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Ambiente: “Bomba Atómica” de Lixo em Marinhais

Está a fazer um ano que algumas toneladas de LIXO indiferenciado foram retirados de uma base de cimento para o terreno que se encontra por trás de uns armazéns. Objectivo: fazer negócio com os armazéns e esconder uma verdadeira "bomba ambiental". Só que as autoridades responsáveis pela Natureza e Ambiente vão efectuar tomaram conta da ocorrência e vão proceder às investigações.

Joaquim Fernando Lima Duarte – “Calhabaço”, natural de Marinhais e negociante de madeiras comprou uma comprou uma empresa que em tempos recebia resíduos para tratamento, na Estrada Militar, n.º 2, em Marinhais, ali bem ao lado da auto estrada A13 que liga o Norte ao Algarve. Na altura em que essa empresa faliu, encontravam-se várias toneladas de lixo indiferenciado nas suas instalações.

A natureza e o ambiente exigem empresários sérios e honestos
Foto: J.P/D.R

Ao comprar a empresa a preço de saldo e com o intuito de ganhar uns milhares de euros com o negócio,  Joaquim Fernando “Calhabaço” comprometeu-se a remover todo o lixo existente e transportá-lo para uma central de tratamento. Só que fez contas à vida e rapidamente concluiu que essa remoção e transporte lhe saia dispendiosa.

E como o que importa são os lucros a todo o custo, mais uma vez foi a natureza e o ambiente que tiveram que suportar um comportamento anormal de alguém que sistematicamente é confrontado com as autoridades ambientais. Ou seja, Joaquim Fernando “Calhabaço” optou por empurrar aquelas toneladas de lixo que se encontravam em cima do cimento para o terreno situado atrás do último pavilhão da empresa.

Como facilmente se percebe pelas fotografias, algum desse lixo foi enterrado numa vala cuja extensão ultrapassa os 200 metros de comprimento e os cinco de largura. Só para servir de base para depois amontoar o resto e tapar com um plástico.

E o mais importante desta história macabra é tentar perceber que lixo está debaixo daquele plástico. Segundo Joaquim Fernando “Calhabaço”, «debaixo daquele plástico está apenas plástico, papéis, madeira e vidro».

A esperteza saloia não chega para ludibriar jornalistas com muitos anos de tarimba
Foto: J.P/D.R

“Tudo o que se encontra ali está legal e tenho papéis a comprovar isso mesmo. Troquei emails com o senhor presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos que me aconselhou a tapar o lixo. Também contactei com a delegada de Saúde, o presidente da Junta de Freguesia de Marinhais e com os técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Posso mostrar-lhe todos esses emails para o senhor comprovar!”, disse sem papas na língua, Joaquim Fernando “Calhabaço”.

Incumprimento da palavra e muitas mentiras

Joaquim Fernando “Calhabaço” sabe que como jornalista eu tenho dedicado os últimos anos da minha vida à defesa do meio ambiente. Mas mesmo assim comprometeu-se em entregar-me cópias de todos os emails e das licenças que diz ter, esta segunda feira de manhã.

Ás 11 horas da manhã, tal como estava combinado, o senhor Joaquim telefonou-me a dizer o seguinte: «ó senhor Zé estive reunido com a minha advogada e ela aconselhou-me a não lhe mostrar nenhuns papéis, mas repito que aquilo que fotografou está tudo legal e as autoridades sabem de tudo».

Desconfiado como o diabo, liguei pessoalmente ao Eng.º Hélder Esménio, presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos para saber se tinha dado alguns conselhos sobre aquele problema do lixo. E a resposta foi muito elucidativa: «Não conheço essa pessoa de que me está a falar. E nunca troquei emails com ninguém sobre esse assunto. Aliás, sei que em tempos funcionou ali uma empresa que reciclava paletes e outras matérias. Depois faliu, sei que havia lá muito lixo, mas depois não acompanhei mais esta situação a partir do momento em que a propriedade foi vendida».

«Aliás, não compete ao presidente da Câmara resolver esses assuntos, pois existem autoridades em Portugal com autoridade e competência científica para resolver problemas como este que me acaba de relatar. Uma coisa é certa, aquelas toneladas de lixo não devem permanecer ad ethernum assim como acaba de relatar», esclareceu Hélder Esménio.

O “RibatejoNews” também apurou que a delegada de Saúde de Salvaterra de Magos, Dra.ª Helena Talantova nunca foi contactada por causa deste problema. A Agência Portuguesa do Ambiente não deu nenhumas autorizações para que aquele lixo fosse tapado daquela forma. E o presidente da Junta de Freguesia de Marinhais também passou ao lado desta história.

Mentiras atrás de mentiras fizeram que nós mesmos apresentássemos uma denúncia no Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e na GNR de Marinhais. Porque na verdade aquelas toneladas de lixo estão a contaminar o solo e os lençóis freáticos.

Aqui neste monte de lixo está uma “bomba Atómica” contra o ambiente
Foto: J.P/D.R

«Contrariamente ao que lhe contou o senhor “Calhabaço” debaixo daquele plástico estão baterias, óleos, peças de automóveis e muitas outras coisas que nós nem sequer sabemos. O que está ali é uma verdadeira bomba atómica contra o ambiente e a natureza», afirmou ao “RibatejoNews” um habitante de Marinhais que em tempos trabalhou para o senhor Joaquim Fernando “Calhabaço” e que solicitou o anonimato.

Esperteza saloia e a ganância de lucros chorudos

«Apesar de ser analfabeto o senhor “Calhabaço” julga-se muito esperto e acha que consegue passar a perna às autoridades ambientais e a toda a gente. Comprou aquela propriedade por meia dúzia de tostões e quer ganhar uns milhares de euros. Veja que a propriedade está á venda!», alertou a nossa fonte.

Na Charneca Gloriana, Joaquim Fernando “Calhabaço” é bem conhecido pelas “negociatas” que tem feito nos últimos 20 anos. E existem alguns glorianos que se recusam vender-lhe madeira proveniente do corte de eucaliptais, porque na altura da pesagem ele já travou vários conflitos com proprietários que se disponibilizaram a confirmar isso em tribunal caso seja necessário.

«Está na altura de as autoridades do ambiente e a justiça analisarem com rigor o que anda este senhor a fazer na Charneca Ribatejana, sobretudo as descargas de lamas não recicladas que costuma espalhar nas suas plantações de eucaliptos. Qualquer dia os solos da Charneca Gloriana já não suportam mais lamas!», afirmou ao “RibatejoNews” um outro negociante de madeiras que conhece muito bem Joaquim “Calhabaço”.

A ganância pelo lucro fácil faz com que alguns homens percam a cabeça
Foto: J.P/D.R

Antes de avançar com esta reportagem ainda tentamos e acreditamos que Joaquim Fernando “Calhabaço” nos fornecesse cópias dos emails e das licenças que atestassem a legalidade daquele aterro “atómico” que ele escondeu próximo da A13, em Marinhais. Mas julgando-se muito esperto, tentou por diversas vezes, via telefone que esta reportagem ganhasse vida. Pois enganou-se. É que a esperteza do senhor Joaquim “Calhabaço” termina quando começa a dos outros.

E compete ao jornalismo e jornalistas DENUNCIAR situações como esta. Porque os tempos pandémicos que estamos a vivenciar requerem comportamentos ambientais mais civilizados e não esperteza saloia.

José Peixe – Jornalista Profissional C.P 552A | Editor do “RibatejoNews”

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