Salvaterra de Magos

Glória do Ribatejo: o que se vai fazer nas passagens de nível sem guarda?

Ivone Fonseca fazia o trajecto habitual para ir buscar uma funcionária do lar que explorava em Foros de Salvaterra. Mas ao cruzar a linha férrea à entrada de Glória do Ribatejo, o jipe que conduzia foi abalroado por um comboio de mercadorias. O veículo completamente desfeito.

Depois do acidente trágico que vitimou Ivone Fonseca (75 anos), natural dos Foros de Salvaterra, na passagem de linha sem guarda nas Janeiras de Baixo (Glória do Ribatejo), as centenas de pessoas que todos os dias têm que atravessar a linha de caminho de ferro para se deslocar para os seus trabalhos sentem uma certa revolta pelo facto das Infraestruturas de Portugal (IP), Refer  e os autarcas do concelho de Salvaterra de Magos ainda não terem avançado com uma solução de modo a evitar acidentes como o de ontem.

Mas este problema das passagens de nível sem guarda não inquieta apenas e só a população de Glória do Ribatejo. «É preciso deixar bem claro que as travessias ferroviárias das Janeiras de Baixo e das Janeiras de Cima não são utilizadas apenas pelos glorianos. Se as autoridades se derem ao trabalho de fazer um estudo quantas pessoas passam por estas travessias, tenho a certeza que ficarão surpreendidos», disse ao “RibatejoNews”, António Rodrigues que mora no Granho Novo.

No dia em que ocorreu o abalroamento do jipe de Ivone Fonseca, percebeu-se claramente que os presidentes da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio e da união de Freguesias da Glória do Ribatejo e Granho, João Batista Oliveira ficaram apreensivos.

«Acho que devemos encontrar uma plataforma de entendimento para encontrar a melhor solução para estas três passagens de caminho de ferro sem guarda que existem na freguesia da Glória do Ribatejo”, esclareceu o autarca gloriano, João Batista Oliveira.

O presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio fez questão de admitir já por diversas vezes que «existe um projecto para fazer a travessia aérea das vias férreas no concelho de Salvaterra de Magos, mas que enquanto tal não vier a acontecer, urge dotar estas vias secundárias com mais condições de segurança uma são utilizadas diariamente por centenas de pessoas».

Mas importa reflectir que nesta linha de Vendas Novas não circulam apenas e só comboios de mercadorias com carvão para a Central do Pego ou com veículos automóveis. Este troço ferroviário vai ser cada vez mais utilizado para transportar cisternas de matérias perigosas e altamente inflamáveis do Porto de Sines.

Esse alerta foi feito ao “RibatejoNews” por um bombeiro que esteve no local do acidente que vitimou Ivone Fonseca, mas que solicitou o anonimato: «É bom que as pessoas tenham consciência que com a ligação a Espanha e com o Porto de Sines a registar cada vez mais movimento de cargas, esta linha que liga o Setil a Vendas Novas vai ter cada vez mais movimento de mercadorias perigosas a circular. E se um dia ocorre algum descarrilamento de um comboio na vila de Marinhais ou na Glória? Será que temos meios à altura para combater uma catástrofe dessa natureza?».

Ou seja, não terá que haver mais mortes nas passagens de nível sem guarda, para que se encontrem soluções para este problema.

«É verdade que existe um movimento de cidadãos no concelho que está contra o encerramento de algumas destas passagens, mas não se pode entrar em radicalismos absolutos nesta matéria, porque o mais importante é garantir a segurança de quem é obrigado a passar ali todos os dias para ganhar o pão de todos os dias. Talvez essa segurança passe pela aposta em passagens aéreas na Fajarda, Glória do Ribatejo e Marinhais», afirmou á nossa reportagem Ivone Sequeira, residente nos Foros de Salvaterra.

O “RibatejoNews” sabe que nos próximos dias a Refer vão encontrar-se com os autarcas da Glória do Ribatejo e Salvaterra de Magos, no sentido de se avançar com alguns projectos que já estão mais do que estudados.

PAZ é o nome da locomotiva que vitimou Ivone Fonseca na passagem de nível sem guarda nas Janeiras de Baixo – Glória do Ribatejo. E deve ser em Paz e sem radicalismos extremados que se deve encontrar uma solução para estas passagens ferroviárias sem guarda nem o mínimo de segurança para as pessoas.

José Peixe – Jornalista e Editor do “RibatejoNews”

 

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