Opinião

COP – 25: Uma cimeira do clima que envergonha todos os ambientalistas

A maioria das organizações ambientalistas internacionais que marcaram presença na Cimeira COP – 25, dedicada ao Clima e organizada pelas Nações Unidas consideram “pouco positivo” o resultado da cimeira do clima, que terminou no domingo em Madrid.

Muitas delas acusaram os Estados Unidos, China, Austrália e o Brasil de proteger interesses económicos e de não se preocuparem com as alterações climatéricas anormais que se registam um pouco por todo o Mundo.

Como jornalista profissional e ambientalista considero que a COP – 25 que teve lugar em Madrid foi manipulada por alguns políticos que estão ao serviço das indústrias poluentes e por gente que se recusa a ouvir os pareceres científicos que têm sido feitos nos últimos 20 anos.

Mais, considero que o texto aprovado em Madrid viola alguns princípios ambientais básicos que foram aprovados na Cimeira de Paris (COP – 21).

Os países mais poluidores não podem continuar a criar entraves à maioria das nações que estão disponíveis para diminuir o aquecimento global
Foto: D.R

Em Madrid os principais países poluidores “recuaram” nos compromissos de aumentar a ambição até 2020 e os países ricos “recusaram” a promessa de fornecer financiamento para perdas e danos. Ou seja, foi uma VERGONHA o que passou na COP – 25.

Os ambientalistas lembraram ainda que, durante a COP-25, a União Europeia “disse repetidamente que deseja dar o exemplo” e que, para provar a sua sinceridade e liderança na implementação do Acordo de Paris, “precisa de aumentar substancialmente a sua promessa climática para 2030 através de metas de redução iguais ou preferencialmente mais elevadas” que 55% entre 1990 e 2030, nos primeiros meses de 2020. Mas e os países mais poluidores o que disseram? O que prometeram? NADA.

Rigorosamente NADA. E isso foi um fracasso total.

Na minha opinião singela a portada de oportunidade para se alcançar o objectivo de 1,5°C do Acordo de Paris está rapidamente a fechar-se e isso vai ser a própria Natureza a demonstrá-lo nos próximos tempos.

“Depois de um ano em que o mundo assistiu a uma mobilização sem precedentes pedindo urgência na ação climática, os líderes da COP25 falharam em intensificar a ação climática de acordo com o objetivo de 1,5°C do Acordo de Paris”, acusaram os ambientalistas, considerando que a COP25 ofereceu aos governos a “oportunidade perfeita” para elaborar em detalhe planos para aumentar até 2020 a ambição nacional climática e que “esses planos deveriam descrever a resposta dos governos à emergência climática e à ciência climática e como iniciarão a transformação social”.

Uma verdade científica que continua a incomodar muita “gentalha” que não olha a meios para atingir lucros chorudos. O mundo da “ganância” venceu a Cimeira Climática de Madrid. O próprio António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, reconheceu isso publicamente.

Ficou MUITO CLARO em Madrid que é “cada vez maior” a diferença entre o que as pessoas exigem por um futuro seguro para o clima e o que os líderes estão dispostos a fazer “à medida que as emissões aumentam, a produção de combustíveis fósseis se expande e os impactos são mais dramáticos”.

“Atolados por negociações de má-fé que colocam a política e os interesses dos combustíveis fósseis acima das pessoas e do planeta, muitos países – liderados pelos Estados Unidos, Austrália e Brasil – mais uma vez expuseram a sua apatia ao sofrimento de milhões e uma rejeição voluntária da ciência”, denunciaram em comunicado conjunto divulgado aos jornalistas, os responsáveis das organizações ambientalistas da OIKOS e da ZERO.

No que respeita a Portugal, a ZERO, liderada por Francisco ferreira, afirma que é preciso acelerar o ritmo de implementação das políticas climáticas, antecipar objetivos e ser coerente nas ações para salvar o planeta de um aquecimento global excessivo.

Mas também se notou na Cimeira de Madrid uma certa ausência de liderança negocial à escala mundial. E isso pressiona ainda mais a União Europeia a apresentar uma meta de redução de emissões para 2030 substancialmente mais alta no início de 2020, de modo a convencer outros grandes emissores como a China e abrir caminho a um aumento da ambição global na COP26, do próximo ano, agendada para Glasgow, na Escócia.

Resumindo e Concluindo: ou os países que mais poluem se chegam à frente e se põem de acordo com as metas traçadas pela União Europeia (e outros!) ou os resultados do próximo ano em Glasgow ainda vão ser piores.

José Peixe – Jornalista Profissional e Editor do “RibatejoNews”

 

 

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close