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Opinião sem Censura: Turismo que futuro?

Nos últimos anos o turismo em Portugal catapultou a economia e o emprego para números nunca imaginados. É certo que o país beneficiou com a instabilidade de outros destinos turísticos, mas quem veio pela primeira vez a Portugal parece que gostou e muitas vezes voltou ou divulgou.

Todos os cenários apontavam para um crescimento continuado e sustentado, embora já se ouvisse opiniões de que isto não poderia continuar a crescer por muito mais tempo. Mas nenhuma dessas opiniões conseguiria conceber que a provável estagnação do turismo em Portugal fosse, afinal, uma hecatombe fora do alcance de qualquer gestor ou entidade turística.

Nos últimos anos o turismo teve uma influência enorme em Portugal, em especial nas maiores cidades, mas um pouco em todo o país. Além da economia em geral, foram muitos os sectores que beneficiaram directamente com o turismo: o emprego em geral, a aviação (e sub-sectores a ela ligados), a hotelaria, a gastronomia, o vinho, a reabilitação urbana, só para citar alguns sectores e indústrias.

Todos os anos se batiam recordes de estrangeiros entrados em Portugal. Porto e Lisboa, como cidades, ou Alentejo, como região, ganhavam prémios sobre prémios de melhores destinos turísticos. Na capital, impunha-se um novo aeroporto porque o existente já não chegava para a crescente procura.

Portugal tem tudo para ser um grande destino turístico: clima ameno, metade da orla do território (700 quilómetros, sem contar com Açores e Madeira) em praias oceânicas (algumas das melhores do mundo), paisagens ainda intocadas (ou quase), gastronomia com uma qualidade/preço quase imbatível na Europa, segurança, quanto baste, e muita identidade própria (ainda!).

Mas tudo o que se falou e projectou sobre Turismo em Portugal até Fevereiro passado deixou de fazer sentido. As muitas conferências e debates que se realizaram nos últimos meses, onde eram exibidos gráficos do crescimento e das perspectivas para um futuro a breve a e médio prazo deixaram de valer. Em poucos dias, todos os cenários construídos à volta do Turismo desmoronaram-se. Em Portugal, como nos países mais turísticos da Europa, e no mundo em geral.

Mas, se outras indústrias se reinventaram com esta pandemia, porque razão não há-de o Turismo, como indústria que é, reinventar-se também? E é isso que os principais agentes do sector parecem estar a querer fazer. A vinda de estrangeiros a Portugal e o designado turismo de massas vai sofrer um revés nos próximos meses, talvez até anos. Mas haverá sempre nichos. E esses nichos estão muitas vezes em locais menos divulgados, logo menos conhecidos.

As regiões de Ribatejo e Alentejo, agora agregadas numa mesma Região Turística, têm todas as possibilidades e potencialidades de captar o que de melhor pode haver no turismo estrangeiro e interno. Aeroporto até já há. Em Beja, e com umas infraestruturas exemplares. Falta investir na ferrovia e terminar alguns troços de estradas e auto-estradas.

Mas se o Turismo nos próximos tempos não for de massas, então como será? Ou as pessoas deixarão simplesmente de viajar e de visitar outros locais diferentes dos das suas habitações?

Depois de confinadas tanto tempo, é provável que as pessoas queiram sair e conhecer ou revisitar outros locais. Mas não irão arriscar muito. O estrangeiro será uma miragem com certeza nos próximos tempos. Crê-se que o turismo interno dispare (as pessoas vão finalmente querer conhecer o que de melhor tem o seu próprio país), mas nem todos irão encher as praias e os restaurantes do Algarve.

É muito provável que o próximo turismo seja mais um turismo de pequenos núcleos familiares, em que as pessoas procurem locais pacatos e com pouca gente. E não necessariamente de praias oceânicas. Será um turismo mais de descoberta do Interior, onde também há excelentes praias e outras atracções de lazer. Nunca aquele antigo slogan do ‘Vá para fora cá dentro’ fez tanto sentido! Até porque “enquanto houver estrada para andar”…

José Alex Gandum – Jornalista C.P 6281A | Director-Adjunto

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