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Estudo serológico de Almeirim revela que 3,8% da população já esteve em contacto com o vírus

A Câmara Municipal de Almeirim em colaboração com o Agrupamento dos Centros de Saúde da Lezíria e o Instituto Gulbenkian de Ciência realizou um estudo serológico sobre a covid-19.

Os resultados do estudo serológico de Almeirim, realizado entre 23 de Maio e 4 de Julho com uma amostra aleatória populacional do concelho e profissionais de saúde, foram divulgados esta sexta-feira. O trabalho, uma iniciativa da Câmara Municipal de Almeirim em colaboração com o Agrupamento dos Centros de Saúde da Lezíria e o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), revelou que 3,88% das pessoas testadas já tinham tido contacto com o vírus apresentando anticorpos para o SARS-CoV-2. A maioria destas pessoas terá apenas manifestado sintomas ligeiros da covid-19.

No total foram testadas 553 pessoas: 270 pessoas (1,16% da população) faziam parte de uma amostra aleatória da população, que pertence a 121 alojamentos (0,99% dos alojamentos listados no município de Almeirim), 200 pessoas eram profissionais de saúde a trabalhar nas equipas dedicadas à covid-19 e foram ainda incluídas 83 pessoas que se sabia estarem infectadas ou que tinham tido contacto próximo com casos confirmados.

No comunicado divulgado pelo IGC, o presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Pedro Ribeiro, sublinha a importância deste tipo de investigação epidemiológica. “Só podemos actuar estrategicamente se conhecermos a realidade da nossa população. A colaboração entre as diferentes estruturas é fundamental na resposta táctica e preventiva para minimizar os efeitos da actual pandemia”, refere o autarca.

Da amostra de profissionais de saúde testada neste estudo, apenas 1% apresentou anticorpos para o vírus SARS-CoV-2. “Os testes realizados à amostra de população revelaram que a sero-prevalência de anticorpos contra o vírus da covid-19 na população de Almeirim é de 3,88%. A maioria dos indivíduos positivos no teste serológico não estava ciente de sintomatologia que configurasse suspeição de doença. Ou seja, o estudo revelou um número apreciável de casos de infecção assintomática que de outro modo não seriam detectados”, lê-se no comunicado do IGC.

De acordo com o mesmo documento, o estudo revelou também que um terço dos indivíduos que se encontrava em vigilância activa possuía anticorpos para o vírus, “sem que tivesse sido previamente detectada infecção viral”. Para Carlos Penha Gonçalves, investigador principal do IGC envolvido na realização do estudo “é crucial perceber como o vírus se transmite silenciosamente e como circula sem dar sinais da sua presença, infectando alguns mais que outros. Para isso temos de recorrer as ferramentas mais poderosas que conhecemos: estudos serológicos utilizados de forma estratégica e em alvos representativos da população”.

Os testes serológicos utilizados neste estudo foram desenvolvidos pelo consórcio liderado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, serology4Covid que reuniu mais quatro institutos biomédicos portugueses da área de Oeiras e Lisboa (Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e o Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova de Lisboa) e que contou com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Oeiras, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Sociedade Francisco Manuel dos Santos.

Um dos primeiros estudos serológicos realizados em Portugal decorreu em Maio deste ano e também incidiu numa região fora dos grandes centros urbanos. Os testes serológicos efectuados num estudo conjunto da Fundação Champalimaud e do Algarve Biomedical Center em Loulé mostram que a taxa de infecção pelo novo coronavírus é 14 vezes superior à calculada através dos testes de diagnóstico. Nessa altura, os investigadores testaram 1235 pessoas do concelho de Loulé, com profissões que exigem exposição, apesar das medidas de confinamento: das forças de segurança a bombeiros, membros da protecção civil, profissionais de saúde, trabalhadores do mercado municipal, entre outros.

Fonte: Público

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