Ambiente

Descobertos resíduos perigosos em Setúbal que deveriam ter saído do país há 22 anos

Depósito de 30 mil toneladas de resíduos perigosos foi encontrado pela Zero num terreno junto à antiga empresa Metalimex. Segundo a associação, trata-se de um “grave risco ambiental, podendo ter originado situações de poluição do solo e das águas superficiais e subterrâneas”.

Boa parte das escórias de alumínio da antiga Metalimex, em Setúbal, que deveriam ter sido enviadas para a Alemanha nos anos 90, devido à sua perigosidade, estão ainda, 22 anos depois, quase no mesmo local.

Um depósito com mais de 30 mil toneladas de resíduos perigosos foi encontrado recentemente pela Zero e a associação ambientalista, depois de fazer análises, garante que se trata de escórias da Metalimex. “Não temos dúvidas nenhumas”, disse Rui Berkemeier.

Segundo este dirigente da associação, o resultado revela que se trata de “resíduos perigosos com uma grande composição em alumínio e outros metais”, classificados com o código (01 03 07) da Lista Europeia de Resíduos, que corresponde a “outros resíduos contendo substâncias perigosas, resultantes da transformação física e química de minérios metálicos”.

“Ou seja, confirma-se que se trata de resíduos do mesmo tipo das escórias de alumínio que a empresa Metalimex tinha importado no final dos anos 80 do século passado e que, por não ter condições para os tratar, foi obrigada a devolvê-los para os países de origem, num processo que foi sempre visto como uma referência em termos, nacionais e internacionais, de uma boa solução para um problema ambiental”, diz a Zero.

A pirâmide de material agora descoberta encontra-se num local ermo, perto do Complexo Municipal de Atletismo de Setúbal e a cerca de um quilómetro das instalações da antiga empresa. O sítio fica afastado de estradas e caminhos, no meio de vegetação, o que permitiu ocultar o depósito durante mais de duas décadas.

Os dirigentes da associação ambientalista dizem-se surpreendidos com a descoberta e afirmam que se está “perante um caso que constitui um atestado de total incapacidade das autoridades ambientais” por ao longo de tanto tempo desconhecerem a sua existência.

O Público esteve no local e constatou que, além de tratar-se de um terreno arenoso, existem linhas de água próximas do depósito das escórias. Uma das ribeiras é de fácil visibilidade e, segundo a Zero, há ainda uma segunda que corre por aquela zona nas épocas de chuva.

A associação remeteu os resultados das análises ao Ministério do Ambiente e da Acção Climática (MAAC) e aguarda agora a actuação do Governo. Os ambientalistas esperam, designadamente, que o ministério de João Pedro Matos Fernandes possa “confirmar a origem dos resíduos, apurar as responsabilidades por esta ilegalidade, dar um destino adequado a estes resíduos, realizar uma avaliação da eventual contaminação do solo e das águas subterrâneas do local onde os resíduos estão depositados e verificar a qualidade das águas superficiais no curso de água adjacente ao local”.

Questionado pelo Público, o MAAC informou que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) “já se deslocou ao terreno para confirmação no local desses depósitos, encontrando-se a cumprir as devidas diligências no sentido de fazer aplicar a lei”.

“O processo da reexportação das escórias recepcionadas pela Metalimex desencadeou-se em 1995, através de acordo firmado entre o Governo Português e o Governo da Confederação Suíça, e concluiu-se no final de 1998, com o envio do último carregamento para tratamento fora de Portugal, observando-se as devidas condições de movimento e transferência desses materiais”, refere ainda a mesma nota.

Fonte: Público

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