Salvaterra de Magos

Caixa Agrícola de Salvaterra: José Manuel Moreira tentou “fintar” Banco de Portugal

Segundo o "Jornal de Negócios" de ontem, a Caixa Agrícola de Salvaterra e Benavente registou a gestão sem o parecer favorável do Banco de Portugal. «A Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos registou os órgãos sociais, incluindo o do presidente José Moreira – envolvido num alegado conflito de interesses –, sem ter o “ok” do regulador (Banco de Portugal)», escreveu a jornalista Rita Atalaia.

Quase um mês de terem efectuado o registo os administradores foram obrigados a cancelar o processo e a lista está agora a ser avaliada pelo Banco de Portugal, segundo conseguiu apurar o “RibatejoNews”.

Aproveitando a situação da pandemia da COVID-19, o actual presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente, José Manuel Moreira, tentou registar os órgãos sociais para o novo mandato. Uma lista que incluía ele próprio, presidente desta entidade e que está envolvido num alegado conflito de interesses denunciado por um grupo de associados ao Banco de Portugal e à Procuradoria Geral da República.

Segundo um funcionário da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente que solicitou o anonimato, «foi o ex-advogado e ex-funcionário bancário, José Felisberto que incentivou José Manuel Moreira a avançar com esse registo, pois este “senhor” quer a todo o custo tomar posse como vogal, para o triénio 2020/2022 só que existem queixas no Banco de Portugal e na Procuradoria Geral da República que estão a ser investigadas. E a verdade é que esse registo teve que ser anulado. É bom que os associados saibam sejam informados disso e o Ministério Público também”.

«É bom que o Banco de Portugal e a Procuradoria Geral da República não investiguem apenas e só o conflito de interesses que existe na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente. Está na altura de se investigar a fundo todas as negociatas que foram feitas pelos irmãos Moreira e que se apure como é que José Felisberto e a Zita Catita Ferreira aparecem como vogais», afirmou ao “RibatejoNews” o funcionário atrás referenciado.

«José Manuel Moreira e o ex-gerente do Banco Totta Açores do balcão de Marinhais, José Felisberto, que nessa altura apelidava a Caixa de Crédito Agrícola de “chafarica” sabem melhor do que ninguém que não podem avançar com o registo dos órgãos sociais para o triénio de 2020/2022 sem primeiro ter o parecer favorável da entidade reguladora que é o Banco de Portugal. Mas no entanto quiseram “fintar” o regulador para ver se passava. O Ministério Público deve ser informado deste acto de má fé por parte destes gestores!”, esclareceu o trabalhor da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra e Benavente.

No dia 17 de Fevereiro, o presidente do Conselho de Administração da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, Licínio Pina (e amigo pessoal de José Manuel Moreira!) respondendo aos associados que tinham solicitado a anulação do acto eleitoral que teve lugar no dia 7 de Dezembro de 2019, esclarecia o seguinte: «A Caixa central dentro das suas competências e no âmbito do enquadramento legal vigente, acompanha e fiscaliza todas as suas associadas. As referências que efectuam na vossa carta foram já identificadas e mitigadas nesse âmbito, continuaremos a acompanhar novas informações que venham a ser suscitadas».

Isto revela que Licínio Pina demonstra que também ele está conivente com esta situação. Ou seja, o presidente do Conselho de Administração da caixa Central estava farto de saber que o Banco de Portugal ainda prosseguia com as suas investigações.

Só que Licínio Pina não teve a coragem de informar os associados que já tinha dado luz verde para se avançar com o registo dos novos órgãos sociais no Portal da Justiça. «Uma farsa típica do Eng.º Licínio Pina para proteger o seu amigo José Manuel Moreira!», afiançou um funcionário da Caixa Central.

É bom recordar que Licínio Pina pagava 2.000 Euros mensais à sua esposa para esta lhe dar apoio psicológico na administração do Banco. Um escândalo que rebentou antes do Natal.

Queixava-se o Administrador da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo que a sua mulher era importante para lhe dar “estabilidade emocional” o que gerou mal estar no seio do próprio banco como: «Esse episódio retrata muito bem quem é Licínio Pina», afirmou a nossa fonte na Caixa Central.

Segundo o “Jornal de Negócios” «foi a 14 de Fevereiro que a Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos registou os órgãos sociais para o triénio 2020/2022, incluindo José Moreira como presidente desta mesma entidade, além dos vogais José Felisberto e Zita Ferreira, de acordo com o registo publicado no portal da Justiça». Quase um mês depois, a 18 de Março, foi feita uma nova entrada no portal, mas desta vez para cancelar este mesmo registo.

Questionado pela jornalista Rita Atalaia do “Jornal de Negócios” sobre o que esteve na base deste mesmo cancelamento, fonte oficial do Crédito Agrícola esclarece que se «tratou de um lapso da própria Caixa [de Salvaterra], na interpretação da legislação vigente».

O que levou a nossa fonte na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente a fazer o seguinte reparo: «Mas afinal que advogado é o José Felisberto que não soube interpretar a legislação vigente? E o que faz o escritório de advogados que mantém uma avença com a nossa instituição? No meu entender José Felisberto fez muito bem abandonar a advocacia, mas agora querer ser vogal a toda a força isso é que não».

Segundo conseguimos apurar, a Procuradoria Geral da República, através do magistrado do Ministério Público Coordenador da PGA na Comarca de Santarém está também a efectuar investigações na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente.

José Peixe – Jornalista C.P 552A | Editor do “RibatejoNews” 

 

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