CulturaSalvaterra de Magos

Cultura: “Mundus Glória Fest – 2019” termina hoje com música de Cabo Verde

“No concelho de Salvaterra de Magos, por aquela estrada cabisbaixa que une Marinhais a Coruche, está a Glória. Não conheço, em todo o Ribatejo percorrido, aldeia que irradie mais simpatia por atributo próprio”, escreveu o neorealista Alves Redol no seu ensaio etnográfico “Glória – Uma Aldeia do Ribatejo, em 1937.

Nos tempos que Alves Redol viveu na Glória a paisagem era esta: “Emoldurada por campos áridos, onde o seixo é como espiga em seara basta, não a alinda vegetação farta e ébria de cores, fio de água a murmurejar, galgando de monte, ou, ou a toalha azul do Tejo marcada de mouchões e velas”.

Hoje, as espigas não existem mais. As eiras desapareceram e as ribeiras secaram. E a aldeia está rodeada eu eucaliptais que nos rouba a água e nos deixa cada vez mais pobres.

Mas a Glória não deixa de ser o Epicentro da Cultura. E o “Mundus in Glória 2019″ prova isso mesmo.

Na Glória, a origem das suas gentes perde-se no tempo, mas é nele que se encontra e reencontra a sua originalidade, criatividade e sentido de pertença. Várias jazidas pré-históricas, já provavam a sedentarização de populações na Pré-História. A Carta de Mercês, do século XIV, já demonstra a sua importância. Documentos históricos da reconquista de Santarém, pelo rei Afonso Henriques, já falavam do recuo das populações moiras para esta zona.

O isolamento do lugar, a identidade cultural coesa e densa, as características do território, mantiveram e criaram uma forma de ver, de sentir, de ler, de representar e de interpretar o Mundo e os Homens. Os bordados são uma dessas manifestações originais, perdidas no tempo, tendo por centro a Mulher Gloriana.

Largo do Poço da Roda na Glória do Ribatejo
Foto: José Peixe/D.R

O “Mundus Glória Fest – 2019”, inicia, assim, um caminho, de diálogos interculturais e intergeracionais, entre a tradição e a modernidade, que é, ao mesmo tempo, uma forma de marcar e reforçar o processo de candidatura a património cultural imaterial dos seus bordados, um trabalho que tem vindo a ser construído pela Associação Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo e a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.

É sobretudo, também, um projecto que, tendo por centro a música e o canto, pondo a Glória do Ribatejo como um mundo em festa, cruzando várias heranças e tempos, de Portugal e do Mundo.

A noite de hoje termina com a cantora Elida Almeida, natural da Ilha de Santiago (Cabo Verde). E será em palco que Elida Almeida vai ganhar vida e revelar a força contida em cada criação da sua autoria.

A nova abordagem que imprime à cena musical das ilhas de Cabo Verde, já a distingue enquanto autora pelas diferentes inquietações sociais que retrata.

Mundus (est in) Glória.

Último dia do “Mundus Glória Fest – 2019”

21 Setembro – Sábado
17:00 – Banda Sinfónica do Exército
18:00 – Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense – Música Velha (Banda Filarmónica)
22:00 – Cantos da Glória: Rancho Folclórico da Casa do Povo
22:15 – Cantadeiras do Vale do Neiva (Cantares Polifónicos do Minho)
22:30 – Rui Oliveira (DJ e Declamador)
23:00 – Tanto Mar (Inovação sobre a música tradicional portuguesa)
00:00 – Elida Almeida (Ritmos Cabo Verdianos – Do Funaná às Mornas)

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