Salvaterra de Magos

Câmara Municipal excluiu duas IPSS’s dos apoios que vai atribuir

Quando o presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Manuel Esménio, afirma que «o município vai apoiar as IPSS's na redução de mensalidades das respostas creche e pré-escolar e no trabalho que desenvolvem com os idosos» não está a falar a verdade. E porquê? Porque ele mesmo tomou a iniciativa de excluir duas instituições de Salvaterra da atribuição desses apoios: o Centro Paroquial de Bem Estar Social e a Santa Casa da Misericórdia. Essa atitude está a gerar algum desconforto na vila de Salvaterra.

É verdade que a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos aprovou na passada quarta-feira, 22 de Abril, em reunião camarária, protocolos com os Centros de Bem Estar Social (CBES) de Foros de Salvaterra, Glória do Ribatejo, Marinhais e Muge, com vista à redução de mensalidades das respostas de creche e pré-escolar e à manutenção da normalidade do trabalho que desenvolvem com os idosos. E o município não fez protocolos com o Centro Paroquial de Bem Estar Social de Salvaterra e com a Santa Casa da Misericórdia porquê?

Será que no entender de Hélder Esménio estas duas instituições atrás referenciadas não cumprem as funções de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS)?

Era bom que o senhor presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos explicasse publicamente porque é que excluiu estas duas instituições salvaterrenses desses protocolos.

A Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra também ficou de fora dos protocolos de apoio camarários
Foto: José Peixe

É dever de um jornalista profissional procurar a verdade e perceber o que leva um autarca em tempos tão difíceis e complicados, como estes que estamos a vivenciar, excluir duas instituições destes protocolos. Por isso, este título que apareceu em muitos órgãos de comunicação social ribatejanos não é verdadeiro: “Câmara Municipal de Salvaterra de Magos apoia IPSS’s na redução de mensalidades das respostas creche e pré-escolar e no trabalho que desenvolvem com os idosos”.

O titulo que deve ser dado é o seguinte: Município de Salvaterra apoia apenas 5 IPSS’s e exclui duas delas sediadas em Salvaterra de Magos: Centro Paroquial de Bem Estar Social de Salvaterra e a Santa Casa da Misericórdia.

A possibilidade de avançar com estes apoios surgiu depois do presidente da Câmara Municipal ter reunido, no dia 17 de Abril, com as direcções destas instituições de solidariedade social com o objetivo de avaliar a situação de tesouraria das mesmas face à pandemia, ao prolongamento do Estado de Emergência e ao subsequente encerramento de centros de dia, creches e pré-escolas que aquelas IPSS oferecem às comunidades locais.

Hélder Manuel Esménio explicou que “em face da crescente vulnerabilidade das famílias residentes no nosso concelho, em resultado das situações de lay-off e desemprego, foi debatido quais os termos em que a Câmara Municipal teria de financiar estas IPSS’s para se alcançar a redução das mensalidades das crianças que estão nelas inscritas nas respostas creche e pré-escolar”.

Sendo que ao mesmo tempo, “é preciso garantir a sustentabilidade destas instituições para que o apoio a centenas de pessoas idosas que são acompanhadas nos seus domicílios pelas várias equipas destas IPSS’s não seja posto em causa”, esclareceu o autarca.

Neste sentido, os protocolos de cooperação agora aprovados vão permitir viabilizar a redução, durante 4 meses (Maio, Junho, Julho e Agosto), em 50% do valor a pagar mensalmente pelas famílias a essas instituições, enquanto as crianças não puderem retomar as atividades presenciais, financiamento que será de 33%, no mesmo período, se e quando as creches e/ou o pré-escolar destas IPSS’s reabrirem as suas portas.

Com este apoio financeiro, que acresce ao múltiplo equipamento de proteção individual (EPI’s) que a Câmara Municipal vem conseguindo distribuir por estas instituições, pretende-se ainda assegurar a normalidade do trabalho que as instituições desenvolvem com os idosos, no âmbito da Rede Social Municipal criada recentemente devido à pandemia COVID-19, com o objetivo nomeadamente de apoiar aqueles que se encontrem em situações de maior vulnerabilidade social.

Hélder Esménio também salienta que perante a “crescente vulnerabilidade das famílias” residentes no concelho, “em resultado das situações de ‘lay-off’ e desemprego”, o município debateu formas de financiar estas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) “para se alcançar a redução das mensalidades das crianças que estão nelas inscritas nas respostas creche e pré-escolar” e, ao mesmo tempo, “garantir a sustentabilidade destas instituições”.

As famílias que têm os seus filhotes no Centro Paroquial de Bem Estar Social de Salvaterra ou os seus familiares idosos no Lar da Santa Casa da Misericórdia são diferentes? Não estão a sofrer na pele os efeitos catastróficos da Covid-19? Estão imunes aos problemas provocados pela pandemia?

“Esta medida é fundamental para que o apoio a centenas de pessoas idosas que são acompanhadas nos seus domicílios pelas várias equipas destas IPSS’s não seja posto em causa”, afiança Hélder Esménio.

Muito bem. Só não se percebe quais foram as razões que levaram a Câmara Municipal de Salvaterra a excluir desses protocolos o Centro Paroquial de Bem Estar Social de Salvaterra e a Santa Casa da Misericórdia?

Nos concelhos vizinhos os apoios foram distribuídos por todas as instituições. É caso para dizer que os valores solidários em Salvaterra são bem diferentes. Na qualidade de Editor do “RibatejoNews” e cidadão gostava imenso que o senhor presidente Hélder Esménio me explicasse quais foram os critérios que levaram à exclusão dessas duas instituições particulares de solidariedade social.

José Peixe – Jornalista C.P 552A – Texto e Fotos

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Um comentário

  1. Quero deixar o meu desânimo com as decisões do presidente de Salvaterra de Magos. Tenho publicado boas práticas de várias câmaras neste tempo terrível que todos nós atravessamos. Em Alenquer Câmara igualmente socialista, assim como por todo o país temos ouvido diversas formas de solidariedade, sei que em Salvaterra o presidente excluiu a santa casa da misericórdia e o C. De bem estar social dos apoios financeiros.
    Peço ao Sr.Diretor da segurança social de Santarém que se digne a averiguar esta tomada de decisão do presidente de Salvaterra.
    Ex.Sr.Primeiro Ministro António Costa, é imperativo fiscalizar como são aplicados os dinheiros do povo português.
    Viva o 25 de Abril

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