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“Pega de Caras” – Opinião sem Censura: a COVID-19 e a luta contra o miserabilismo

É um dado adquirido: até agora a pandemia da COVID-19 já provocou a morte a mais de 450 mil cidadãos em todo o Mundo. Mais precisamente: 450.386 e infectou mais de 8,4 milhões. Estes foram os dados difundidos esta tarde pela Agência France Press (AFP). E depois aparecem alguns aprendizes de feiticeiros aqui na nossa região a titular que a freguesia de Samora Correia é onde existe o maior número de pessoas infectados. Mas não explicam porquê.

Pois importa sublinhar que é perfeitamente normal que seja a freguesia de Samora Correia a registar o maior número de pessoas infectadas com a COVID-19. Porque é nesta freguesia do concelho de Benavente que se fixou, nos últimos 20 anos, a maior comunidade chinesa que existe em Portugal e onde residem alguns milhares de cidadãos estrangeiros, sobretudo brasileiros que fugiram do regime de Jair Bolsonaro.

E se até Fevereiro de 2020 estava tudo sereno e pacífico, com a chegada da pandemia da COVID-19, muitas pessoas ficaram desempregadas e sem direito a fundo de desemprego. Ou seja ficaram numa situação muito difícil. É verdade que essas famílias têm recebido apoio da comunidade para não passar fome, mas a partir do momento em que o Governo autorizou a desconfinamento, muitos desses cidadãos foram procurar trabalho (precário!) na periferia de Lisboa.

Ou seja, todos os dias utilizam os transportes públicos para sair das suas residências e voltar. Para ganhar a vida e pôr o pão na mesa. Enfrentando o vírus é certo, mas lutando contra um miserabilismo que tem tendência a aumentar nos próximos meses.

Todos sabemos que o vírus da COVID-19 é perigoso e traiçoeiro, mas entre ver chegar a fome à família e sair para trabalhar é perfeitamente normal que alguns cidadãos acabem por ficar infectados. E se a Câmara Municipal de Benavente tivesse condições económicas para fazer testes a todos os habitantes que residem no concelho, tenho quase a certeza que o resultado final iria ser catastrófico.

Todos nós temos a responsabilidade de combater o vírus da COVID-19. Não podemos facilitar nas regras de segurança
Foto: D.R

 

De acordo com os dados diários recolhidos pela agência noticiosa francesa, às 19:00 TMG (20:00 de Lisboa) de hoje, 8.410.400 casos de contaminação foram oficialmente diagnosticados em 196 países e territórios desde o início da epidemia, nos finais de dezembro passado, na cidade chinesa de Wuhan, e 3.866.200 pacientes são considerados curados.

Contudo, alerta a AFP, o número de casos diagnosticados reflete apenas uma fração do total real de infeções, uma vez que alguns países estão a testar apenas pacientes gravemente doentes com internamento hospitalar, outros usam o teste como uma prioridade para o rastreamento e muitos estados pobres têm capacidade limitada de rastreamento.

Ora aqui está o problema! O que se passa na freguesia de Samora Correia não é nenhuma anormalidade de saúde pública. A lógica é que podem surgir novos surtos pandémicos em localidades onde as populações tenham que sair diariamente para ir ganhar o pão, a vida e combater o miserabilismo que está associado à doença.

Para que se tenha ideia do perigo da COVID-19, importa sublinhar que o Brasil contabilizou 1.238 mortos e 22.765 infetados pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, totalizando 47.748 óbitos e 978.142 casos de infecção desde o início da pandemia, informou hoje o Ministério da Saúde. Os números reais são bem superiores, uma vez que o Governo de Bolsonaro está a esconder a realidade.

Mas voltando a Samora Correia e aos 11 bombeiros voluntários que se encontram infectados, convém esclarecer que isso poderá acontecer em qualquer corporação de bombeiros de Portugal.

São os bombeiros que transportam os doentes até aos hospitais. São eles que lidam com os doentes todos os dias. E ainda que utilizem fatos de protecção hiper-sofisticados isso não é garantia absoluta que estão livres de ficar infectados.

É verdade que a freguesia de Samora tem o maior número de cidadãos infectados de toda a Lezíria Ribatejana, mas se nós não tivermos a preocupação de ter todos os cuidados de higiene aconselhados pelas autoridades de saúde e não mantivermos o distanciamento dos outros e recusarmos a utilização de máscaras, corremos o risco de a COVID-19 alastrar para outras freguesias da região.

Não tenhamos ilusões. Este vírus veio para ficar. E não será num estalar de dedos que os cientistas vão encontrar uma poção mágica (vacina) para o combater. Temos que ter isto bem presente no nosso quotidiano. Senão arriscamo-nos a ter que regressar a casa e ficarmos isolados do mundo real que é este. Um Mundo com uma pandemia terrível.

José Peixe – Jornalista | C.P 552A – Editor do “RibatejoNews”

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