Salvaterra de Magos

Banca: Licínio Pina (Caixa Central) continua a ignorar a queixa dos associados de Salvaterra de Magos

No passado dia 7 de Dezembro, pelas 8 horas da manhã, teve lugar uma Assembleia Geral Ordinária nas instalações da Cooperativa de Crédito Mútuo da Caixa Agrícola dos Foros de Salvaterra, onde se discutiram e votaram várias propostas para o ano de 2020. Algumas dessas propostas foram muito contestadas por muitos associados.

Uns dias depois da Assembleia Geral Ordinária, que contou apenas com 51 associados num universo de 8 mil (sendo a maioria deles funcionários da instituição!), dois sócios entregaram nas instalações da Caixa Agrícola Central uma queixa, endereçada a Licínio Pina a impugnar o que tinha ocorrido nos Foros de Salvaterra.

Mas a verdade é que até agora o presidente do Conselho de Administração da única Cooperativa de Crédito Agrícola Mútuo da Caixa Agrícola Central, Licínio Pina, não se dignou dar uma resposta a esses dois associados.

No jornal “Público” de hoje, a jornalista Cristina Ferreira escreveu uma reportagem que demonstra como estão as coisas na Caixa Central, envolvendo desta vez a ex-vice presidente do Banco de Portugal e actual comissária europeia Elisa Ferreira e que o “RibatejoNews” publicou na íntegra.

Segundo um funcionário da Caixa Central com quem mantivemos contacto esta manhã e que solicitou o anonimato, os associados que apresentaram queixa a impugnar a Assembleia Geral Ordinária que ocorreu nos Foros de Salvaterra no dia 7 de Dezembro, “jamais vão obter uma resposta de Licínio Pina e pela razão de que ele é muito amigo de José Manuel Silva Ferreira Moreira”.

José Manuel Silva Ferreira Moreira, actual presidente do conselho de administração da Caixa Agrícola de Salvaterra e Benavente é muito amigo do Eng.º Licínio Pina
Foto: D.R/Facebook

“Apesar de o representante da Caixa central ter apurado que todos os requisitos foram respeitados, a verdade é que se constata que vários gestores da Cooperativa de Crédito Mútuo da Caixa Agrícola de Salvaterra e Benavente incorrem em situações de conflito de interesse. Essa Caixa Agrícola está entregue a uma família há muitos anos e o Banco de Portugal e a Caixa Central não pode fechar os olhos a esta situação que viola os princípios mais basilares que regem a actividade bancária em Portugal”, esclareceu a nossa fonte na Caixa Central.

Na edição do “Público” pode ler-se que o “O Eng.º Licínio Pina tem imposto regras de actuação, de detectação e de reporte de casos de conflitos de interesse às caixas agrícolas, o que está a levar a uma maior profissionalização”.

O que na verdade não tem acontecido na Cooperativa de Crédito Mútuo Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos e Benavente que há mais de 30 anos que é administrada tem sido administrada por uma família que pelos vistos mantém uma amizade de longa data com o Eng.º Licínio Pina.

Paralelamente à queixa que apresentaram na Caixa Central ao cuidado de Licínio Pina, os dois associados da Caixa Agrícola de Salvaterra e Benavente também apresentaram uma queixa a solicitar a impugnação da Assembleia Geral Ordinária e a tomada de posse do novo conselho de administração ao Governador Banco de Portugal, Carlos Costa. Que até agora também ainda não respondeu.

As propostas que foram mais contestadas por alguns associados na Assembleia Geral Ordinária da Cooperativa de Crédito Agrícola Mútuo da Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos e Benavente, no dia 7 de Dezembro, foram exactamente as deliberações sobre a política de remuneração dos órgãos de administração e fiscalização da instituição para o ano de 2020.

A votação da alteração de 17 artigos dos Estatutos da Cooperativa de Crédito também foi um dos pontos mais polémicos e que mereceu a contestação de alguns associados que decidiram contestar através de documentos redigidos manualmente e entregues ao presidente da Mesa da Assembleia Geral, António da Silva Ferreira Moreira, que se comprometeu enviar cópia desses documentos por carta registada, o que até ao momento ainda não aconteceu.

A eleição dos membros da Mesa da assembleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal da Cooperativa de Crédito da Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos e Benavente para o triénio de 2020 – 2022 foi um dos pontos mais quentes da assembleia.

Licínio Pina não se dignou responder aos dois associados que apresentaram um documento na Caixa Central a solicitar a impugnação da Assembleia Geral Ordinária
Foto: D.R

Houve um grupo de 10 sócios que votaram contra a reeleição de José Manuel da Silva Ferreira Moreira (irmão do presidente da Mesa da Assembleia Geral) e tio de Adalberto Silva Ferreira Moreira Moreira Cadete, do Conselho Fiscal.

Houve um associado que apresentou ao presidente da Mesa da Assembleia Geral, António da Silva Ferreira Moreira, um requerimento manuscrito a solicitar a anulação da Assembleia Geral Ordinária (existem vários associados que podem testemunhar isso mesmo!). Ficaram de lhe enviar uma cópia carimbada e assinada. Até hoje nada.

“Todos os associados que entregaram a contestar as eleições e a assembleia geral nunca mais vão receber nenhuma cópia dos documentos que entregaram ao presidente da Mesa da Assembleia Geral por uma razão muito simples: é ele e o irmão que controlam a Caixa Agrícola em Salvaterra de Magos e Benavente”, esclareceu esta tarde um funcionário desta instituição bancária ao “RibatejoNews” e que solicitou também ele o anonimato. Por razões mais do que óbvias.

Sobre a presença de muitos funcionários na Assembleia Geral Ordinária, o mesmo funcionário afirmou o seguinte: “Era bom que alguém do Banco de Portugal se dignasse a ver quantos funcionários e familiares directos dos irmãos Moreira estiveram presentes. Sei que a maioria dos colegas foram intimados por José Manuel Moreira a estarem presentes.”

“Também seria bom que os jornalistas investigassem o património dos irmãos José Manuel Moreira e António Moreira. Mas não apenas deles. Também os dos seus descentes. Existe muita coisa para investigar na Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos e Benavente”, confirmou a nossa fonte de informação.

Esta semana alguns sócios vão voltar a apresentar um requerimento na Caixa Central e no Banco de Portugal, endereçados aos Conselhos de Administração e a Licínio Pina e Carlos Costa.

José Peixe – Jornalista Profissional e Editor do “RibatejoNews”

 

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