Ribatejo

Grupo de cidadãos convoca vigília em solidariedade com padre afastado de Abrantes

Um grupo de cidadãos convocou uma vigília para este domingo, às 17:30, junto à igreja de São Vicente, em Abrantes, em “solidariedade” para com o padre José da Graça, afastado em Agosto pelo bispo da diocese, depois de condenação judicial.

Em comunicado, o Movimento Social de Apoio e Reconhecimento ao Cónego José da Graça (MOSAR-CJG) apela à presença de “todos (…) que nesta causa se reveem ou estão solidários com o Reverendo Cónego José da Graça, para no próximo dia 20 de Outubro [domingo], pelas 17:30, comparecerem no Adro da Igreja de S. Vicente, para uma Vigília de Apoio e expressar com calma, serenidade e elevação, a nossa solidariedade e amizade para com o nosso pastor”.

O bispo da diocese de Portalegre – Castelo Branco, Antonino Dias, tem rejeitado as pretensões destes cidadãos de Abrantes (Santarém), que constituíram o MOSAR-CJG, e que tem apelado à reintegração do padre José da Graça, de 76 anos, 34 dos quais dedicados às paróquias de São Vicente e São João, em Abrantes.

O processo de suspensão do padre José da Graça decorre da sua condenação, em 12 de Junho, a cinco anos de prisão, com pena suspensa por igual período, pelos crimes de burla qualificada, burla tributária e falsificação de documentos, num esquema que terá lesado o Estado em cerca de 200 mil euros, através do Centro Social Interparoquial de Abrantes, instituição da qual era presidente.

Em comunicado publicado na página ‘online’ da diocese, o bispo Antonino Dias confirmou que os motivos da dispensa do religioso estão relacionados com as acusações em tribunal que sobre si pendiam, tendo ainda publicado um decreto que colocou o padre José da Graça como vigário em Portalegre, e um outro decreto que nomeia o padre António Castanheira, de Alcains, para assumir as paróquias de São Vicente e São João.

O padre José da Graça, que não acatou as decisões da diocese e se tem mantido em Abrantes, recorreu para a Congregação do Clero, em Roma, ao mesmo tempo que a posição “irredutível” do bispo tem sido criticada pelo movimento MOSAR-CJG, que já se reuniu com o responsável da diocese, para o tentar demover da decisão, mas sem sucesso.

O grupo de cidadãos diz ter colocado junto da diocese a “possibilidade” de o padre Castanheira “vir [para Abrantes] e trabalhar em conjunto com o cónego José da Graça, posição que o Bispo rejeitou de imediato”, dando ainda conta de que, “esgotadas que foram as vias negociais (…) ao MOSAR-CJG não restava outra via senão acompanhar e apoiar, como sempre, a decisão do reverendo cónego José da Graça nas petições apresentadas e no recurso interposto para a Congregação do Clero, em Roma”.

Nestas circunstâncias, e enquanto se aguarda a resposta ao recurso instruído para a Congregação do Clero, o cónego José da Graça não perde o título de pároco nem o bispo pode nomear outro, mas deixa de ter qualquer responsabilidade nas paróquias em causa.

Neste contexto, o bispo diocesano anunciou a 15 de Outubro, em comunicado, a nomeação de um Administrador Paroquial “sede plena” para as Paróquias de São Vicente e de São João, do Concelho e Arciprestado de Abrantes, precisamente o padre António Castanheira, ficando com os mesmos direitos e deveres de Pároco, até à resolução final do recurso hierárquico interposto.

Nessa mesma informação publicada na página ‘online’ da diocese, o bispo Antonino Dias dá conta dos problemas jurídicos em curso e da suspensão das eucaristias de domingo nas paróquias de Abrantes, dia em haverá uma celebração na Igreja de São Vicente, às 18:00, para que o vigário geral da diocese, monsenhor Paulo Dias, apresente o padre António Castanheira à comunidade.

A vigília de apoio ao cónego José da Graça está marcada pelo grupo de cidadãos para o mesmo local, meia hora antes da apresentação do novo padre à população.

Fonte: MadreMedia/Lusa

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