Actualidade

Ex-Presidente Jorge Sampaio alerta: “Estes são tempos de Vigilância!”.

No dia em que comemora 80 anos, o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, concedeu uma entrevista ao jornal “Público” onde reconhece que vivemos tempos conturbados e por isso mesmo “estes são tempos de Vigilância”.

Jorge Sampaio também afirma que “nasce o autoritarismo porque as pessoas perderam confiança”. E sobre a classe política, o ex-Presidente parece não ter dúvidas em afirmar o seguinte: “Os agentes políticos estão muito desprestigiados perante os cidadãos em geral”.

Interessante ouvir o que diz Jorge Sampaio aos jornalistas do “Público”:

https://www.publico.pt/2019/09/15/video/acho-necessarios-20190913-163624

E em jeito de aperitivo para se ler a Entrevista na íntegra, aqui ficam apenas cinco respostas do ex-Presidente, Jorge Sampaio:

Os seus amigos definem-no como um compositor de interesses, como advogado é reputado por ser um bom negociador. Passou ao lado de uma carreira diplomática?
Não tive esse problema, não quer dizer que não gostasse de ter sido, mas nem me dei ao trabalho de concorrer quando abriu um concurso porque viria, de certeza, a informação da PIDE e era só dar-lhes o trabalho de me mandarem para casa. Tive a sorte, o privilégio de estar em entidades das Nações Unidas que me deram um grande prazer. Foi uma espécie de aproximação e foi muito reconfortante.

É verdade que foi o autor do slogan “25 de Abril, sempre!”?
É inteiramente verdade. Dentro daquela festa, do desfile na Avenida da Liberdade, tinha de ser encontrada uma maneira de fazer desfilar o PC, o PS, dispersos vários, companheiros dos amanhãs que cantam. O PS teve reuniões com essas pessoas que eram sempre contrariadas pelas pessoas oficiais do PS. Ainda não estava no PS nessa altura e, dentro desse grupo de independentes, fizemos reuniões com o PC e com os tais amigos, e eu sugeri para o 25 de Abril que a única coisa que se podia dizer era “25 de Abril, sempre!”. Quem foi testemunha disso foi o Carlos Brito. Nunca mais reivindiquei a autoria.

Irritou-o a cimeira das Lajes de 2003?
Foi-me vendida como uma cimeira para a paz, melhor, que era indispensável para conseguir a paz, disse que, sendo para esse efeito, estava de acordo e que pensava que sem o acordo do Conselho de Segurança das Nações Unidas não há possibilidades de intervenção. Isso foi obliterado pelas razões que se conhecem.

Foi enganado por Durão Barroso ou os acontecimentos levaram a outro curso?
Não quero falar sobre isso, para mim isso está encerrado completamente. Cada um tem a sua tese sobre essa matéria, eu estou à vontade porque sempre ressalvei que era preciso uma declaração do Conselho de Segurança das Nações Unidas para essa intervenção. O resto, o que se passou, quem se colocou e como se colocou, quem serviu de anfitrião, está tudo documentadíssimo.

E o discurso actual das contas certas?
Acho que não há saída, e ainda bem que não há, para o que são os compromissos internacionais do país. O país não tem nem estrutura física nem produtiva para, de repente, avançar para um amanhã que canta qualquer. Tem é de gizar a sua maneira de funcionar perante os compromissos externos e o que tem que ser o seu próprio crescimento e modelo de desenvolvimento. Se quiser, para dizer de uma forma engraçada, não podemos passar a vida a correr entre Harvard e Chicago [universidades americanas que fundaram correntes económicas opostas], temos de encontrar maneiras de ultrapassar essa velha dicotomia. Além disso, pertencer ao euro, com o que tudo isso significa, é para nós fundamental. Temos feito um caminho que tem sido áspero, mas é um caminho se houver possibilidades de investimento público, políticas públicas, educação, ciência, tudo o que significa adaptar as leis do trabalho à estabilidade do trabalho, ao combate aos contratos precários.

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close