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Morreu Maria Velho da Costa, escritora que revolucionou a ficção portuguesa

Co-autora, juntamente com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, das Novas Cartas Portuguesas, obra que lhes valeu um mediático processo judicial antes do 25 de Abril, foi uma das maiores renovadoras da prosa em português do século XX. Tinha 81 anos.

A escritora Maria Velho da Costa, Prémio Camões em 2002, morreu este sábado, aos 81 anos, disse à agência Lusa a realizadora Margarida Gil, amiga da família. Mas, como dizia a escritora e professora Yvette Centeno ao PÚBLICO, em 2001, sobre esta que foi uma das maiores renovadoras da prosa portuguesa do século XX, “haverá sempre leitores para a Maria Velho da Costa”: “A língua portuguesa passa por ela e não fica incólume.”

Segundo Margarida Gil, a premiada romancista, que foi uma das “Três Marias” juntamente com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno (1939-2016)​, estava fisicamente debilitada, mas lúcida. Morreu de forma súbita na sua casa, em Lisboa.

Considerada uma das grandes vozes renovadoras da literatura portuguesa desde a década de 1960, Maria Velho da Costa foi autora de contos e de teatro, mas destacou-se sobretudo no romance. O ensaísta Eduardo Prado Coelho considerava, aliás, Maina Mendes e Casas Pardas como “dois marcos na literatura portuguesa do século XX”.

A romancista também colaborou na escrita de argumentos para cinema, nomeadamente de filmes de Margarida Gil (Rosa Negra, de 1992, ou Anjo da Guarda, de 1998), de João César Monteiro (1939- 2003), para o qual escreveu Que Farei Eu com esta Espada? (1975) ou Veredas (1978), e de Alberto Seixas Santos (1936- 2016), que a partir dela realizou A Rapariga da Mão Morta (2005) e E o Tempo Passa (2011).

O último romance que Maria Velho da Costa publicou, Myra (2008), a história de uma adolescente russa imigrada em Portugal, valeu-lhe o Prémio PEN Clube de Novelística, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio Literário Correntes d’Escritas e o Grande Prémio de Literatura dst.  O ponto de partida para a narrativa foi uma história que contou ao neto sobre uma rapariga que quer regressar à sua terra natal.

Em 2013, Maria Velho da Costa respondia com humor a Luís Miguel Queirós, no PÚBLICO, quando o jornalista lhe perguntou se não se teria precipitado quando manifestou a convicção de que Myra seria o seu último romance: “É o que eu acho, mas pode-se sempre ter um acesso de demência senil e escrever-se o que não se deve.”

“Consigo não escrever com a maior das facilidades”, acrescentava a escritora, que durante anos manteve um diário, mas nunca o quis publicar em vida. “A escrita diarística era uma maneira de largar tensão, porque na escrita há sempre um outro, um leitor que somos nós próprios. Os diários criam uma sensação de liberdade que a escrita de um livro não dá. A não ser que a pessoa o esteja a fazer a pensar que o vai publicar, o que não era o meu caso”, explicou ao PÚBLICO numa outra entrevista, a Tiago Bartolomeu Costa, nesse mesmo ano de 2013.

Escrevemos juntas as "Novas Cartas Portuguesas":Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e eu.Então, foi uma…

Gepostet von Teresa Horta am Sonntag, 24. Mai 2020

Fonte: Público

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