Opinião

Opinião – Em meu nome: A violência nas escolas, chumbos e o poder da ignorância

Há dias em que fico abismada com a pouca ou nenhuma vergonha que quem nos comanda tem!

Posta aqui a minha indignação inicial, quero hoje aqui deambular pela violência nas escolas (e não só entre alunos) e as estatísticas que só servem para a elaboração de projetos que visem embolsar alguns (digo milhões…) de euros dos fundos da comunidade europeia e que muitos apenas vêm complicar as vidas das Escolas e de quem lá trabalha, pois são construídos a partir de falsas premissas e apenas servem para arranjar mais uns empregos a amigos e filhos de amigos.

Começo por dizer que, felizmente, sou professora numa escola que tem conseguido manter um nível positivo de respeito entre os diferentes elementos da comunidade (também por mérito de quem lá trabalha e se esforça todos os dias por ensinar os valores que outros lhes transmitiram). São raros casos de agressão, o que não quer dizer que não existam ou que não tenham existido. Como eu costumo dizer: “Estou num cantinho do céu”.

Agora, vamos falar numa perspetiva mais global do fenómeno da violência nas escolas. Não é de hoje que existe violência nas escolas, quer aluno que agride aluno, quer aluno que agride professor/assistente operacional, quer pai/encarregado de educação que agride professor/assistente operacional ou mesmo este último, outro pai ou professor que agride aluno.

O que é recente e terá pouco mais que uma década é a perda de autoridade e, consequentemente, a falta de respeito para com os professores. Para quem tem boa memória, lembrar-se-á que foi com o famigerado governo de Sócrates e a sua ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que os professores se tornaram o bobo da corte e até o boneco de pancada de todos os portugueses. O desprestígio da classe começou muito antes, quando qualquer pessoa podia exercer a profissão (não estou a dizer que não existissem bons professores entre aqueles que não fizeram qualquer preparação pedagógica …) desde que tivesse o 9º ano ou o 12º ano.

Para este contínuo desprestígio também terá contribuído a comunicação social (muitas vezes manipulada por lobbyes partidários) que nos últimos anos tem passado a ideia que os professores ganham bem e trabalham pouco. Pois… quando se fala do que se desconhece temos tendência a cometer erros de grande monta!

O que também é recente é o descuido ou não contabilização pelos órgãos diretivos das escolas das agressões reais que acontecem dentro do espaço escola. Será porque há alguma pressão para que não se coloquem essas situações nas plataformas criadas para o efeito ou porque os próprios órgãos considerem que poderão ser postos em causa por realmente colocarem os números reais? Não sei dizer.

O que sei dizer é que o mesmo ministério que está constantemente a pedir estatísticas sobre outras situações, nomeadamente sobre o insucesso escolar e o abandono escolar, não insiste nestas. Não dão acesso a fundos europeus? Dão uma imagem real do estado da escola em Portugal e isso compromete outras ambições ao nível europeu? Também não sei responder…

Numa Escola em que uma maioria dos alunos e dos respetivos encarregados de educação consideram que só têm direitos não admira, mesmo nada, que, sempre que uns ou outros sejam contrariados, existam agressões. O que me surpreende é que não sejam tomadas medidas drásticas para acabar com as mesmas, desde a penalização criminal grave até outras mais terra-a-terra, como o ter os portões dos estabelecimentos de ensino sempre fechados (há escolas em que os encarregados de educação entram pelas mesmas dentro para irem agredir alunos ou funcionários, sem que ninguém os impeça ou lhes peça qualquer documento).

E admito que sinto uma grande indignação quando quem nos governa vem desvalorizar as constantes agressões de que são alvo diariamente muitos docentes, afirmando que nas estatísticas não há um aumento das mesmas, mas sim um aumento da indisciplina dos alunos e cansaço dos professores!

Às vezes ponho-me a meditar com os meus botões sobre o porquê de os professores serem o alvo de constantes governos, que tentam por todos os meios descredibilizá-los junto da opinião pública e vem-me sempre à cabeça que quanto mais ignorante é uma sociedade mais facilmente é manipulável. Lembra-me igualmente a famosa frase de George Orwell: “De maneira permanente, uma sociedade hierárquica só é possível na base da pobreza e da ignorância.”

E isto leva-nos a outra grande questão em debate na sociedade portuguesa da atualidade: o fim dos chumbos até ao 9º ano.

Este governo tem previsto no seu programa extinguir os chumbos até ao 9º ano, como forma de poupança de 250 milhões de euros anualmente, ou seja, é uma medida economicista. Não sei bem como explicar isto sem ferir susceptibilidades: a escola de hoje já só chumba aqueles alunos que não fazem mesmo nada! Sem chumbos, transitarão também de ano aqueles que não trabalham, faltam às aulas, agridem professores, colegas… etc…etc!

Os pais aplaudem esta medida, quando deveriam estar seriamente preocupados com a imbecilização dos seus filhos! Uma sociedade cuja educação não assenta no conhecimento, é uma sociedade pobre e facilmente manipulável! Não será este o objectivo final de uma medida tão contestada por aqueles que têm vindo a anunciar há alguns anos este caminho?!

Termino aqui com uma frase para reflexão:
– Quem não sabe construir um pensamento, não pensa e quem não pensa não é livre!

Catarina Vaz – Professora

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