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Economia: ritmo do crescimento das exportações caiu para metade

Segundo Victor Ferreira, jornalista do “Público”, as “vendas ao estrangeiro ainda crescem, mas ao ritmo mais baixo desde 2016. Na indústria transformadora ninguém esconde a apreensão com a inversão do ciclo”.

Quatro dos maiores sectores de exportação mandaram apertar o cinto de segurança. Os números do Instituto Nacional de Estatística sobre o comércio internacional de bens mostram que as vendas ao exterior da metalurgia/metalomecânica, do agro-alimentar, do têxtil/vestuário e do calçado estão a inclinar para o pior lado.

Em termos homólogos, a exportação de bens portugueses (exceptuando combustíveis) está a crescer menos em 2019 do que os crescimentos médios anuais no período da troika (2011-2014) e menos ainda do que na última legislatura (2015-2018). Calçado e têxtil/vestuário até já entraram este ano em terreno negativo. Ninguém fala em crise, mas também ninguém esconde o sentimento de apreensão. O agro-alimentar e a metalurgia/metalomecânica continuam a aumentar as vendas ao estrangeiro, mas estão notoriamente a perder gás.

Cerca de 60% das exportações do sector metalúrgico/metalomecânico é a venda de carros e seus componentes. E nem mesmo o momento singular da Autoeuropa – que atinge níveis recorde com a produção exclusiva do T-Roc (só a China constrói este modelo para a Ásia) e exporta praticamente tudo o que constrói –, aproxima estas indústrias pesadas do crescimento médio anual de 7,2% dos últimos quatro anos.

É verdade que 2019 deu dois recordes de venda (Março e Maio), mas no cômputo geral a marcha agora é mais lenta. O sector perdeu vendas nos EUA, ainda que tenha conquistado alguma coisa no Canadá e em Itália (graças às chamadas peças técnicas, cuja produção está a ser abandonada pelos transalpinos). Além disso, treme com as más notícias da indústria alemã, que regista quebras expressivas nas encomendas. “É algo que suscita forte preocupação”, confirma Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), porque a Alemanha vende tantas máquinas como carros, ou em alguns anos até mais, e por isso aquele indicador é um barómetro importante para toda a economia europeia, salienta​.

Fonte: Jornal “Público”

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