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Saúde: Existe uma sede muito grande de viver depois de surgir um cancro

Dia Mundial da Luta Contra o Cancro: Aos 23 anos, foi-lhe diagnosticado cancro da mama. Com um filho de cinco e “muitas coisas para fazer”, Lara Silva, gestora financeira de Setúbal, decidiu abraçar a tranquilidade e “não dar muita importância” às consequências da doença. “Só porque tenho cancro não quer dizer que esteja todos os dias mal.”

No Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, o suplemento “P 3 – Jornal Público” publica uma Entrevista notável que a jornalista Mariana Durães fez a Lara Silva, uma gestora financeira natural de Setúbal, que tem uma força enorme de viver. Uma Entrevista para ser lida até ao fim.

Lara Silva é bem o exemplo de uma mulher “Guerreira” Foto: D.R

Em meados de Janeiro de 2019, reparei que tinha um ligeiro inchaço no peito. Era uma bolinha muito pequenina, à qual não dei grande importância no meio da azáfama do trabalho. Os meses foram passando, eu tocava no peito e às vezes sentia a tal bolinha, outras vezes não. Só que a tal bolinha, como eu lhe chamava, foi crescendo até ficar de um tamanho considerável. Houve um casal amigo que basicamente me obrigou a ir ao médico. Fui à médica de família e ela passou-me uma ecografia mamária. O resultado foi inconclusivo. Fiz uma biópsia e três semanas depois chegou o resultado: um cancro maligno na mama.

Perguntei ao médico se iria fazer quimioterapia, a priori já sabia que ia perder o cabelo, mas perguntei só para confirmar. Quis saber até que ponto os tratamentos me iriam deixar condicionada porque tenho um filho com cinco anos e não poderia deixar de cuidar dele.

Essa foi a minha preocupação inicial. O resto já sabia mais ou menos como é que iria ser. Ou achava que sabia. A minha avó teve cancro e eu tinha uma pequena ideia. Mas cheguei à conclusão que eu não conhecia assim tanto da doença. Nunca estive tão presente e era demasiado nova para perceber o quanto o cancro nos impossibilita.

À minha família e amigos, dei a notícia de uma forma muito prática: liguei-lhes, disse que tinha cancro, que era maligno e que iria ter que fazer quimioterapia. Não preparei ninguém para contar. A maior parte das pessoas que estava à minha volta já tinha noção de que poderia ser algo grave. Assim como eu. Mas elas sabem que ao pé de mim não podem demonstrar grandes tristezas porque eu não gosto.

Fonte: Jornal “Público”

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