competentes, nomeadamente pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Esta noite, pelas 21 horas, o presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, vai inaugurar com pompa e circunstância as novas instalações do  “Espaço Jackson”, uma obra faraónica que ultrapassou um milhão de euros.

O que tem o presidente Hélder Esménio a dizer sobre o vídeo que comprova um delito ambiental grave?
Foto: J.P/D.R

O autarca apaixonado por novelas, séries de ficção e as redes sociais vai distribuir as chaves às associações culturais e desportivas.

A requalificação deste espaço que anteriormente pertenceu aos americanos, incluiu uma parceria com a Junta de Freguesia de Glória do Ribatejo, no melhoramento do parque infantil e do Largo 1.º de Maio (Largo do Poço da Roda).

Quem são os responsáveis pelo aterro ilegal construído na RARET? 

Quando se tem uma apetência pela investigação jornalística, por muitas ameaças que nos façam, isso aguça ainda mais a vontade de querer desvendar o que está por detrás de tantos mistérios.

No caso concreto da RARET, onde fomos ameaçados por vigilantes armados, conseguimos perceber através do vídeo que anexamos que todo o entulho proveniente das obras de requalificação dos edifícios da RARET estão a ser enterrados num enorme buraco (uma autêntica cratera!) que foi aberto pelo genro de António João Antunes Pote, que é o responsável pela propriedade.

Confrontado com um email que incluía apenas e só duas questões sobre as ilicitudes ambientais que estavam a ter lugar nos terrenos da RARET, o presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos ficou mudo até agora. Ou seja, demonstrou uma vez mais que tem conhecimento do que está a ser feito.

E a verdade é na sexta feira passada, logo a seguir ao almoço, avistamos a entrada de António João Antunes Pote, numa viatura da Câmara Municipal e acompanhado por um funcionário da autarquia. Tudo isto, depois de Hélder Esménio ter sido confrontado com o email.

Mas também tivemos o especial cuidado de questionar o Eng.º Frederico de Brion, gestor dos fundos da sociedade “SummerGlory, S.A”, empresa proprietária da RARET, que também optou por não responder às nossas perguntas. O que não poderá dizer posteriormente é que não foi avisado do que se estava a passar na propriedade.

O que está em causa na RARET é demasiado grave para ficar silenciado. “Se fosse um privado a abrir uma vala destas dimensões para enterrar entulho, plástico, madeira, plástico, etc… teria que pagar uma coima elevada. Como é dentro de uma propriedade privada, o SEPNA e a APA vão ter que investigar e punir os responsáveis por este crime ambiental”, disse ao “RibatejoNews” um antigo funcionário da RARET e que nos solicitou o anonimato.

“Mas estas actuações camufladas e que violam as regras básicas ambientais não se vão ficar por aqui. É preciso alertar as autoridades para fazerem o cadastro dos sobreiros e pinheiros mansos que existem na propriedade, pois segundo pude apurar, um empresário criador de gado e que goza de algum prestígio a nível de exportação de carne bovina, vai tentar livrar-se dessas árvores autóctones para avançar com alguns pivôs de rega, o que não é permitido por lei”, esclareceu a nossa fonte que solicitou o anonimato.

Este é o vídeo que comprova o crime ambiental levado a cabo nos terrenos da RARET.

José Peixe – Jornalista C.P 552A | Editor do “RibatejoNews”

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Comentários

  1. Realmente a Raret não fez nada bem há população da Glória do Ribatejo. Não é muito normal o número de pessoas com cancro na Glória, quase 90% das mortes são cancro. Eu próprio estou a lutar contra um cancro maligno que me vai deixar mazelas para o resto da vida. Será que não seria uma boa ideia tentar perceber o porquê deste número tão elevado? É que tal chamar há responsabilidade quem deu autorização para que isto fosse feito junto à uma localidade? É só uma ideia.
    Grande abraço Peixe. Continua a divulgar estar coisas.

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