Opinião

Opinião – “Pega de Caras”: Un’unione di credito, una famiglia e un gruppo di amici

Depois do filme "O Irlandês" o realizador Martin Scorsese tem na Cooperativa de Crédito Agrícola de Salvaterra de Magos e Benavente todos os ingredientes para fazer uma longa metragem sobre o conflito de interesses que existem nesta instituição bancária. E certamente que podia ser candidato a alguns óscares.

Hoje, a Cooperativa de Crédito Agrícola Mútuo de Salvaterra de Magos e Benavente mereceu algum destaque mediático pelas piores razões. Há mais de 10 anos que um grupo de associados da instituição tem vindo a reivindicar mais transparência e democracia na convocatória das eleições, uma gestão que não fique “ad ethernum” numa família que há mais de 40 anos se instalou numa cooperativa de crédito que tem vindo a ser desvirtuada.

“O conflito de interesse é algo tipificado na lei e, enquanto tal, é totalmente acatado” pela Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos, assegurou ao jornal Público o presidente do Conselho de Administração, José Manuel Moreira, para quem “outra questão são as pessoas ligadas à família Moreira a colaborar” com a instituição. Quem conhece bem a história desta cooperativa de crédito, sabe perfeitamente bem que isso não corresponde à realidade. E com o decorrer do tempo, nós aqui no RibatejoNews vamos trazer a lume algumas reportagens que comprovam o que hoje foi aflorado pela Comunicação Social.

José Manuel Moreira também teve a coragem de dizer à jornalista Cristina Ferreira que “dos 51 colaboradores”, apenas trabalham na caixa de Salvaterra de Magos “dois sobrinhos meus com funções de quadros médios da CCAM (um deles é sobrinho, por estar casado com uma sobrinha), ambos admitidos por concurso, muito antes de eu ser presidente da CCAM”, função que José Moreira (que entrou para o grupo em 1975) ocupa desde Março de 2013. Mais uma mentira. Mas o jornalismo existe para desmascarar estas situações!

Porque é que José Manuel Moreira não se demite das suas funções uma vez que tem uma reforma choruda? Porque não explica todo o património que absorveu ao longo dos últimos 40 anos e que algum dele até se encontra registado no nome de familiares chegados? Esta situação acontece por causa de uma cegueira chamada Ganância.

O presidente da cooperativa de crédito agrícola mútuo ribatejana saiu ainda em defesa do irmão António, ex-administrador e actual líder da mesa da AG, que sempre “desempenhou a função de forma isenta e não tem, até agora, havido contestação à sua condução”. Trata-se, refere, de alguém “com elevado prestígio local” e que “foi presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos durante catorze anos, de onde saiu há cerca de 25 anos.” Mais uma mentira! E porque não falou dos episódios em que a Polícia Judiciária esteve no terreno? Porque obviamente não interessa.

Sobre os anos em que António Ferreira Moreira foi presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos ainda existem muitos assuntos que devem ser investigados. Nomeadamente os lotes de terreno que foram vendidos nas Sesmarias de Salvaterra de Magos, onde foram enganados algumas dezenas de emigrantes. Mas existem tantas outras histórias para investigar.

E quando José Manuel Moreira, o seu irmão António e o ex-jurista José Felisberto (agora também ele administrador da caixa e com um salário chorudo!) acusaram Manuel Abade Gonçalves e eu próprio de terrorismo contra a Caixa de Crédito Agrícola e avançaram com um processo criminal para nos “esmifrar”? Isso foi apenas e só há dois anos.

Aliás, José Felisberto deu-se ao luxo de se deslocar até Muge para ameaçar Manuel Abade Gonçalves um homem que tem idade para ser pai dele. Como é que um advogado pode descer a um nível desses? Na Assembleia Geral Ordinária do dia 7 de Dezembro, percebeu-se que esse acto estava a ser pago. José Manuel Moreira convidou José Felisberto para a administração da Cooperativa de Crédito Agrícola e ele abandonou a advocacia. Enfim…

Só que o Tribunal da Relação de Évora acabou por nos dar razão e condenar a própria Cooperativa de Crédito. Quanto é que custou esse processo à Caixa Agrícola? É fácil avançar com processos e pagar quantias astronómicas a uma sociedade de advogados quando é a instituição a pagar. Mas agora chegou a altura de todos aqueles que caluniaram serem chamados à Justiça a título pessoal.

Para concluir atrevo-me a pegar nas palavras de José Manuel Moreira sobre os estatutos da Caixa Agrícola de Salvaterra:

“A Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos está dotada de um pormenorizado Regulamento Eleitoral, integralmente respeitado na convocação e condução da Assembleia Geral”, defende José Moreira, o “que será demonstrado à Caixa Central e ao Banco de Portugal (também ao tribunal, se aí chegar), se e quando formos interpelados nesse sentido”.

É verdade. Ao logo de todos estes anos José Manuel Moreira, o seu irmão António Ferreira Moreira e o ex-advogado José Felisberto conseguiram “blindar” os Estatutos da Cooperativa de modo a que eles continuem a administrar a instituição até morrerem.

Só que desta vez os Media estão atentos a tudo o que passa nos bancos portugueses. Esperemos que o Banco de Portugal faça o seu trabalho e o Ministério Público também. Em relação à Caixa Central e ao Eng.º Licínio Pina, está tudo dito. Poupemos a prosa para outras denúncias. Porque afinal de contas existem muitos associados que estão descontentes com tudo o que se tem passado na Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos e Benavente. Não são apenas dois ou três como diz José Manuel Moreira.

Para o realizador de cinema Martin Scorsese deixo-lhe apenas uma sugestão para a sua próxima longa metragem: Un’unione di credito, una famiglia e un gruppo di amici.

José Peixe – Jornalista Profissional e editor do RibatejoNews

 

 

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