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Macron promove dança de cadeiras no Governo para apagar fogos e relançar o mandato

Depois da escolha de Castex para primeiro-ministro de França, foram anunciados novos ministros do Interior, do Trabalho e do Ambiente. Relançamento da economia e das aspirações eleitorais para 2022 são prioridades do Presidente.

Não foi propriamente uma revolução, mas também não se pode falar em continuidade política. A remodelação do Governo francês foi revelada esta segunda-feira e inclui mudanças nas pastas do Interior, do Ambiente, do Trabalho e da Justiça e mantém intocados os ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Economia e da Saúde. Com Jean Castex como primeiro-ministro, o executivo tem como missão relançar a economia francesa, fortemente abalroada pelos efeitos da pandemia, ao mesmo tempo que procura dar um novo ímpeto ao que resta do mandato do Presidente Emmanuel Macron, em aparente decadência.

Bruno Le Maire (Economia e Finanças), Jean-Yves Le Drian (Negócios Estrangeiros) Olivier Véran (Saúde), Florence Parly (Defesa) e Jean-Michel Blanquer (Educação) mantêm os postos-chaves da presidência de Macron.

Mas há um cargo do núcleo duro do Governo que muda de mãos: Christophe Castaner foi dispensado do Interior, para o qual foi promovido Gérald Darmanin.

O ex-ministro das Contas Públicas, próximo de Xavier Bertrand, antigo ministro do Trabalho de Nicolas Sarkozy e uma figura tutelar da direita tradicional no Norte do país, terá a difícil missão de ouvir e responder às reivindicações da polícia francesa, muito castigada pela opinião pública nos últimos anos, pela forma como lidou com os protestos dos Coletes Amarelos.

Também a troca no Ministério do Trabalho parece ter o objectivo de dar novo ânimo à controversa reforma do sistema de pensões, que tem colocado o Presidente Macron sob enorme pressão política e mediática, e que explica grande parte da sua queda de popularidade.

Depois da experiência adquirida nos ministérios dos Transportes, primeiro, e do Ambiente, depois, Elisabeth Borne assume agora o Trabalho, substituindo Muriel Pénicaud no cargo.

Entre as caras novas do Governo liderado por Castex, destaca-se ainda a recuperação de Roselyne Bachelot (ex-ministra de Sarkozy e de Jacques Chirac) para a Cultura; a chamada de Éric Dupond-Moretti (advogado criminal) para a Justiça e a escolha de Barbara Pompili (ex-secretária de Estado de François Hollande) para o Ambiente.

Esta última nomeação vem acoplada de algum peso simbólico, uma vez que Pompili fez parte da Europa Ecologia-Os Verdes (EELV), o partido ambientalista que conquistou várias cidades importantes nas recentes eleições municipais e que “roubou” votos e protagonismo à República em Marcha (LREM), de Emmanuel Macron.

Jean Castex foi confirmado como novo primeiro-ministro de França na passada sexta-feira. Substituiu Édouard Philippe, que depois de ter sido eleito presidente da câmara do Havre nas municipais decidiu abandonar a chefia do Governo, para assumir o cargo autárquico – de olho nas presidenciais de 2022?

Líder da equipa que concebeu a operação de desconfinamento no país e antigo secretário-geral do Palácio do Eliseu na presidência de Sarkozy, Jean Castex também vem do centro-direita, tal como Philippe, tendo sido filiado no partido Os Republicanos.

Apesar dos méritos que lhe são atribuídos no âmbito da contenção da covid-19 e no trabalho desempenhado noutros cargos, o primeiro-ministro é uma figura política relativamente desconhecida em França, sendo referido nos principais jornais como um burocrata.

A sua escolha para o cargo é, por isso, entendida pelos analistas como uma forma de garantir, por um lado, um homem competente e eficiente para assumir a gestão de uma das mais graves crises económicas que França enfrenta, à boleia do coronavírus, e, por outro, dar a Macron a notoriedade que este tem vindo a perder, tanto para Philippe, como em virtude de uma primeira metade de mandato aquém das expectativas.

O fraco desempenho da LREM nas eleições municipais mostrou que o jovem partido centrista – nascido em 2016 – ainda tem pouca capacidade de penetração eleitoral a nível local e está em posição de perder votos, tanto para a direita (Republicanos) como para a esquerda (Verdes e Partido Socialista).

Mais importante que isso, a incapacidade demonstrada pela LREM para conquistar grandes cidades e centros urbanos – onde Macron foi buscar muitos apoios em 2017 – serve de aviso para as aspirações de reeleição do Presidente.

Na véspera da revelação da composição do novo executivo, Macron fez questão de assinalar o momento de relançamento da sua presidência, definindo as linhas gerais do “novo rumo” do Eliseu e do seu Governo.

“Relançamento da economia, continuação da refundação da nossa protecção social e do meio ambiente, restabelecimento de uma a ordem republicana justa e defesa da soberania europeia: são estas as nossas prioridades para os próximos meses”, escreveu o Presidente francês no Twitter, no domingo.

Apesar de a terminologia utilizada ser um tanto ou quanto genérica, é perceptível a intenção de Macron de dar importância redobrada tanto à luta contra as alterações climáticas, como ao à reforma do sistema de pensões.

Resta saber como é que Castex e a sua equipa irão dar respostas a todos estes desafios e promessas, ao mesmo tempo que tentam livrar a França do elevado desemprego e da pior recessão das últimas décadas, e dão ao Presidente Macron uma oportunidade para mostrar aos seus descrentes que ainda é a pessoa certa para liderar o país a partir de 2022. Marine Le Pen e a extrema-direita permanecem a curta distância.

Fonte: Público

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