Ribatejo

Autoridades prenderam três pessoas suspeitas de tráfico humano. E o resto?

Ontem, a notícia "bombástica" no Ribatejo e no país foi a detenção de três indivíduos suspeitos de traficar pessoas para os trabalhos rurais nos campos de Almeirim e Alpiarça. E quando é que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) decide prender todos os traficantes de escravos que existem em toda a província do Ribatejo, no Alentejo, Algarve e muitas outra regiões. 

Na quarta feira três pessoas foram detidas e cerca de 150 foram sinalizadas numa operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) contra o tráfico humano existente nos concelhos de Almeirim e Alpiarça. Mas e nos outros concelhos do Ribatejo? Esta situação anómala e desumana há muito que devia merecer uma atenção especial das autoridades.

O anterior ministro da Agricultura, Capoulas dos Santos, questionado pelos jornalistas sobre esta matéria chegou a dizer que “a escravatura e o tráfico de trabalhadores rurais merecia uma atenção dos governantes dos países mediterrânicos”.

Ou seja, Capoulas dos Santos tinha consciência do tráfico humano que existia nos campos agrícolas do Ribatejo, Algarve e Alentejo.

Perante uma situação que vai marcar os telejornais nos próximos dias, o “RibatejoNews” procurou ouvir algumas pessoas que trabalham nos Campos da Lezíria Ribatejana. E pelos vistos, há muitos anos que este tráfico existe na região e é do conhecimento da maioria dos autarcas e do próprio SEF.

“Não percebo qual é o espanto de ontem ter prendido três pessoas envolvidas no tráfico de trabalhadores rurais provenientes de vários países da Oceânia. Há muitos anos que existe essa escravatura e esse tráfico. E não se pense que é só em Almeirim e Alpiarça que existem escravos da Índia, Bangladesh, Paquistão e do Brasil. Vão a Coruche, Cartaxo, Salvaterra de Magos, Benavente, Azambuja, Golegã e Chamusca e vão ver o que encontram por lá. É uma vergonha!”, afirmou à nossa reportagem João Cordeiro Sousa, um trabalhador rural que sente uma revolta contra esta exploração desumana.

“Se a maioria das pessoas soubessem como é que esses jovens são enganados e em que condições vivem, havia uma revolta. E esta rede de traficantes de pessoas está tão bem organizada que alguns portugueses e outros intermediários estrangeiros têm vindo a enriquecer brutalmente. Está na altura de as autoridades prenderem estes ‘bandidos’ que se passeiam em carros luxuosos e vão comprando cada vez mais propriedades agrícolas. Existem animais que vivem com mais dignidade do que estes jovens escravos!”, exclamou João Cordeiro Sousa.

Já Amílcar Rodrigues tem uma mensagem directa para a actual ministra da Agricultura e o SEF. “Faz de conta que só ontem é que descobriram este problema. Toda a gente quem sabe quem são os novos patrões que têm feito fortuna à custa destes jovens escravos que trabalham do nascer ao pôr do sol e vivem em condições desumanas. Há muitos anos que esta situação existe. E os governantes sabem disso e as autoridades policiais e do SEF também.”

“Sinto-me tão feliz por saber que finalmente as autoridades decidiram actuar e pôr um ponto final nesta situação que nos envergonha a todos nós. Estes jovens devem receber os salários a que têm direito e viver em lugares que sejam dignos. E só espero que tudo isto não passe de uma operação de charme e para mostrar serviço nos telejornais. Este problema deve ser resolvido aqui e em todo o país onde sejam detectados escravos!”, afirmou Amílcar Rodrigues.

José Peixe – Jornalista | Editor do “RibatejoNews”

  

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