Ambiente

Portugal prepara fabrico de combustíveis para aviação com hidrogénio

Estratégia Nacional para o Hidrogénio conta com um investimento de 90 milhões de euros na produção industrial de combustível alternativo para a aviação, a partir do hidrogénio verde.

A Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) elenca uma série de projectos em desenvolvimento nesta área em Portugal, seja na produção, armazenamento e distribuição, seja na descarbonização de sectores como a indústria e os transportes. Alguns já estão no terreno, outros são planos para o futuro.

O mais significativo da lista, em termos de investimento previsto, é o da produção, à escala industrial, de combustível sintético para a aviação, e que envolve a Solabelt e a Akuo Energy (esta empresa francesa participou no primeiro leilão de solar e destacou-se por conseguir um projecto de 150 Megawatts propondo a tarifa mais baixa de sempre num leilão, de 14,76 por megawatt hora produzido, para um contrato de 15 anos), segundo o documento, que está em consulta pública.

O projecto de “instalação à escala industrial de produção de combustível sintético com base em hidrogénio verde” já está “em curso” e prevê um investimento de 90 milhões de euros no fabrico de dez mil toneladas por ano. Pretende-se criar um “combustível alternativo sustentável que se assemelha quimicamente ao combustível de aviação convencional”. Como recursos serão utilizados a “electricidade de origem renovável (solar) para produzir hidrogénio verde por via de electrólise (tecnologia PEM) e CO2 capturado de fontes biogénicas (ex.: biomassa e biogás)”.

A EDP também já está a desenvolver um projecto-piloto de produção de hidrogénio com armazenamento na central de ciclo combinado a gás natural do Ribatejo, com apoio da União Europeia (UE). Com um investimento de 12,6 milhões de euros, prevê-se a instalação de um electrolisador com capacidade instalada de 1 Megawatt e 12 Megawatts hora de capacidade de armazenamento.

A EDP propõe-se ainda desenvolver e comercializar um sistema de produção de hidrogénio por electrólise com recurso a electricidade gerada a partir de energia eólica offshore. Os parceiros envolvidos neste projecto poderão posicionar-se “estrategicamente na cadeia de valor do hidrogénio, concretamente através de oferta de engenharia e serviços a nível mundial e pela capacidade de reprodução deste modelo de negócio”, refere o documento.

A Galp, por seu turno, prevê desenvolver um piloto de 500 mil euros para injectar hidrogénio verde, produzido a partir de um electrolisador que utiliza energia eléctrica proveniente de painéis solares fotovoltaicos, na rede de distribuição de gás natural.

A data de arranque ainda está em estudo, mas segundo a EN-H2, o piloto quer estudar o impacto da injecção de hidrogénio na gestão da rede de distribuição e nos equipamentos de queima dos consumidores, como os fogões.

Outra empresa, a PRF, está a desenvolver “múltiplos projectos de produção, armazenamento e distribuição de hidrogénio verde nas várias vertentes da cadeia de valor”, nomeadamente, a produção a partir de painéis solares fotovoltaicos e a sua armazenagem e compressão para uso em células de combustível.

Também está a ser estudada a injecção do excedente de produção de hidrogénio na rede de baixa pressão de gás natural e planeado o desenvolvimento de estações de abastecimento de hidrogénio a veículos.

Segundo o documento, está igualmente previsto que a Fusion Fuel construa este ano uma central solar de produção de hidrogénio que use a sua tecnologia DC-PEHG. Esta central, para instalar no sul do país, deverá confirmar os custos de produção, demonstrar o funcionamento de todo o sistema – produção, armazenamento, e entrega de energia no ponto de ligação de uma central fotovoltaica já existente – e, em simultâneo, demonstrar a “produção e injecção directa na rede de distribuição de gás”.

Na estratégia nacional destaca-se ainda o autocarro a hidrogénio desenvolvido pela CaetanoBus (o H2.City Gold), equipado com uma célula de combustível Toyota, que tem uma autonomia para 400 km com um só carregamento.

Outro projecto é da UTIS (Ultimate Technology To Industrial Savings), que está a estudar a optimização de processos industriais – em sectores como as fábricas de cimento, incineração de resíduos sólidos urbanos, vidro, pasta de papel, siderurgia e grandes centrais de energia – através da injecção de reduzidas quantidades de hidrogénio (H2) e de oxigénio (O2) no sistema de combustão.

Na lista, mas com arranque previsto apenas para 2024, está ainda a produção de hidrogénio verde na central a gás natural da Tapada do Outeiro, da Turbogás (cujo contrato de aquisição de energia com a REN termina precisamente em 2024). “O objectivo principal do projecto de conversão da central é o da produção local e co-combustão de hidrogénio de origem verde, com o gás natural”, refere o documento.

Fonte: Público

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