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Trump anuncia saída dos Estados Unidos da OMS

Presidente exige respostas da China sobre a pandemia, voltando a reiterar que o Governo de Xi Jinping controla a Organização Mundial da Saúde.

Numa conferência de imprensa convocada para abordar a China, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos vão cortar laços com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que o Presidente norte-americano acusa de ser controlada pelo Governo Chinês.

“Vamos terminar a nossa relação com a Organização Mundial da Saúde e redireccionar estes fundos para outras necessidades de saúde pública. O mundo precisa de respostas da China sobre o vírus. Porque é que a China fechou as pessoas infectadas em Wuhan – não as deixando viajar para outros locais da China –, mas permitiu que estas pessoas viajassem livremente pelo mundo, na Europa e nos Estados Unidos”, questionou o Presidente norte-americano esta sexta-feira.

Donald Trump exigiu respostas sobre a pandemia ao Governo de Xi Jinping, dizendo que o “padrão de má conduta” do país é conhecido. “O encobrimento chinês do vírus de Wuhan permitiu que a doença se espalhasse pelo mundo, instigando uma pandemia mundial que já ceifou 100 mil vidas norte-americanas e mais de um milhão de mortes em todo o mundo”, afirmou Trump, citando de forma errada o número global de mortes causados pela covid-19 que, segundo dados da Universidade Johns Hopkins, é de 362.731 óbitos.

Em Abril, Donald Trump já tinha ameaçado cortar o financiamento da OMS, vincando as diferenças contributivas face à China. Os Estados Unidos são o principal financiador da organização gerida por Tedros Ghebreyesus​, fornecendo 405 milhões de euros para o orçamento da organização. O Governo chinês contribui com cerca de 77 milhões de euros. O orçamento da OMS ronda os 3986 milhões de euros, distribuídos por um período de dois anos.

Na primeira vez em que entrou em rota de colisão directa com a OMS, Trump afirmou que o financiamento seria suspenso enquanto decorressem investigações ao papel desempenhado pela organização de saúde pública naquilo que o Presidente norte-americano considera ser o “encobrimento da transmissão do coronavírus” feito pelo Governo chinês.

Em Maio, sensivelmente um mês após a primeira intervenção, Trump endureceu o discurso e fez um ultimato: se a OMS não fizesse melhorias nos próximos 30 dias, a suspensão de financiamento que decretada um mês antes iria tornar-se permanente. “Eles têm de entrar na linha. Têm de fazer melhor. Têm de ser mais justos para outros países, incluindo os Estados Unidos, ou não vamos continuar a trabalhar com eles”, ameaçou, na Casa Branca.

Esta sexta-feira, Trump voltou a elogiar a suspensão temporária aplicada à entrada de viajantes com origem na China. Apesar de acusar o Governo chinês de ter permitido que a pandemia se espalhasse pelo mundo, o Presidente norte-americano chegou a elogiar, no Twitter, as acções tomadas pelo homólogo chinês na tentativa de conter a propagação do vírus.

Donald Trump chegaria mesmo a dizer que existiam “fortes indícios” de que o vírus teria escapado de um laboratório em Wuhan. O Presidente seria contrariado, uma semana depois, pelo secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo, que revelou que as provas que apontavam para essa hipótese podiam não ser fidedignas.

Fonte: Público

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