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“Sugal” vai aproveitar o perdão de 54 milhões de euros à “Core” e entra no mundo dos cogumelos

João Ortigão Costa, dono da "Sugal", vai ficar com 10% da Varandas de Sousa, a empresa que detém o universo industrial do produtor de cogumelos. A transformadora de tomate "Sugal" vai aliar-se à "Core" para viabilizar o grupo "Sousacamp", que tem escritura da venda de créditos marcada para 18 de Maio.

A transformadora de tomate “Sugal” aliou-se à “Core” para viabilizar o grupo “Sousacamp”, que tem escritura da venda de créditos marcada para 18 de maio. Perdão global ao maior produtor nacional de cogumelos: cerca de 54 milhões de euros.

O impacto económico e as incertezas decorrentes da COVID-19 atrasaram o processo de salvação do maior produtor nacional de cogumelos, mas agora já há data para o encaixe da última peça para a viabilização do plano de recuperação do grupo “Sousacamp”.

«A escritura da cessão de créditos das instituições bancárias a favor da Core Capital, permitindo que processo prossiga os seus demais trâmites legais, está prevista para o dia 18 de Maio», adiantou o administrador judicial da empresa, Bruno Costa Pereira, em declarações ao “Jornal de Negócios”.

Em causa está a venda dos créditos do Novo Banco e do Crédito Agrícola, os maiores credores da Sousacamp, que inicialmente tinham concordado em perdoar cerca de 37 milhões, mas que agora acordaram em fazer um “haircut” adicional de dois milhões de euros.

A “Sugal” vai entrar forte no mundo dos cogumelos
Foto: José Peixe/D.R

O gestor judicial confirmou “a necessidade de, em razão do Estado de Emergência provocado pela covid-19, se ver renegociados os termos do acordo que havia sido alcançado no início de março entre as instituições financeiras credoras do grupo (Novo Banco e o Crédito Agrícola) e a Core Capital, que possibilitou a aprovação do plano de recuperação que se viu apresentado”.

O Novo Banco, que tinha concordado em fazer um “haircut” de 24 milhões dos mais de 34 milhões de euros que tinha a haver, aceitou agora perdoar mais 1,4 milhões, enquanto o grupo Caixa Agrícola Mútuo, que fez inicialmente um desconto de 11 milhões dos 15,9 milhões que reclamava, acabou por perdoar mais 700 mil euros.

Feitas as contas, caso não haja mais empecilhos a impedir a viabilização da Sousacamp, a Core Capital irá ficar com o maior produtor nacional de cogumelos através da liquidação dos créditos daquelas duas instituições, de cerca de 12,3 milhões de euros, assumindo, ainda, as dívidas ao Fisco (2,4 milhões de euros) e à Segurança Social (881 mil euros).

Acresce que, no acordo final da Core com as duas instituições bancárias, estas aceitaram também “apoiar a tesouraria do grupo Sousacamp com linhas de créditos de dois milhões de euros”, adiantou o administrador judicial.

Entretanto, o grupo Sugal, que se apresenta como “o segundo maior produtor mundial de derivados de tomate”, vai ser acionista do grupo Sousacamp, através da entrada direta no capital da Varandas de Sousa, a empresa insolvente e que detém o universo industrial do maior produtor nacional de cogumelos.

“De acordo com o plano de recuperação, a Sugal Alimentos, SA participará, de forma minoritária (10%), no capital da Varandas de Sousa”, com os restantes 90% a serem assumidos pela Core, revelou Pereira. Liderada por João Ortigão Costa, a Sugal tem cinco fábricas (duas em Portugal, duas no Chile e uma em Espanha), é dona da marca Guloso e fatura cerca de 280 milhões de euros.

Core segura 400 empregos

A capital de risco Core Capital, que já tinha adiantado à massa insolvente do grupo Sousacamp cerca de 2 milhões de euros para o pagamento de salários aos trabalhadores nos últimos meses, compromete-se «a viabilizar novos investimentos de, pelo menos, 7,5 milhões, mas que deverá superar os 10 milhões no decurso dos próximos ano»”, afirmou o administrador de insolvência ao “Jornal de Negócios”.

Bruno Costa Pereira enalteceu, também, «o empenho demonstrado pelas partes, com as instituições financeiras a ser chamadas a realizar um sacrifício adicional no valor dos seus créditos, em prol da recuperação de um grupo que continua a empregar de forma direta, nesta data e depois de mais de dois anos desde que se iniciou o processo de recuperação, mais de 400 colaboradores».

Elogios ainda para o credor público IFAP, que aceitou suspender uma garantia bancária, de 5,2 milhões, por conta do financiamento de 17 milhões de um projeto da Sousacamp que parou a meio.

Fonte: “Jornal de Negócios”

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