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José Saramago, ribatejano, Nobel da Literatura, morreu há 10 anos

No dia 18 de Junho de 2010 assinalaram-se dez anos sobre a morte do único Prémio Nobel da Literatura português, José Saramago. Ribatejano de nascença (Azinhaga, Golegã, em 1922), José Saramago tornou-se uma espécie de cidadão do mundo, com a sua obra traduzida em dezenas de países. Isto depois de ter vencido o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel da Literatura em 1998, para além de outras distinções e nomeações.

José Saramago permanece como um dos mais enigmáticos escritores portugueses: por um lado depois de uma pequena incursão pelos livros aos 25 anos de idade, só mais de duas décadas depois começa a publicar com alguma regularidade, e, por outro lado, os temas que abordou nos seus livros são os mais díspares e impensáveis, desde escrever um romance sem qualquer tipo de pontuação, até entrar pela história em viagens de elefantes ou estar à frente do tempo na previsão de pandemias, quiçá, profecias.
José Saramago teve um percurso de vida intenso e bastante diverso. Nascido de uma família com poucas posses económicas, muito cedo foi para Lisboa com os ascendentes. O seu apelido não foi mais que a alcunha que a família tinha na pequena aldeia ribatejana onde nasceu.
O futuro escritor não teve oportunidade de concluir os estudos liceais, que lhe dariam acesso à universidade, por razões económicas. Mas isso não o impediu de muito cedo se interessar por livros e jornais, chegando à Direcção do Diário de Notícias (DN), em 1975, meses depois da Revolução do 25 de Abril de 1974.
Saramago foi demitido do DN após o golpe militar de 25 de Novembro de 1975, tomando a decisão nessa altura de deixar o jornalismo e enveredar definitivamente pela escrita em prosa e poesia. Nessa altura já tinha publicado várias obras, e em 1980 começa a ganhar prémios literários e distinções diversas em vários estilos literários.
Em 1986 casou com a espanhola Pilar del Rio, que o acompanhou até ao fim dos seus dias, e foi a escrita dos anos 80 do século passado, mas em especial dos anos 90, que o catapultaram para a nomeação ao Prémio Nobel da Literatura, o qual viria a ganhar. A partir daí, Saramago tornou-se verdadeiramente um escritor reconhecido a nível mundial, com a sua obra traduzida em dezenas de países, e passada ao cinema e à ópera, entre outras adaptações.
José saramago com a sua esposa Pilar del Rio
Foto: JAG/D.R
José Saramago viveu as últimas décadas da sua vida na ilha espanhola de Lanzarote. Em 2007 fundou a Fundação José Saramago, com o objectivo de defender e difundir a Declaração Universal dos Direitos Humanos e dedicar-se às questões ambientais.
Morreu em 2010, aos 87 anos, vítima de leucemia crónica, mas deixando alguma obra que seria publicada posteriormente. Em 2011 as suas cinzas foram depositadas aos pés de uma oliveira no largo defronte da Casa dos Bicos, em Lisboa, edifício histórico que, a partir de 2012, passou a ser a sede da Fundação com o seu nome.
José Alex Gandum (Texto e Fotos) – Jornalista | Director Adjunto do “RibatejoNews”
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