Opinião

Opinião – “Em meu nome”: Bullying e Cibersegurança: o que têm em comum?

Em primeiro lugar o mês: Outubro é o Mês da Prevenção e Combate ao Bullying e o Mês Europeu da Cibersegurança.

Mas se calhar vamos começar por tentar perceber o que significa cada um deles, para depois irmos ao que têm em comum.

Bullying o que é? Podemos defini-lo como um acto de violência ou de intimidação ou as duas coisas em simultâneo. É um acto intencional com o propósito de provocar medo, dor e/ou angústia. No entanto, nunca é um acto isolado, pois é repetido e tem duração continuada no tempo. Vejamos um exemplo, uma criança é insultada por um colega aquando de uma disputa entre ambos e é chamada de gorda. Se a situação ficar por ali, isto apenas pode ser considerado um “desabafo”, pois foi uma situação de conflito pontual. Agora, se reiteradamente este colega andar atrás do segundo a chamar- lhe gordo, já estaremos perante uma situação de bullying.

O bullying pode ser praticado por uma pessoa ou um grupo. Pode ir desde o assédio verbal ou ameaça até ao abuso físico e coação. Pode assumir variadas formas, desde o piropo ordinário até á agressão física.

Quando se fala deste tema lembro-me sempre de um jovem que conheci há muitos anos e que vivia sozinho com a mãe que se prostituía (o pai tinha desaparecido nos meandros da droga, possivelmente até morrido). Era muito inteligente, o que causava admiração nos professores e inveja nos colegas. Colegas esses que aproveitavam todas as ocasiões para o achincalhar, desde chamaram-lhe drogado constantemente até lhe baterem… Na altura, estamos a falar de há duas décadas atrás, o “bullying não existia”, mas existiram pessoas que conseguiram parar com as agressões! Este jovem teve sorte, mas todos já ouvimos várias notícias em que crianças e jovens se suicidaram por já não serem capazes de aguentar a pressão exercida.

Os “bullies” – “valentões” – justificam as suas práticas de humilhação e agressão aos mais frágeis com as diferenças de classe social, raça, religião, género, orientação sexual, aparência, comportamento, linguagem corporal, tamanho … até com facto de se pertencer a esta ou aquela família!

O bullying é praticado entre crianças e jovens e acontece muitas vezes no espaço escola (recreio, corredores, bar, refeitório, casas-de-banho). Em quase todos os países o bullying nas escolas é um problema crónico e causa, entre outras coisas, problemas de aprendizagem e afeta as relações sócio-afectivas dentro e fora da escola.

As consequências a nível psicológico são muito graves e apresentam algumas características-padrão, nomeadamente, o distúrbio do sono, problemas de estômago, transtornos alimentares, irritabilidade, depressão, transtornos de ansiedade, dor de cabeça, falta de apetite e pensamentos auto-destrutivos (como o desejo de morrer ou de auto-mutilar-se para que “aquela” dor passe).

Cabe a todos nós, pais, educadores, elementos activos da comunidade, a primeira forma de prevenção
Imagem: D.R

Mas o bullying não é só praticado em espaços físicos, também o é em espaços virtuais, como a internet e o telemóvel. E é aqui que aparece a segunda coisa em comum entre os dois termos.

Na era digital e da sociedade de informação e conhecimento, as redes sociais, a internet, o telemóvel também são utilizadas para falar mal e humilhar. E aqui aparece o cyberbullying, forma mais eficaz (pelo seu anonimato) de atacar, difamar ou coagir alguém (como por exemplo, enviando ou publicando fotografias/vídeos). Outro perigo das novas tecnologias, prende-se com os Chats, WhatsApp ou Messenger, através dos quais também se faz cyberbullying. Todos já ouvimos falar de jovens que foram ameaçadas com exposição de vídeos ou outras situações na Net.

Segundo Faria (2015:10-11), “O cyberbullying reveste-se de determinadas particularidades que o diferenciam de outras formas de bullying, nomeadamente: consistir num tipo de agressão apenas a nível psicológico e emocional; o anonimato, tanto relativamente ao agressor como à vítima, este anonimato também potencia a
alternância de papéis agressor/vítima, sendo que o agressor pode ser conhecido ou desconhecido relativamente à vítima e vice-versa; o contexto online da agressão contribui para o aumento exponencial de testemunhas do abuso quando comparado com o bullying convencional; a agressão não se limita a um espaço físico, podendo estender-se a todo um universo cibernauta, aumentando, desta forma, a exposição da vítima a um número maior de testemunhas e é ampliada, também de forma exponencial, a sensação de insegurança; é significativamente maior no cyberbullying a rapidez de disseminação de informação; e por fim, mas não menos relevante, a existência de um registo eletrónico (fotografia, filme, blogue, tweet, comentário numa rede social) que conduz à perpetuação da agressão, a qual pode ser reavivada em diferentes ciclos (…).”

Nos últimos anos a GNR e PSP, através dos seus núcleos da Escola Segura, têm potenciado de forma brilhante e positiva, nas acções de sensibilização/formações para as comunidades educativas, as várias formas de atuação correcta para que a prevenção seja sempre a melhor arma.

Cabe a todos nós, pais, educadores, elementos activos da comunidade, a primeira forma de prevenção: estarmos atentos a tudo o que os nossos filhos/alunos fazem na internet!

“Palavras não são pedras, mas se forem jogadas com força, machucam.”

Catarina Vaz – Professora

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