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Crédito Agrícola de Salvaterra de Magos: as falsidades de Licínio Pina

O presidente do Conselho de Administração da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, Eng.º Licínio Pina disse à jornalista Cristina Ferreira, do jornal Público, no dia 12 de Fevereiro, que “o actual enquadramento legal o inibe de ter uma actuação mais eficaz” e que “lhe faltam os instrumentos para suspender de imediato os administradores das Caixas associadas”, uma falsidade que importa ser aflorada.

A investigação que o RIBATEJONEWS e outros jornalistas andam a efectuar ao “conflito de interesses” (e outras situações anómalas!) existentes na Cooperativa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente, faz com que até ao momento o Banco de Portugal e a Caixa Central ainda não tenham dado luz verde para a tomada de posse do Conselho de Administração presidido (outra vez!), por José Manuel da Silva Ferreira Moreira.

Nas declarações que o presidente do Conselho de Administração da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, Eng.º Licínio Pina prestou à jornalista Cristina Ferreira, do jornal “Público”, no dia 12 de Fevereiro, fez questão de sublinhar que “o actual enquadramento legal o inibe de ter uma actuação mais eficaz” e que “lhe faltam os instrumentos para suspender de imediato os administradores das Caixas associadas”. Uma falsidade que importa que merece ser investigada e esclarecida pelas entidades reguladoras competentes e pelos tribunais.

Segundo um ex-funcionário da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Benavente, que fez questão de solicitar o anonimato, “o senhor Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa e o presidente do Conselho de Administração da Caixa Central, Licínio Pina, têm muitas culpas pela situação que se vive em Salvaterra de Magos e em muitas outras caixas do país. As queixas e denuncias têm sido feitas há muitos anos, mas pelos vistos as investigações e auditorias isentas são ignoradas. Mas alguém tem dúvidas sobre o conflito de interesses que existe na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente?”.

“Quando é que o Ministério Público e o Banco de Portugal decidem investigar o património absurdo e inexplicável de José Manuel da Silva Ferreira Moreira e dos seus familiares mais directos? O mesmo se passa em relação ao seu irmão António da Silva Ferreira Moreira, presidente da Mesa da Assembleia Geral e dos filhos? Estão à espera que quê para actuar?”, questiona um funcionário de um dos balcões do Crédito Agrícola de Benavente.

Uma das fontes de informação do RibatejoNews fala de vários casos de Bullying na Caixa de Crédito Agrícola de Salvaterra de Magos e Benavente
Foto: D.R

“Também era bom que as entidades competentes apurassem as verdadeiras razões que levaram José António Cardoso Felisberto a deixar a sua carreira como advogado e dedicar-se á administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos? E aproveitem para apurar quantos funcionários têm vindo a ser vítimas de Bullying nos últimos 10 anos! Ouçam as pessoas e especialmente os associados  da instituição”, esclareceu a nossa fonte de informação.

Acontecimentos que podem dar um bom filme

Quer o processo que está a decorrer em Salvaterra de Magos quer o processo de intervenção que foi levado a cabo na Caixa de Estremoz e que está a ser julgado no Tribunal Administrativo de Beja desmentem claramente o que foi defendido por Licínio Pina ao jornal Público.

Em Estremoz iniciou-se um inquérito em 20/10/2019 e em 20/12/2019, já tinham sido intervencionados ao abrigo do art.º 77, com acompanhamento de uma Delegada da Caixa Central com poderes de veto. Uma delegada que até teve poderes e instrumentos para suspender a suplente do Conselho de Administração, Dr.ª Iva Russo.

“Provavelmente o que desejaria essa delegada era ter um poder absoluto e discricionário para não ter que dar satisfações a ninguém, incluindo ao Banco de Portugal e aos Tribunais”, afirmou ao RIBATEJONEWS um funcionário da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Estremoz.

