Ambiente

Poluição do ar já diminuiu em Itália devido ao coronavírus

A redução das emissões de dióxido de carbono é sobretudo visível no Norte de Itália.

As emissões de dióxido de azoto já diminuíram em Itália, revelaram dados do satélite Sentinela-5P do programa Copérnico da Comissão Europeia e da Agência Espacial Europeia (ESA). Isto quer dizer que já houve um declínio da poluição do ar desde que foi decretada a quarentena em Itália para evitar a propagação do novo coronavírus. O declínio das emissões de dióxido de azoto é sobretudo visível no Norte de Itália.

Numa animação divulgada pela ESA pode-se ver a flutuação das emissões de dióxido de azoto na Europa entre 1 de Janeiro deste ano e 11 de Março. Os dados foram recolhidos pelo instrumento Tropomi, a bordo do Sentinela-5P, que mapeia os poluentes do ar em todo o mundo.

“O declínio das emissões de dióxido de azoto sobre o vale do Pó, no Norte da Itália, é particularmente evidente”, destaca em comunicado Claus Zehner, director da missão do Sentinela-5P.  “Embora possa haver pequenas variações nos dados devido à cobertura por nuvens e às mudanças climáticas, estamos muito confiantes de que a redução nas emissões que podemos observar coincide com o bloqueio na Itália, causando menos tráfego e actividades industriais.”

No início de Março, satélites da NASA e da Agência Espacial Europeia mostraram uma redução significativa nos níveis de poluição de dióxido de azoto sobre a China. Quando foram divulgados estes dados, a NASA referiu que é possível que a mudança se deva, em parte, ao abrandamento associado à disseminação do novo coronavírus.

Esta segunda-feira, a Aliança Europeia de Saúde Pública alertou que as pessoas que vivem em cidades mais poluídas correm maior risco relativamente à covid-19. Porquê? A poluição do ar pode contribuir para a hipertensão, diabetes e doenças respiratórias, que estão associadas aos factores de risco da covid-19. Também um estudo de 2003 com doentes que foram infectados com o coronavírus SARS concluiu que doentes de regiões com níveis de poluição moderados tinham 84% mais probabilidade de morrer do que os doentes infectados de regiões com níveis de poluição baixos.

“A poluição do ar nas cidades melhorou no último meio século, mas o fumo, e sobretudo o fumo dos veículos a diesel, continua a ser um problema”, realça em comunicado Sara De Matteis, investigadora da Universidade de Cagliari (em Itália) e membro da Sociedade Europeia Respiratória. “Doentes com doenças respiratórias e cardíacas crónicas causadas ou agravadas pela exposição prolongada à poluição do ar são menos capazes de combater infecções pulmonares e mais propensos a morrer. Isto também se aplicará provavelmente à covid-19. Ao diminuirmos os níveis de poluição do ar podemos ajudar os mais vulneráveis na luta contra esta ou outra futura pandemia.”

Fonte: Público

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