Opinião

Opinião “Pega de Caras” – Contra o Fascismo e a Injustiça Sempre!

Recordar é viver
CONTRA O FASCISMO E A INJUSTIÇA SEMPRE!

Já passaram sete anos. O tempo voa à velocidade da luz. Hoje, quero recordar o dia em que dediquei um “post” ao meu avô paterno, Estêvão Peixe.

Na altura, Passos Coelho era o primeiro ministro e viviam-se tempos muito difíceis em Portugal. E no Mundo.
Um homem que não tive o privilégio de conhecer. Faleceu poucos meses depois de eu ter nascido.
Uma prosa que continua actual. Vamos lá recordar!
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AGONIA E MISERABILISMO
Prosa dedicada ao meu avô Estêvão Peixe:

“Sou singeleiro e nunca fui à escola. Não sei ler nem escrever. Vivi sempre das sementes que lançava à terra.
Sou dos tempos das jornas e do farnel aviado para Alcamé ou para a Ponta d’Erva.

Eu e os meus filhos (4 raparigas [Rosa, Juliana, Helena, Maria] e 1 rapaz [Manuel]) passamos muito. Nós e a maioria dos portugueses.

Mas a capoeira e o pocilgo nunca nos deixaram ficar mal. A salgadeira tinha sempre carne em abundância e o fumeiro era um prazer olhar para ele.Sempre farto.

A patroa (Maria Fina) fazia fornadas e pão que dava para repartir com os vizinhos que viviam comigo aqui nos Bebedouros. Um lugar maravilhoso da Charneca Gloriana. Onde a Natureza e toda a biodiversidade envolvente nos abençoava a vida.

Sou do tempo da sardinha dividida para três e o trabalhar de sol a sol.

O Salazar foi um malandro. Um ditador diziam, mas eu nem sequer sei o que significa isso. Talvez seja alguém que dite ditados e os outros escrevem. Será?

Salazar na companhia do seu amigo Cerejeira. Tempos que não se devem esquecer
Foto: D.R

É melhor tar calado. A política fez-se para malandros e não para singeleiros.

Mas eu só vim aqui para dizer que esta sociedade agora é muito egoísta e que as pessoas assim não podem viver muito mais tempo.

Se não têm trabalho como é que conseguem pagar as despesas da casa, levar os filhos à escola e comprar comida.

Acho que este rapaz que veio de Vila Real (Passos Coelho)/é arrogante e tem a mania que sabe tudo. Só lhe falta arranjar um Cerejeira para o abençoar.

O que ele não sabe é que o poder é efémero e que ele arrisca-se a sair pelo buraco da fechadura.
Sei que quando eles saírem do Governo já têm a vidinha organizada para ganhar “rios” de dinheiro. Com os parceiros angolanos, brasileiros ou chineses.

Enquanto aqui na Charneca a vida continua a ser áspera apesar de o gado continuar manso.

Gostava que este Mundo fosse menos agonizante e não houvesse miseráveis.Um mundo mais justo. Onde se reparta a riqueza e erradique a pobreza.

Afinal de contas todos nós temos direito a trabalhar, comer e a um tecto.

Será pedir demais? É elementar caramba. Nem que esse tecto seja de adobo.

José Peixe – Jornalista e Editor do “RibatejoNews”

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