“As situações anómalas que se vivem na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente há algumas décadas a esta parte e que são sobejamente conhecidas pelo Banco de Portugal, pela Caixa Central e pelo Ministério Público, continuam a aguardar uma intervenção séria e rigorosa para se pôr um ponto final a uma rede familiar que tomou conta da instituição sem prestar contas aos associados”, disse ao RIBATEJONEWS um ex-funcionário da cooperativa de crédito administrada por José Manuel da Silva Ferreira Moreira.

“Cinco dias depois de uma Assembleia Geral Ordinária que terminou com a GNR de Salvaterra à porta, foi entregue pessoalmente uma queixa/denúncia na Caixa Central que Licínio Pina diz não se recordar de ter recebido. É muito estranho! Talvez tenha sido por causa de lhe retirarem o apoio emocional da sua esposa. Ou será que Licínio Pina quer passar um atestado de estúpidos aos associados que se têm manifestado contra estas anomalias?”, questiona a nossa fonte de informação.

O presidente do Conselho de Administração da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, Eng.º Licínio Pina reconheceu publicamente o seguinte: “A minha esposa é há mais de 36 anos o meu factor de equilíbrio e sempre me ajudou. Quando aceitei este desafio coloquei como condição tela ao meu lado”. Não se conhece um caso semelhante nos anais históricos da banca portuguesa.

O RIBATEJONEWS sabe que Licínio Pina entrou para administrador da Caixa Central em 2004 com o Dr.º Costa Pinto como Presidente do CAE. O Eng.º Licínio aceitou o desafio para ser Presidente do CAE da Caixa Central em 2013. Exerce essa função desde essa data. A condição de “ter a sua esposa ao seu lado” só se concretizou em 2016. “Um interregno inexplicável ou a exigência não coincidiu com a aceitação do desafio?”, questiona um funcionário da Caixa Central.

Sobre as investigações efectuadas na Caixa Agrícola do Baixo Mondego diz o Eng.º Licínio Pina que: “A auditoria levou à saída da administração do filho do Presidente”.

Só que a questão não se resume apenas e só à saída de administrador do filho do Presidente da Caixa Agrícola do Baixo Mondego, já que se encontrava numa situação de ilegalidade, mas sim saber porque foi permitida pela Caixa Central (Licínio Pina) a sua candidatura e a sua aprovação para o cargo de Administrador. E também importa saber porque é que o Banco de Portugal fez o seu registo como administrador da Caixa.

Segundo o RIBATEJONEWS pode comprovar através de um funcionário da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, “o presidente da Caixa Agrícola do Baixo Mondego, Cachulo da Trindade, é um dos mais incondicionais e fervorosos apoiantes do Eng.º Licínio Pina. Foi membro, em vários mandatos, do Conselho Geral e Supervisão estando agora, neste mandato, como membro do Conselho
Superior. O Eng.º Licínio “esqueceu-se” de esclarecer que o filho do presidente da Caixa se mantém como funcionário da mesma, onde ocupa um alto cargo de chefia e que também representa a Caixa Agrícola do pai no Conselho Geral e Supervisão de uma das companhias de seguros do Grupo. Podia também ter acrescentado que a nora do presidente da Caixa é funcionária na Caixa Central. Os amigos são para as ocasiões e favores com favores se pagam.”

Carlos Courelas da Caixa de Pombal

Enquanto Presidente do CGS e apoiante do Engº Licínio Pina, Carlos Courelas nunca teve problemas. Será curioso verificar quais as acusações que vão ser postas em cima da mesa, quais as datas das suas ocorrências, as gavetas onde estiveram escondidas e o porquê do seu aparecimento só agora. Parece ser estratégia do Engº Licínio Pina guardar os podres que se vão descobrindo para
condicionar os administradores das Caixas à sua estratégia de tomada de poder e de posteriormente os utilizar para correr com os que já não lhe interessa.

