Benavente

Alerta Ambiental: O rio Sorraia é visto como o “depósito local de entulho”

Bastou uma breve passagem pelo Trejoito para percebemos que continuadamente o rio Sorraia é visto como o “depósito local de entulho” à semelhança de muitos, senão todos, os rios que atravessam Portugal.

À parte os inúmeros eletrodomésticos retirados do seu leito no decorrer das limpezas é possível ver ao longo das margens depósitos de entulhos de obras que vão resistindo à passagem do tempo. Poderíamos ser levados a acreditar que pelo menos durante o decorrer das acções de limpeza não se verificassem novos episódios de deposições ilegais, no entanto, a falta de respeito por quem diariamente se tem esforçado para o restauro de um curso de água tão importante como o rio Sorraia foi mais uma vez manifestada não podendo continuar a ser tolerada. Mesmo com as evidências da presença de autoridades responsáveis pela conservação dos cursos de água na área, novos depósitos de entulho proveniente de obras surgiram junto às margens do Sorraia. Estes comportamentos vêm reforçar a necessidade de devolver aos rios portugueses os seus guardas, há demasiados anos afastados. Vem reforçar a necessidade da vigilância, denúncia e responsabilização.

A luta que surgiu no movimento que se gerou em torno do rio Sorraia vai muito além da luta contra uma praga. A luta é por um todo. Pelo restauro ecológico do rio revitalizando a vida que em tempos teve. Trata-se de uma luta pela sua justa utilização quer ela seja de cariz recreativo ou económico mas acima de tudo uma luta pelo uso de um rio de forma sustentável. Depósito de obras, lixo, poluição, excesso de nutrientes, assoreamentos, diques de contenção não planeados, não cabem na equação da sustentabilidade.

Três semanas passaram após o início dos trabalhos no Rio Sorraia

Em finais de Agosto deram início as primeiras acções de remoção de jacinto-de-água que há anos se instalou no rio Sorraia cobrindo quase a totalidade do seu leito. A remoção mecânica desta infestante foi iniciada no Trejoito sob alçada da APA e com o apoio da Associação de Regantes e beneficiários do Vale do Sorraia e Bombeiros Voluntários de Benavente. Pouco mais de três semanas passadas, uma breve passagem pelo Trejoito revela bem o esforço a contra-relógio que tem vindo a ser realizado naquela que será a primeira etapa de um longo percurso. As marcas deixadas pelas máquinas são visíveis ao longo do caminho que acompanha o leito do rio, permitindo o acesso à margem em diversos pontos onde o azul da água é já visível. As redes de contenção instaladas a montante da zona de operação mecânica parecem estar a exercer bem a sua função e grande parte da massa verde de jacinto-de-água inicialmente visível neste troço foi já retirada, ainda que em detrimento de alguns salgueiros, lentiscos ou freixos. É possível perceber todo o trabalho manual que ainda se avizinha, de modo a conseguir remover os jacintos que se encontram enredados na vegetação ribeirinha e evitar assim a contínua propagação da espécie. Foi gratificante perceber a presença de indícios da passagem de lontra em alguns pontos junto à margem, indicador de que com trabalho continuado ao nível do restauro ecológico do rio Sorraia, o equilíbrio do ecossistema poderá ser retomado, a vida no rio pode voltar ao normal.

Sandra Alcobia – Bióloga

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close