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Crise Política na Catalunha: três detidos e um ferido grave após carga policial

Com o cair da noite começam as manifestações mais violentas e radicais nas principais cidades da Catalunha. Hoje, as forças policiais já alertaram os jornalistas que vai ser uma noite terrível. Pediram aos repórteres para não se exporem muito.

As “marchas pela liberdade” começaram em vários pontos da Catalunha e na tarde desta sexta-feira, 18 de outubro, desaguaram em Barcelona. A polícia já deteve três pessoas, duas delas menores de idade, e há um ferido grave, depois de várias cargas policiais que tiveram lugar no centro da cidade.

Os manifestantes, organizados em cinco colunas, foram convocados pela Assembleia Nacional da Catalunha (ANC, organização cívica independentista), com o apoio do Òmnium Cultural (outra organização cívica independentista).

O seu avanço, em etapas, desde o dia 16, visava convergir no centro de Barcelona, para onde estava prevista hoje, às 17h, uma grande manifestação, no mesmo dia em que está convocada uma greve geral.

De acordo com a imprensa regional, manifestantes autodenominados de “antifascistas” lançaram pedras e garrafas de água cheias em direção da polícia, na Via Laietana, perto do local em que se realiza a manifestação.

Um dos agentes da autoridade terá sido atingido com gravidade e teve de receber cuidados médicos, tendo a polícia de choque feito já três cargas contra o grupo de pessoas, na sua maioria jovens.

Imagens na televisão mostram que esses manifestantes pegaram fogo a vários contentores de lixo que colocaram no meio da avenida.

Marchas de protesto

As marchas partiram de Girona, Vic (Barcelona), Berga (Barcelona), Tàrrega (Leda) e Tarragona e ao longo do percurso causaram cortes intermitentes em importantes estradas da Catalunha, como a AP7 e a A2.

Segundo a Agência EFE, as marchas fizeram percursos a pé de aproximadamente 100 quilómetros até chegar à capital catalã.

As duas primeiras marchas, vindas de Vic e Berga, entraram pouco depois do meio-dia na cidade, seguindo pela Avenida Meridiana, uma das principais artérias da cidade.

A greve geral foi convocada pelos sindicatos independentistas Intersindical-CSC e Intersindical Alternativa de Catalunya (IAC), em protesto contra a condenação pelo Tribunal Supremo espanhol dos 12 dirigentes políticos.

A Unión General de Trabajadores (UGT) e a Confederación Sindical de Comisiones Obreras (CC.OO) demarcaram-se do protesto por não o terem convocado.

O El País, que está a acompanhar o protesto em direto, refere que há cerca de 20 estradas fechadas, estações de metro encerradas e dezenas de tratores nas ruas. Pelo menos 55 voos foram cancelados no aeroporto de Barcelona-El Prat devido à greve geral decretada pelos sindicatos independentistas. A maior parte das ligações aéreas (36) são da companhia Vueling que comunicou o cancelamento dos voos na quinta-feira como “medida preventiva”.

A razão dos protestos

O Supremo Tribunal espanhol condenou na segunda-feira os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha em 2017 a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, desencadeando movimentos de protesto de grupos de independentistas em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

O ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos.

Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão.

O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia.

Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

O ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, sob o qual recaía uma nova ordem de detenção e extradição, apresentou-se esta sexta-feira voluntariamente às autoridades belgas, mas foi libertado sem fiança, apesar das várias medidas cautelares.

Os factos reportam-se a 2017, sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram sedição, visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num “levantamento público e tumultuoso” para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o cumprimento das decisões judiciais.

“Os acontecimentos do dia 01 de Outubro [2017, dia em que foi realizado um referendo sobre a independência da Catalunha] não foram apenas uma manifestação ou um protesto. Foi um levantamento tumultuoso provocado pelos acusados”, referem os juízes do Supremo espanhol.

Nas últimas noites as manifestações na Catalunha, e sobretudo em Barcelona, ficaram marcadas por confrontos entre grupos violentos e as forças de segurança.

Pelo menos 100 pessoas foram detidas e quase 200 agentes da polícia ficaram feridos desde o início dos protestos.

Fonte: Sapo24 Notícias

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