Caixas a serem investigada: Alto Douro, Costa Azul, Azambuja, São Teotónio e Póvoa de Varzim

Curiosamente são todas Caixas muito críticas, talvez com a excepção da Póvoa de Varzim, em relação ao desempenho do Engº Licínio e da Caixa Central. “Os seus dirigentes são pessoas bem cotadas nas suas comunidades e no Crédito Agrícola e com ideias próprias para o futuro do Crédito Agrícola enquanto Cooperativa de Crédito Mutualista. Perigosas para as intenções hegemónicas da Caixa Central e do Engº Licínio Pina”, confirmou a nossa fonte na Caixa Central.

Coruche, Entre Tejo e Sado, Algarve e Coimbra

Estas Caixas foram intervencionadas devido essencialmente a graves problemas
financeiros. Basicamente pode dizer-se que estavam falidas. Segundo o regime jurídico as intervenções devem ter a duração de um ano e em condições excepcionais serem prorrogadas por mais um ano. As intervenções servem essencialmente para que a Caixa Central equilibre as contas das Caixas intervencionadas.

A Caixa do Algarve está há mais de 20 anos intervencionada. A que está há menos tempo intervencionada é a de Coruche, cerca de 6 anos. A conclusão óbvia é que a Caixa Central é totalmente incapaz de resolver os problemas existentes nas Caixas Intervencionadas não tendo criado as condições necessárias para as desintervencionar e as devolver aos sócios.

“Por incompetência e/ou por interesse. Os gestores destas Caixas são funcionários da Caixa Central, nomeados por esta. Usufruem de chorudos vencimentos e de outras regalias pelo que não lhes convém, de todo, solucionar os problemas que levaram à intervenção. Por outro lado, a CaixaCentral também lhe interessa manter o controlo destas Caixas, que naturalmente, apoiam e votam sempre ao seu lado”, esclarece a fonte do RIBATEJONEWS na Caixa Central.

“Incompreensível é a passividade ou cumplicidade do Banco de Portugal na manutenção de todas estas situações”, afirma o funcionário da Caixa Agrícola de Benavente.

A intervenção levada a cabo na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Estremoz é um verdadeiro “case study” bancário
Foto: D.R

Estremoz – um verdadeiro “case study” de gestão bancária

No Jornal Público de 12/02/2020 foi referido “o que também se fez em Estremoz depois de, após queixa, ter identificado operações de branqueamento de capitais ligadas a decisões da gestão”.

“Esta informação prestada ao Público é completamente falsa. O inquérito final
apesar de estar pejado de mentiras e falsidades não identifica nenhuma situação de branqueamento de capitais provenientes de decisões da gestão. E não identifica quaisquer irregularidades porque não as há. Esse pretenso inquérito considera abusivamente que o dinheiro transferido do México para a
conta da filha do João Margalho é indício de branqueamento de capitais deste gestor. Um absurdo que está a ser julgado no Tribunal Administrativo de Beja. Não havendo um único motivo válido e legal que permitisse a intervenção da Caixa Central em Estremoz. Inventaram-se situações fictícias que serão desmontadas nos processos judiciais que estão a decorrer neste momento”, afirmou um funcionário da Caixa Agrícola de Estremoz ao RIBATEJONEWS.

Uma notícia publicada no semanário “Expresso” diz que o Grupo Crédito Agrícola (CA) teve, de 2014 para cá, 6 processos de contraordenação por branqueamento de capitais. O “Expresso” consultou quatro processos que envolviam a Caixa Central, a Caixa de Alcobaça, a Caixa do Ribatejo Norte e a Caixa de Silves. A
Caixa Central foi condenada por infracções praticadas com dolo. As três Caixas foram condenadas por infracção a título negligente. A Caixa Central não produziu qualquer oposição e pagou as coimas.

“Compreende-se. Quanto mais se mexe na porcaria pior cheira. Não me
consta que alguém da Caixa Central tenha sido responsabilizado pelas irregularidades cometidas. Nada consta em relação à Caixa de Estremoz e de certeza que a Caixa Central bem procurou e desejaria encontrar qualquer coisinha por mínima que fosse”, afirmou ao RIBATEJONEWS a nossa fonte na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo alentejana.

Reportagem de José Peixe – Jornalista e Editor do RibatejoNews

 

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